PregaçõesA cura vem aí
Amados irmãos, amadas irmãs,
o texto que acabamos de ler/ouvir não trata apenas de uma cura de um homem que viveu nos tempos de Jesus. Na verdade, o texto bíblico quer curar também a nós. Sim, você e eu precisamos ser curados. O endereço desta cura é o Senhor Jesus. Acompanhe até o fim para que a cura chegue até nós.
Ser cego nos tempos bíblicos era um desafio. A religiosidade da época acreditava que quando uma pessoa nascia com algum tipo de deficiência, isso era consequência dos pecados de seus pais. Sim! Os pais deveriam ter cometido algo muito grave para que a criança nascesse com deficiência. Este era o caso do cego da nossa história.
Os discípulos o encontraram enquanto caminhavam. Aquele cego havia sido expulso da casa de seus pais. Vivia com um mendigo nas ruas. Estava socialmente excluído. Além de não enxergar, também vivia na solidão das ruas e dos becos, dependendo da ajuda das outras pessoas. Na linguagem popular de hoje, este homem cego seria chamado de “um coitado”.
Os seguidores de Jesus estavam no caminho do discipulado. Em seu caminho com o Mestre, aproveitam o tempo para tirar diversas dúvidas. Por isso, perguntam a Jesus: “Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou os pais dele?” (v. 2). Os discípulos ainda viviam sua religiosidade vazia que valorizava muito mais as leis do que o cuidado com o ser humano. Os discípulos acreditavam que doenças graves e deficiências só poderiam ser consequências de algum pecado. O pecado era usado com argumento para oprimir e excluir os fracos da sociedade.
Jesus, porém, possui um olhar completamente diferente. A cegueira do homem não é consequência do pecado, mas tinha como propósito manifestar as obras de Deus (v. 3). Aquilo que era visto pelos homens como fruto do pecado é visto por Jesus como fruto de um propósito vindo de Deus. Por isso, após Jesus passar saliva em seus olhos, o cego foi lavar suas vistas no tanque de Siloé. Ao voltar, estava vendo! O milagre não era apenas a oportunidade de ver, mas também a sua reintegração na sociedade.
Por incrível que pareça, nem todos se enchem de alegria com a notícia. O assunto levou a uma CPI por parte dos fariseus. Precisavam investigar todos os detalhes de como alguém que era cego agora podia enxergar.
Na sua acurada investigação, no primeiro passo, os fariseus questionam que a cura aconteceu no Sábado, o dia obrigatório do descanso. Não lhes importava que um homem cego agora podia enxergar todas as belas cores do mundo. O que lhes importava era sua falsa religiosidade que, como um cabresto de cavalo, limitava sua visão.
A primeira conclusão dos fariseus sobre Jesus é a seguinte: “Este homem não é de Deus, porque não guarda o Sábado”. (v. 16). A grande verdade é que os fariseus não estavam dispostos a conhecer Jesus. “Houve divisão entre eles”. (v. 16). Alguns começam a crer em Jesus; outros o rejeitam veemente.
O segundo passo da investigação é chamar os pais do homem. Os fariseus queriam tirar sua principal dúvida: será que este homem era realmente cego? Ou era um charlatão que passou todo este tempo enganando a todos? Somente os pais poderiam esclarecer este assunto. Por isso, os pais respondem: “Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego.” (v. 20).
Entretanto, os pais não queriam prestar muitos esclarecimentos. Tudo o que falassem poderia ser usado contra eles para os expulsarem da Sinagoga, ou seja, da comunhão dos outros judeus. Se fossem expulsos, não poderiam mais participar do culto. Estariam excluídos do Povo da Aliança!
O terceiro passo é perguntar se Jesus é um pecador. A resposta do homem se destaca por ser simples e fantástica: “Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.” (v. 25). Aquele homem não sabia muita coisa sobre Jesus. A única coisa que ele sabia é que havia sido curado e, por isso, testemunha apenas disso.
Os fariseus, presos em sua falsa religiosidade, se afirmam como discípulos de Moisés. Esta afirmação não é equivocada. Moisés foi o mais importante líder do Novo Testamento. Deus, de fato, falava com Moisés pessoalmente. Mas agora, em Jesus, veio aquele que é mais importante que Moisés. Os fariseus não estavam dispostos a acreditar nisso.
Quando a CPI terminou sua investigação, os fariseus então expulsaram (v. 34) o homem da Sinagoga. Esta foi a consequência por ser anteriormente cego e agora poder ver. Ao invés de ser acolhido, foi expulso da presença dos judeus.
Jesus ouve que o homem foi expulso. Aquele homem ainda não havia visto Jesus. Jesus sabia quem era o homem, mas o homem não sabia quem era Jesus.
Jesus lhe pergunta: “Você crê no Filho do Homem?” (v. 35). Neste momento, Jesus se apresenta a ele, dizendo: “Você já o tem visto, e é aquele que está falando com você.” (v. 37). A resposta do homem não podia ser melhor: “Eu creio, Senhor! E o adorou.” (v. 38).
Aquele homem não havia sido curado apenas fisicamente. Ao contrário, houve cura espiritual. Além dos olhos da cabeça, também os olhos do seu coração foram abertos para ver Jesus e o confessar como Filho de Deus, como Messias, como Salvador.
A cura mais importante do texto não é a física, mas a espiritual. Muitas pessoas enxergam bem, mas estão cegas em seus corações. Não conseguem ver Jesus Cristo como Senhor. Fecham-se cada vez mais em si mesmas e em suas desculpas. Reduzem o evangelho a algo simplesmente humano. Não conseguem abrir os olhos do coração para confessarem Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal!
E você? Sim, você! Já teve os olhos do seu coração curados? Deus quer abrir nossos olhos. Ele quer fazer com que os olhos da fé estejam bem abertos e atentos para ele. Deus quer que vejamos a pessoa de Jesus Cristo e a sua obra na cruz.
Quando temos os olhos abertos sobre nós mesmos, podemos ver e ter nojo de nossos pecados; ao mesmo tempo, quando temos os olhos abertos para Jesus na cruz, podemos ter a certeza do perdão dos nossos pecados.
O que você está vendo?
É bom o que vês?
Olhe para Jesus! Olhe para Jesus!!!
É Quaresma. Ele está indo para a cruz para nos Salvar!
Há uma música que diz: “perdido estava, mas me encontrou; fui cego e hoje vejo.”
Deus te abençoe e abra seus olhos para ver Jesus e para que sua boca o confesse Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
Amém.