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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Pessoas constroem uma estrutura para acolher a comunidade.Pregações

A Estrutura do Restaurante

Amados irmãos, amadas irmãs,

muitas coisas definem se após comermos em um restaurante, voltaremos a ele ou nunca mais pisaremos em seu chão. E acredite: não é apenas de comida que estou falando. Muitos restaurantes até podem possuir um bom churrasco, um bom buffet, mas outras coisas podem prejudicar a frequência.

Por exemplo: se eu for a um restaurante e for atendido com grosseria, pode contar que não volto mais lá, mesmo que a comida seja boa; ou, muitas vezes, a comida é muito boa, mas o ambiente não é limpo; muitos de nós não comeríamos mais em alguns restaurantes se descobríssemos como são as cozinhas.

Lembro-me que uma época o Programa Domingo Legal do Gugu Liberato ia a alguns restaurantes com a vigilância sanitária. As situações que eles encontravam eram assustadoras. Encontravam-se às vezes até mesmo ratos, baratas, coisas inimagináveis. Você gostaria de comer em um lugar assim? Eu não! Saúde primeiro!

Mais recentemente tinha na Band o programa “Pesadelo na Cozinha” apresentado pelo Chef Jacquin do Master Chef (um programa que eu amo, mesmo não sabendo cozinhar). As situações encontradas pelo Chef também eram assustadoras. Em muitos casos, até havia certa higiene no ambiente, mas a equipe estava completamente desorganizada. O restaurante só funcionava a gritos. Nestes casos, o Chef tinha muitos problemas para resolver.

Inclusive, o chef Jacquin dá dicas para um bom funcionamento de um restaurante. São elas: 1) Escolher bem o cardápio; 2) Ter a higiene como prioridade; 3) Manter o estoque em dia; 4) Ter um bom trabalho em equipe; 5) Saber quando aumentar a equipe.

Portanto, ir com a família em um restaurante não tem implicações apenas quanto à comida, mas com um todo na qual o restaurante precisa estar atento e cuidar para não perder seus clientes. O restaurante pode ser pequeno e simples, mas se não atender a estes requisitos mínimos, estará sujeito ao fracasso. Pode gastar muito em marketing, mas a “propaganda negativa boca a boca” pode fechar o estabelecimento.

Isso possui ligação com a Igreja. Nesta série, estamos trabalhando o restaurante como uma figura de linguagem para falar da eclesiologia, ou seja, o “estudo da Igreja”. Através da figura do restaurante podemos aprender mais sobre a igreja de Deus.

No Domingo passado, nós ouvimos sobre os donos do restaurante, uma equipe única mantida de igual para igual através do vínculo do amor. Esta equipe é Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai que é responsável pelo início e mantimento, o Filho que é responsável pelo serviço e o Espírito Santo que é o responsável pelo marketing. Caso tenha perdido, o vídeo está salvo no Facebook e no YouTube.

A nossa ideia hoje é falar da estrutura do restaurante. Assim como em um restaurante, também a igreja tem uma estrutura. Poderíamos incluir muitas coisas aqui, mas quero enfatizar apenas três pontos:

1 A RECEPÇÃO

Como é bom chegar em um restaurante e ser bem recebido, como se aquela fosse a nossa casa. O restaurante que faz bem isso já ganha pontos com os clientes. A recepção é a primeira marca que o restaurante deixa no cliente.

O mesmo podemos aplicar à Igreja. Quando as pessoas chegam, precisam se sentir em casa, serem bem acolhidas, serem amadas, pois somos irmãos e irmãs na fé. Essa tarefa não é apenas das lideranças da comunidade, mas de toda a comunidade. Dentro do convívio cristão, podemos amar e ser amados.

Acontece que muitas vezes deixamos de fazer isso. Achando-nos melhores do que os outros, corremos o risco de não receber bem quem vêm até nós. Muitas vezes uma ovelha veio após muito tempo à igreja e, ao invés de ser recebida com alegria, é recebida com julgamentos. Sei também que muitas pessoas, especialmente jovens, deixaram de frequentar suas comunidades porque as pessoas ficavam olhando e reparando no seu estilo, na sua roupa, etc. Se nós cantamos aqui você tem lugar, então as pessoas precisam ter lugar entre nós.

Assim nos diz o apóstolo Pedro em Atos 10.34-35: “Então Pedro começou a falar. Ele disse: - Reconheço por verdade que Deus não trata as pessoas com parcialidade; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” Pedro está em crise, pois Deus o mandou pregar o evangelho a Cornélio, um não-judeu. Mas será que o evangelho era também uma mensagem para os não judeus, para as pessoas de outros povos? É o que Pedro descobriu. A mensagem de Jesus não era restrita a eles, mas deveria chegar a todos os povos. Por isso, Pedro lembra de um versículo que está lá em Deuteronômio 10.17, onde está escrito que Deus não trata as pessoas com parcialidade, ou seja, fazendo diferenças, mas trata de igual para igual.

Portanto, seguindo o que diz a Palavra de Deus, no nosso restaurante (que é a igreja), todos devem ser vindos sem receber nenhum tipo de julgamento por parte de ninguém, afinal, o dono do restaurante (da igreja) é o próprio Deus. Se ele não recebe com parcialidade, porque nós faríamos?

2 A COZINHA

A cozinha é o coração do restaurante. Sem a cozinha, não há restaurante. Poderia até não ter acentos ou mesas, mas, sem cozinha, não seria um restaurante. A cozinha é a estrutura mais importante do restaurante. A cozinha é o centro do restaurante. As outras coisas são periféricas, ou seja, estão em segundo lugar apenas para complementar a cozinha. As coisas periféricas promovem o centro que é a produção de uma boa refeição.

Mas, no restaurante da igreja, o que é a cozinha? Na igreja, a cozinha é o preparo do alimento espiritual. O pastor é o cozinheiro que saboreia da palavra e passa o mesmo sabor adiante. O pastor é o cozinheiro alimentado por Deus e que sabe como alimentar as ovelhas de Deus. Maneja com sabedoria os nutrientes necessários, pois não devemos comer sempre o que queremos, mas o que devemos. Não é apenas cheese burguer, mas também salada; não apenas gordura, mas também legumes, assim por diante.

Porém, a comida não é do cozinheiro. A comida lhe é dada pelos donos do restaurante: Pai, Filho e Espírito Santo. O cozinheiro apenas cumpre sua vocação preparando e servindo o que já foi dado.

Assim nos diz Paulo em 2 Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” Só este versículo daria uma pregação inteira. O alimento é de Deus. A Bíblia é a Palavra de Deus. Deus falou em linguagem humana. E é o próprio Deus quem nos serve com a Palavra. A palavra pregada não é obra do pastor; a palavra pregada é obra de Deus, mesmo quando o que é anunciado dói em nossos ouvidos por ser a pura verdade. Diante de um prato servido assim, há duas possibilidades: comer ou jogar fora.

Poderíamos citar muitos versículos sobre a cozinha, ou seja, sobre o preparo da pregação, do servir a Palavra de Deus. Só o Salmo 119 possui 176 versículos, um a um, falando da Palavra de Deus. O importante é sabermos que para a manutenção da vida espiritual não basta comer o que queremos da Palavra, mas o que precisamos, mesmo não gostando muito do que é servido. Basta lembrar que a Jesus foi servido um cálice muito pior: o da morte na cruz!

A certeza de todo “cozinheiro”, ou seja, de todo pregador está em Isaías 55.11 onde Deus diz: Eu deveria agora mesmo calar a boca se não existisse esse versículo. Prego e sirvo a nós como Paróquia porque sei que a palavra não volta vazia. Pode demorar, mas ela dará fruto.

E vale a pena voltar ao restaurante. Certa vez um membro de uma igreja reclamou em um jornal dizendo que não faz sentido participar de todos os cultos. Diz ele que participa de cultos por trinta anos na qual ouviu cerca de três mil sermões. Entretanto, dizia esta pessoa que não consegue lembrar de nenhuma das pregações que ouviu em seus 30 anos de participação nos cultos, concluindo que estaria perdendo o seu tempo e que os pastores estariam desperdiçando o seu tempo pregando sermões. Esta carta gerou polêmica na coluna do jornal, até que alguém escreveu uma carta com este argumento: diz ele que estava casado fazia 30 anos e que neste tempo deve ter almoçado trinta mil refeições, mas que não conseguia lembrar do cardápio de cada uma das refeições. Entretanto, ainda assim, diz ele, que os alimentos o nutriram e lhe deram a força que precisava para fazer seu trabalho. Se não tivesse almoçado, estaria fisicamente morto. Da mesma maneira, se não tivesse ido à igreja para alimentar seu vazio interior, hoje estaria morto espiritualmente, como diz Jesus em Mateus 4.4: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”.

Com exceção da Pandemia, muitas pessoas estavam acostumadas a orar e ler a Bíblia apenas em casa. É bom ler a Bíblia em casa, mas também não podemos deixar de ir ao restaurante, à Igreja. se não gostamos de estar em comunhão agora, como gostaremos no céu?

3 O PAGAMENTO

Talvez essa seja a parte mais delicada e complicada de toda essa série de pregações. Quando o assunto é dinheiro, torna-se algo tenso e complicado. Aqui temos similaridades, mas também diferenças entre um restaurante e a igreja.

No restaurante, o pagamento é uma troca pelo alimento; na igreja, os dízimos e as ofertas são uma gratidão pelo alimento. Na igreja, é uma gratidão pelo serviço. Essa gratidão não é ao pastor, ao presbitério ou ao templo, mas ao próprio Deus.

O Senhor tem nos servido tão bem, então, agradeço dando parte dos meus recursos ao seu Reino, para que a sua missão continue. O que acontece é que infelizmente, na maioria das vezes, a igreja de Deus fica em último lugar quando o assunto é dinheiro. Infelizmente isso revela muito em que lugar Deus está na nossa vida. No discurso, dizemos que ele está em primeiro lugar; na prática, ele não é prioridade.

Paulo nos diz em 2 Coríntios 9.6-7: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco também colherá pouco; e o que semeia com fartura também colherá com fartura. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama quem dá com alegria.” Esse versículo fala por si!

A contribuição precisa ser espontânea. O importante é que ela venha do coração. Posso testemunhar que sou dizimista há muito tempo. Sim, o pastor William contribui com 10% do que ganha. E isso não digo para me orgulhar, mas para que Cristo cresça e eu diminua. Posso garantir que Deus não tem me deixado de me abençoar com ânimo e criatividade no ministério. Você não precisa contribuir com 10%, a não ser que queira. Pode ser mais, ou menos. O importante é que venha do coração e com alegria e não por obrigação, porque “senão não vai haver batismos ou sepultamentos ou outros ofícios”. Isso são atitudes que precisamos tomar, muitas vezes, com dor no coração para tentar educar e disciplinar. Mas a contribuição não é uma troca pela prestação do serviço religioso quando preciso. Ela é gratidão.

Esta é a estrutura do restaurante. Que possamos receber bem quem se achega até nós. Que possamos nos alimentar do alimento que Deus nos serve, seja qual for. Que possamos contribuir com alegria e justiça. Amém.