PregaçõesA alegria da salvação
Amados irmãos, amadas irmãs,
amanhã é o Terceiro Domingo de Advento. O tempo está passando. Basta esperar só mais um pouco e estaremos na noite de natal; só mais um pouco, e estaremos comemorando o nascimento de Jesus Cristo, nosso único e suficiente Senhor e Salvador.
O Terceiro Domingo de Advento é conhecido como “Domingo da Alegria”, do latim “Domingo Gaudete”. Esta palavra, na tradução da Bíblia para o Latim (chamada Vulgata), significa “alegria” e vêm lá de Filipenses 4.4 onde está escrito: “alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez, digo, alegrai-vos.” Estamos concentrados na redenção que irá chegar ate nós. O povo de Deus é lembrado pelas Escrituras que podemos ter alegria enquanto esperamos a Salvação que Deus está providenciando a nós. Podemos nos alegrar mesmo em meio às nossas dificuldades, pois Deus está vindo até nós em Jesus Cristo.
Hoje já temos uma pequena antecipação da alegria que chegará a nós no natal. Ao mesmo tempo, Advento é tempo de preparação para o Jesus glorioso que um dia descerá e voltará dos céus à terra. A volta de Jesus nunca deve ser motivo de pavor e medo, mas de alegria, gratidão e comemoração.
Porém, chama a nossa atenção que para o Domingo da Alegria dos cristãos, o texto previsto para a pregação fala de João Batista preso. Alguém que vivia ao ar livre e que estava mais do que acostumado com a liberdade, agora se encontra preso no cárcere. O que ele fez? Apenas pregou o Evangelho! João Batista é um dos primeiros seguidores de Jesus a ser perseguido e preso por causa da sua fé e da sua pregação. João Batista anunciava palavras duras ao povo. Enquanto João Batista chamava as autoridades de Raça de Víboras (parentes das cobras) e convidava todos ao arrependimento, Jesus traz palavras amorosas e, inclusive, se entrega por causa do amor que sente pelos pecadores. Porém, mesmo preso, João Batista manda perguntar sobre as coisas que estão acontecendo. Mesmo na prisão, ele pode encontrar alegria na obra do Filho de Deus.
Este é o sentido: não importa a situação pela qual estamos passando: seja de justiça ou injustiça, de felicidade ou choro, vida ou luto, desespero ou esperança, etc., podemos encontrar a alegria naquele que é Justo, Gracioso, Vida e Esperança.
João Batista possuía um modo de vida bastante simples (e até estranho). Diz a Palavra de Deus que “João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinto de couro. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre.” (Mateus 3.4) Haja apetite! João Batista vivia de um modo simples, alegrando-se com aquilo que possuía.
Porém, João Batista não é qualquer pessoa. Ele foi chamado para preparar o caminho para o Salvador. João Batista cumpre a sua missão sabendo que ele não era o Messias, mas estava preparando o caminho para o Messias. João Batista nunca puxou a glória para si mesmo, tornando-se um orgulhoso. Ao contrário, viveu sua vida proclamando aquele que estava para vir: o Messias, o Salvador, o Cristo!
A Palavra de Deus nos diz em João 1.6-9: “Houve um homem enviado por Deus, e o nome dele era João. Este veio como testemunha para testificar a respeito da luz, para que todos viessem a crer por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina toda a humanidade.” Ou seja, João veio testemunhar da luz, mas não era ele quem deveria aparecer mais. João veio anunciar da luz, mas ele não deveria brilhar mais do que o seu Senhor. Infelizmente, há hoje muitas pessoas que querem brilhar mais do que o próprio Senhor Jesus. Querem ser a luz do mundo, mas, na verdade, estão em plena escuridão. Assim como a lua não tem luz própria, mas é vista porque é iluminada pelo sol, da mesma maneira João Batista não era a luz, mas refletia a luz de Jesus que estava em sua vida. O mesmo acontece conosco: não somos a luz do mundo, mas a luz de Jesus pode chegar a nós para que possamos a refletir às outras pessoas. Quem deve brilhar não somos nós! Quem deve brilhar é Jesus. É importante falar disso em um Culto das Velas! Assim como Cristo se entregou à morte para nos trazer luz, a vela também se entrega à morte (derrete) para iluminar o ambiente.
Mesmo que João Batista esteja no Novo Testamento, ele pode ser considerado o último profeta da Antiga Aliança que veio para anunciar o arrependimento como preparação para a novidade que Deus vai dar a todo o povo, tanto os judeus como os não-judeus: a Salvação que virá daquele “do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias.” (João 1.27). João é o último profeta do tempo dos profetas antigos. O que virá pela frente é algo totalmente novo e centrado na pessoa e obra de Jesus Cristo.
Antes, os profetas estavam fundamentados nas Leis de Moisés; mas agora veio alguém que é maior que Moisés, o próprio Deus Filho Jesus Cristo que desce dos céus. De Jesus para frente, os mensageiros (profetas) anunciarão o Reino de Deus.
Por isso, mesmo preso, João Batista está preocupado e envia seus seguidores para que vão até Jesus, ouçam as últimas notícias a respeito do Reino de Deus. Estes discípulos chegam a Jesus e recebem a notícia: “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.” (Mateus 11.5). João estava preso entre quatro paredes, mas fora dali, Deus realizava coisas maravilhosas e extraordinárias através de Jesus. Era isso que João Batista precisava ouvir. Mesmo na prisão, seria um consolo imenso saber que o Reino de Deus estava acontecendo.
Quando os seguidores de João Batista vão embora, Jesus anuncia ao povo do seu amigo. João Batista não tinha ouvintes por causa das suas posses, mas porque era um profeta e “muito mais que profeta.” (Mateus 11.9b). Ganhar um elogio assim de Jesus não é pouca coisa. Mas isso aconteceu porque o próprio João Batista dedicou sua vida a servir e apontar para seu Senhor. Era Jesus quem deveria aparecer.
Por isso, a missão que Jesus dá aos seguidores de João Batista não é “vir e ver” o que está acontecendo, mas “ide e anunciai.” (Mateus 11.4). A tarefa deles não era fazer de Jesus um espetáculo para ser assistido; a tarefa deles era levar o que viram e ouviram adiante; a missão deles era comunicar que o Reino de Deus estava próximo.
Por isso, amanhã é chamado de Domingo Gaudete, ou, Domingo da Alegria. É tempo de se alegrar pelas coisas que Deus faz conosco, mesmo quando estamos em alguma situação de dificuldade. É tempo de se alegrar porque o Reino de Deus está próximo. A nossa tarefa como cristãos não é apenas vir e ver sobre isso tudo, mas ir e anunciar as coisas maravilhosas que Deus pode fazer entre o seu povo. Não ser que vivamos uma religião enquanto cumprimento de regrinhas e está tudo certo. Fé cristã não é isso, pois esse é um sistema de obras humanas. Fé cristã é a alegria de saber, receber e anunciar a Salvação de Deus às outras pessoas. O Reino de Deus está próximo! Aleluia!
Somos pecadores imerecidos de qualquer benefício de Deus a nosso favor. Como João Batista, somos humanos falhos e carentes da graça e do perdão divino. Como humanos, não temos nada fazer diante de Deus a não ser pedir por misericórdia em nome do Senhor Jesus e anunciar as coisas que Deus tem feito pelo seu povo. João batista entendeu isso.
O pastor presbiteriano norte-americano Tim Keller diz: “O mundo não pode salvar a si mesmo. Essa é a mensagem do natal.” É para isso que estamos nos preparando. Essa era a alegria de João Batista. Esta quer ser a nossa alegria para o natal. Quando nos arrependemos, temos a alegria da Salvação de Deus novamente em nossas vidas.
Que assim como João Batista, também nós possamos viver continuamente a alegria da Salvação que Deus tem para nós em Jesus Cristo. O Reino de Deus está próximo. Somos pecadores imerecidos e desgraçados (= sem graça), mas podemos contar com o amor de Deus se confiarmos nele de todo o coração.
Que no natal que virá, nada brilhe mais que o Senhor Jesus Cristo. Nem nós, nem os pisca-piscas, nem o papai Noel, nem os presentes, nada! Ele precisa brilhar! É ele quem precisa aparecer.
Amém.