Pregações5 Temperos para um bom chimarrão
Amados irmãos, amadas irmãs,
Na Região Sul do Brasil há a cultura da bebida do chimarrão, um chá amargo muito saboroso. O mate é a companhia de muitos gaudérios em sua jornada. Entretanto, você sabe como tornar o chimarrão ainda melhor? Seguem 5 dicas de temperos:
5) Descanso: O chimarrão nos faz parar para pensar, ouvir, dialogar. Em meio à correria do dia a dia, o chimarrão proporciona uma oportunidade para a devocional, a comunhão, a partilha, o amor e o descanso. Um chimarrão tomado na pressa perde seu gosto e não proporciona nenhuma lição ao cristão. É preciso ter tempo para desfrutar de seus temperos. Jesus Cristo nos diz em Mateus 11.28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”
Vivemos em um tempo onde há muita pressa. É uma correria que não tem fim. Com o chimarrão temos a oportunidade de parar, refletir, conversar, planejar, orar, etc. Nosso corpo também precisa descansar e um bom chimarrão é aquele tomado sem pressa e com tempo.
Um chimarrão tomado com pressa não é aproveitado; perde seu gosto, deixa de dar o seu sabor. Inclusive, pode ser perigoso, caso, na pressa, a água esteja quente demais.
Um bom chimarrão precisa de tempo para ser saboreado, degustado, ainda que seja um costume praticado todos os dias. Chimarrão e descanso combinam.
4) Amor: E o amor é o quarto tempero para fazer um bom chimarrão. Quem o prepara não o faz de qualquer forma. Ao contrário, dedica tempo a esquentar a água na temperatura certa, colocar a erva na cuia e, principalmente, tomar a primeira “cuiada” por ser a mais forte e ruim. Em amor aos outros, aquele que prepara o chimarrão bebe o cálice mais amargo para que os outros possam desfrutar, posteriormente, do melhor sabor. Isso se chama amor. Não um amor idealizado, mas o amor prático que se coloca no lugar do outro. Foi isto que Jesus Cristo fez por nós na cruz: tomou o cálice amargo preparado para nós, isto é, morreu em nosso lugar. Diz o conhecido texto de 1 Coríntios 13.13: Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.
É por isso que no Getsêmani, antes de ser crucificado, Jesus clamou ao seu Pai dizendo: Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. Jesus sofria por saber que sua morte em nosso lugar doeria, mas ainda assim ele se submete à vontade do Pai.
Penso que isto tem muito a ver com o preparo do chimarrão. É um sacrifício muito menor beber a “cuiada” mais amarga, mas ainda assim é um grande ato de amor que poupa aos outros. Um bom chimarrão precisa ter o tempero do amor. Assim, exercitamos o cuidado para com as pessoas que estão ao nosso redor. Nos submetemos e humilhamos diante delas como diz Paulo em Fp 2.5-11 onde registra o exemplo do Cristo humilhado e exaltado.
3) Partilha: Com a convivência, surge também a partilha. Ela acontece em no mínimo duas modalidades: ou alguém serve a cuia para todo o grupo reunido, ou cada um serve dando a cuia cheia ao seu vizinho. A partilha do chimarrão dá uma grande lição de serviço cristão onde, assim como somos servidos, servimos também ao nosso próximo. Beber chimarrão em comunhão nos incentiva na prática do serviço cristão. E também sobre isso a Palavra de Deus tem algo a nos dizer. Mc 10.45 diz: Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos.
Quem toma chimarrão sozinho, serve apenas a si mesmo; quem toma o chimarrão em comunhão, serve ao próximo. Só isto nos dá uma grande lição do ser cristão: servir ao próximo como a si mesmo.
A partilha do chimarrão também dá uma grande lição de humildade que é ensinada desde criança. A criança cresce vendo seus pais, vizinhos e/ou parentes partilhando de algo em comum: uma bebida saudável, um chá; a criança vê como um serve a todos ou como cada um serve seu vizinho. Isso também é muito importante. Chimarrão em equipe é a prática da partilha, do serviço e do amor. É oportunidade diária ou semanal de se dispor a servir ao outro em um gesto muito simples, mas cheio de significado. É uma atitude coerente com a prática do Evangelho onde Deus nos serviu primeiro.
2) Comunhão: Eu não sei você, mas eu pessoalmente tenho muita dificuldade em preparar um chimarrão para tomar sozinho. Parece que não tem graça. Ficamos estufados de tanta água, pois acabamos bebendo tudo sozinhos. Um bom tempero para o chimarrão é ter alguém para conversar, trocar ideias, “prosear”. O tempero da comunhão dá a oportunidade de ir visitar algum vizinho, parente ou amigo distante. O melhor chimarrão é aquele tomado em comunhão. Já diz o Salmo 133.1: Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos. E Atos 2.42: E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Se já existisse o chimarrão no tempo de Lucas, certamente ele incluiria “no partir do pão, chimarrão e nas orações.”
A comunhão faz parte da vida cristã. É a partir das outras pessoas que nós conhecemos a nós mesmos e ao próprio Deus. A comunhão possibilita um espaço para o diálogo, para a alegria, para a vivência prática da fé na união no mesmo Cristo. Não há como ser cristão sem comunhão.
Nós vivemos em uma sociedade onde as pessoas se isolam cada vez mais, cada um em torno do seu mundinho dentro de uma tela. Por vezes, tais pessoas estão cercadas de humanos, mas ainda assim estão na solidão. Propaga-se a ideia de uma música cantada alguns anos atrás: ado, aado, cada um no seu... quadrado. Não! Os relacionamentos se tornam extremamente superficiais. Por vezes, só damos valor às outras pessoas enquanto possuem algo a oferecer; do contrário, as excluímos.
Se temos comunhão com Deus, então precisamos também buscar ao nosso próximo. “O ser humano só encontra o seu sentido quando se entende na busca por Deus, o que elimina a sua busca de ser Deus”1. Na Igreja, a relação eu tu é importante. Sem isso a Igreja não sobreviveria. A comunhão do corpo de Cristo é vital. Precisamos dela, necessitamos dela para viver. Viver com Deus é também viver com o próximo. De nada vale viver com Deus e esquecer o próximo como os fariseus muito bem sabiam fazer (Lc 10.25-37).
Portanto, nada melhor que tomar um chimarrão em uma visita, dentro de um diálogo, em um espaço onde o outro possa ser encontrado como está e celebrar, ali, a comunhão dos irmãos. Chimarrão bom é chimarrão comunitário.
1) Devocional: Um chimarrão fica muito mais saboroso quando acompanhado de uma leitura bíblica e de um devocional. O mesmo vale ao contrário. É mais saboroso ler a Palavra do Senhor tendo um chá para beber tão bom quanto o chimarrão. Assim nos diz o Salmo 1.2: Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele será como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.
Um cristão que não se alimenta da Palavra de Deus é como uma flor sem água: murcha, seca e morre. Precisamos continuamente nos alimentar do Pão Vivo da sua Palavra, afinal de contas, é o próprio Deus quem nos serve com ela.
A Palavra de Deus nos ensina o caminho certo a seguirmos e é um consolo imenso em meio às pancadas que a vida nos dá. Por vezes nos deparamos com um problema e, ao ler a Bíblia, Deus nos revela um caminho a seguirmos, como se, naquele dia, aquele texto bíblico tivesse sido escrito para nós. Isto é o agir do Espírito Santo que atualiza a Palavra de Deus para nós hoje.
Sem a Palavra de Deus, não conhecemos a Deus e nem ao seu Filho Jesus Cristo, pois ele está revelado somente nas Escrituras. Quanto mais lemos e estudamos a Bíblia, mais temos contato com o próprio Deus que deseja falar e alimentar o nosso ser nas mais diversas dificuldades.
Assim nos diz a Bíblia em 2 Timóteo 3.16-17: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Ou seja: A Bíblia não é um livro comum como qualquer livro que se puxa e se começa a ler em uma biblioteca; a Bíblia é e contém a Palavra de Deus em linguagem humana. Deus, que é soberano, revela seu amor em linguagem humana para que o pudéssemos compreender.
“A Bíblia Sagrada é um livro que fala do amor de Deus, é ela quem nos ensina o caminho santo para os céus. A Bíblia Sagrada é um livro que fala ao coração, que ensina toda a verdade, o caminho da salvação. E como é bom ter a Bíblia Sagrada escrita no coração.”2
Como Jesus Cristo mesmo nos disse em João 5.39: Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.
Logo, um dos temperos mais especiais para tomar um bom chimarrão é ter a companhia do próprio Deus que “proseia” conosco por meio da sua Palavra, a Bíblia.
Gostou? Então compartilhe esta ideia com seus amigos, familiares, vizinhos, enfim, as pessoas que você ama. Lembre-se que Deus, em Jesus Cristo, se tornou próximo de nós. Um chimarrão bem temperado produz frutos para a vida cristã. Creia em Cristo.
Que nestas comemorações de Setembro, mas também na nossa prática diária de beber o chimarrão, possamos lembrar destes temperos que não só alimentam o corpo, mas também dão sabor à alma.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o nosso coração e a nossa mente em Cristo Jesus, amém.
Notas e referências
Conforme PASSIG, Nelder. “A Comunhão: Uma Breve Abordagem Bíblico-Sistemática”. Ensaio Monográfico. Orientador Dr. Claus Schwambach. São Bento do Sul: FLT, 2013. p. 4. Agostinho, Dietrich Bonhoeffer, Stanley J. Grenz e Paul Tilich concordam com esta mesma tese.
↩LP Brasil Evangélico em Marcha. Faixa 05.
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