Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Pessoa segue por um caminho rural ao amanhecer.Pregações

A peleia continua

Tchê, escuta só, vivente!

Caramelo! Caramelo é o nome do bagual que virou um baita símbolo quando o Rio Grande do Sul tava na pior baita encrenca da sua história. Água pra tudo que é canto, barbaridade! Água invadindo rincão que antes nem em sonho se imaginava molhado. As águas levaram embora sonhos, causos, memórias – e até gente buena! Água por tudo que é lado, tchê. Água que não parava de despencar do céu – dias e dias, um baita toró. E aí, aquela imagem que ficou pra história, aquele retrato campeiro, aquele símbolo de resistência: o Cavalo Caramelo, peleando firme, se equilibrando no meio do fuzuê, no meio do quebra-costela da enchente.

Casas se foram. Sonhos se foram. Memórias se foram. E as águas? As águas também se foram, tchê! Sumiram! Quando baixaram, mostraram não só uma desgraceira sem tamanho, mas também a grandeza, a coragem e a força de um povo que não arrega, não se entrega e segue peleando sem parar. Quando subiram e depois desceram, as águas mostraram que a solidariedade é o maior valor que tem – valor esse que uniu o Brasilzão de ponta a ponta, do leste ao oeste, do norte ao sul, pelo povo gaudério que tava sofrendo.

O nome do cavalo é Caramelo. Mas, bah, podia muito bem ser Esperança, Coragem, Peleia. Ou até outros nomes, né? E tu, parceiro, que nome daria pro bagual Caramelo? (Deixar o pessoal prosear). Certeza que pra cada um de nós essa cena, cheia de sentimento e alma gaudéria, tem um sentido diferente, mas ao mesmo tempo, esse símbolo junta todos nós na garra e na coragem de ser gaúcho, mesmo no meio dos entreveros e baita perrengues que a vida larga no nosso caminho.

Mas bah, não dava pra eu fazer o culto crioulo deste ano como se nada tivesse acontecido em maio de 2024. Não dava pra ignorar essa dor, tchê... Porque essa dor também mostra um baita amor – amor ao próximo! No meio de todo o caos, também vimos o caráter do gaúcho se revelar – que não se afrouxa nem na pior peleia, não dá rédea nem quando o entrevero é grande.

No meio do caos da enchente, o povo gaúcho mostrou sua força, sua solidariedade, sua empatia. Tem coração, claro que tem! Tem sentimento, sem dúvida! Tem amor, sim senhor! O Cavalo Caramelo virou um símbolo do nosso Rio Grande do Sul, firme, aguentando um baita desafio. Estamos em setembro, mês farroupilha, tchê. Mais do que nunca, é tempo de cavalgada – algo que corre nas veias do gaúcho, onde a parceria entre o homem e o seu cavalo é festejada com orgulho e tradição.

Prendas e peões,

as águas baixaram, se foram, e a vida segue o baile. Mas, tchê, precisamos nos dar conta que esses troços não são só coisa do acaso ou “naturais”. Primeiro veio a enchente, barbaridade! Agora, nos últimos dias, a fumaça das queimadas tá tomando conta, não só aqui no Rio Grande, mas em boa parte do Brasilzão. Tem vivente que prefere tapar os olhos pros fatos; tem quem diga que tudo isso é “fim dos tempos”, “coisa do apocalipse”; e tem aqueles que seguem ignorando que as mudanças climáticas são obra do próprio homem – e que o mundo tá esquentando, e se a gente não tomar uma atitude, a tendência é a coisa só piorar, bagual.

O planeta tá pedindo socorro, vivente! Olha pras gurizada agora: que tipo de mundo queremos deixar pra eles? Um pago cheio de perigo só porque meter uns pilas no bolso rápido é mais importante que cuidar da nossa querência? Ou um mundo onde eles possam respirar um ar bem bueno, ter água limpinha pra tomar e um ambiente saudável pra viver? Hoje, mais do que nunca, precisamos dessa coragem, que só o gaúcho tem de sobra, pra fazer o que é certo! Se a gente não der um jeito agora, mais irmãos e irmãs podem acabar padecendo lá na frente. E Deus nem vai precisar dar fim ao mundo, porque nós mesmos já vamos ter feito o estrago.

Tá na hora das nossas façanhas voltarem a ser modelo pra toda a terra, tchê! Façanhas que mostrem gratidão, alegria, força, coragem, ousadia, solidariedade e participação! Façanhas que demonstrem carinho pelo próximo e pela Criação de Deus – que não tem culpa de nada, mas tá gemendo e sofrendo por causa dos nossos pecados e malfeitos. Vamos fazer jus ao nosso hino e seguir peleando com o coração gaudério, mostrando que o povo do Sul sabe honrar a vida, a terra e o Criador!

As águas se foram; a peleia segue. Que Deus siga abençoando o povo gaúcho em todas as suas façanhas. E que Ele dê sabedoria à gauchada em todas as suas escolhas – pra que sempre estejam do lado do bem, da paz e da justiça, sem vacilar! Vamos seguir nossa trilha com fé, esperança e amor. Que o Senhor Deus abençoe toda a gauchada que celebra, com ainda mais significado e profundidade, esta Semana Farroupilha neste ano.

Mais do que nunca, um baita viva ao povo gaúcho!

Amém.