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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Paulo falando a ouvintes em Atenas.Pregações

A Ressurreição do Corpo

Ele ressuscitou! A morte morreu, a vida venceu! Graças a Deus. Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Ao invés da morte sepultar o Cristo, foi Cristo quem sepultou a morte. De fato, ao comemorarmos a páscoa e a ressurreição somos renovados a crer que a morte não tem todo o poder, mas também foi limitada por Deus. Se tudo está debaixo de Deus, com a morte não poderia ser diferente.

A morte é um fenômeno corriqueiro, i. é, muito presente no dia a dia. Na semana passada, um ataque terrorista em Bruxelas matou 35 pessoas, contudo, milhares morrem todas as semanas no Oriente Médio em função da guerra civil na Síria ou em função do chamado Estado Islâmico. Aos nossos olhos, a morte parece invencível.

No nível micro, nós temos o estranho tardígrado, ou urso d’água, que consegue sobreviver a temperaturas variando desde pouco mais do que o zero absoluto até os 150 °C, a pressões de 6 mil atmosferas e a cerca de 1000 vezes mais radiação do sol que um ser humano pode suportar. Contudo, em condições extremas sem água ou atmosfera, ele dificilmente passa dos 10 anos de vida. No nível macro, estrelas sobrevivem à milhões ou bilhões de anos, quando, enfim, pulsando em agonia e engolindo planetas próximos, morrem. Não importa para onde olhamos: o poder da morte sempre está presente, capaz de levar consigo o micro e até estrelas brilhantes como o nosso próprio sol. Aos nossos olhos, em todas as dimensões possíveis de serem pensadas, a morte é vitoriosa.

Ao que parece, ela sempre nos vence de goleada, levando consigo também as pessoas que amamos e, todos os dias, ameaçando a nossa própria vida. Olhando nesta perspectiva, podemos contar que onde há vida, também há morte, seja no cosmos, no microscópio ou nas nossas relações com os outros.

Paulo está trazendo uma novidade para os atenienses. O livro de Atos, escrito por Lucas, nos lembra que Deus age concretamente na História da Igreja. Portanto, a história registrada em Atos é considerada uma continuação dos atos poderosos de Deus registrados no Antigo Testamento e do ministério de Jesus. Em Jesus Cristo, Deus se revelou como o Salvador no centro da história, visto que ela foi posteriormente dividida em Antes de Cristo e Depois de Cristo. De fato, depois de Cristo o mundo já não é o mesmo em todos os aspectos, também em relação à morte. Logo, conforme Atos 1.8, o propósito da Igreja era o de testificar a respeito de Jesus Cristo até aos confins da terra.

É neste cenário que Paulo decide visitar também a cidade de Atenas. Paulo estava passando na Macedônia e na província de Acaia onde fica Corinto. Atenas, atual capital da Grécia, era uma cidade muito visitada por sua cultura nas artes e filosofia. Na verdade, havia uma mistura de superstição com filosofia em Atenas. Imaginemos no que isso poderia dar. Paulo, contudo não negou esta cidade, mas fez questão de visita-la a fim de que a palavra da ressurreição chegasse a todos os lugares possíveis, e qual foi o tema debatido em Atenas? A ressurreição.

Paulo pregava para os judeus em sinagogas e nas praças. Aconteceu que ele acabou sendo ouvido também pelos filósofos epicureus e estoicos. Precisamos compreender um pouco destas duas linhas de pensamento para pegarmos o “fio da meada” de Paulo. Estes dois grupos (que eram inimigos entre si) ouviram Paulo. Como o chamaram? Tagarela. Estes dois grupos começaram a questionar que Paulo pregava coisas estranhas, como um tal de Jesus e uma tal de ressurreição. Estes dois grupos foram movidos pela curiosidade. Embora inimigos, ambos os grupos se juntaram para levar Paulo ao areópago, um “palco” onde os filósofos faziam discursos públicos.

Os epicureus não acreditavam em Deus, mas apenas em si mesmos. Por serem ateus, não tinham medo algum do juízo. Já os estoicos eram panteístas, ou seja, para eles, tudo era Deus, desde a pulga até a árvore, até mesmo você. Vamos dar uma atenção especial ao pensamento estoico e seu “projeto de salvação”, conforme Clóvis de Barros Filho, claro, adequado ao nosso contexto.

O que era necessário para um estoico ser salvo? Pensar bem, viver bem, usar bem a cabeça, encontrar seu lugar no mundo e descobrir seu dom e usá-lo. Para os estoicos, fazendo estas coisas, você se torna um pedaço do universo, um fragmento de eternidade e então o que lhe constitui se eternizará em outras coisas. Difícil? É simples. O Claus Schwambach é constituído de milhões ou até bilhões de átomos. Se ele usar bem a cabeça, encontrar seu lugar na FLT e ser um bom professor, ao morrer, os átomos dele serão lentamente diluídos no todo. Daqui a mil anos, haverá átomos do Claus no ar, em árvores, em outras pessoas, etc. Ou seja, a matéria que hoje constitui o Claus estará misturada ao resto. Assim, o Claus será eterno à medida em que se mistura ao restante dos cosmos, contudo, sem consciência de si e sem a identidade própria. Ao pensarmos bem, esta concepção está correta do ponto de vista da química ou da biologia. O químico francês Antoine Lavoisier afirmou a seguinte lei no séc. XVIII: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Portanto, a concepção estoica é, do ponto de vista biológico, magnifica: O Claus se transformará no todo.

Agora vem a proposta cristã: você morre e ressuscita tal como é! Como é seu nome? Claus Schwambach. Portanto, você será ressuscitado como Claus Schwambach, pois preserva a sua identidade e a integralidade humanas. Como se consegue isto? Basta uma coisa: ser encontrado por Deus. Os estoicos entraram em colapso: para os estoicos, tudo era Deus, para os cristãos, Deus está fora e entra na matéria na pessoa de Jesus Cristo. Uma loucura para os estoicos. A proposta de salvação cristã diante da proposta estoica era “Prime”, um Audi frente a um Fiat 147.

Amados do Senhor, o que tudo isto significa? Nós não estamos predestinados pela natureza a permanecermos neste mundo sem a salvação de Deus. Tardígrados ou estrelas podem morrer, mais se você já foi encontrado por Deus, você também será ressuscitado dos mortos e eu creio que Deus o chamará pelo nome da mesma forma como chamou “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43). Nossa matéria não se perderá no todo, mas estará novamente organizada por Deus que nos chamará e levará para si. Depois de Cristo, o túmulo não pode mais nos prender. Depois de Cristo o mundo realmente se tornou em outro mundo. Nesta esperança, nós aguardamos com paciência a volta do Senhor que nos fará ressurgir dos mortos tal como ele mesmo ressurgiu vitorioso sobre a morte. A morte morreu, Cristo venceu!

Paulo discursa em Atenas. Os epicureus e estoicos o levaram para a banca e ele foi reprovado. Ele até conhecia bem algumas coisas sobre a filosofia dos atenienses e chegou a citar o DEUS DESCONHECIDO, mas ao falar da ressurreição, Paulo escandalizou boa parte dos que estavam presentes. Para eles, Paulo estava ensinando algo novo que poderia ser deixado para outra hora (v. 32). Apesar do povo ateniense ser um povo acentuadamente religioso, a palavra da ressurreição era “demais” para eles. No v. 31 Paulo menciona o julgamento e a ressurreição. Aqui torna-se claro o seu contraponto aos epicureus que não acreditavam no juízo e aos estoicos que não conheciam a ressurreição. Tal como a morte de cruz, também a ressurreição de Jesus é uma loucura que não conseguimos compreender pela nossa inteligência ou filosofia, mas que podemos crer pela fé. A nossa razão e a filosofia não dão conta da ressurreição. É o próprio Deus quem nos concede esta viva esperança mediante a morte e ressurreição de Jesus Cristo, afinal de contas, ele ressuscitou com as marcas da cruz.

Os gregos viviam tateando, i. é, procurando por Deus no escuro, enquanto, na verdade, foi Deus quem nos encontrou em nossa escuridão. Assim, nem mesmo a escuridão da morte ou de uma sepultura poderá nos separar do amor que Deus sente por nós, pois ele nos resgatará da morte para si mesmo. Paulo anuncia a palavra do arrependimento a todos: todos devem se arrepender dos seus pecados, da sua idolatria e da sua ignorância a fim de receberem a fé e o amor de Deus. É isto que pode lhes renovar a esperança de uma vida eterna com Deus e, de presente, com identidade e consciência. É uma loucura! Não é à toa que as mulheres que foram anunciar aos discípulos a ressurreição de Jesus foram chamadas de loucas (Mc 16.11; Lc 24.11) Não é à toa que Tomé duvidou. Em Jesus Cristo, o cosmos perdeu alguns quilos de matéria e isso não é pouca coisa.

Qual foi o resultado? Na maior parte uma rejeição. Os atenienses estavam de ouvidos atentos em Paulo até ele mencionar a ressurreição; aí estragou a história; ele até começou bem. O resultado foi uma grande zombaria. De fato, racionalmente falando, a ressurreição é inacreditável, uma loucura, história para boi dormir, motivo de grande riso e deboche. Agora, pela fé que recebemos do próprio Deus que nos achou em nossa escuridão, podemos crer que ela é verdadeira e essencial, pois Cristo foi mesmo ressuscitado pelo seu Pai e nós também o seremos um dia.

A maioria rejeitou, mas houveram alguns que se agregaram a Paulo e creram na ressurreição de Jesus Cristo. Menciona-se apenas Dionísio, o areopagita e Dâmaris, com eles outros mais. A palavra da ressurreição quer alcançar a todos, contudo, o texto evidencia que são poucos os que creem. Se cremos na ressurreição de Jesus Cristo, saibamos que somos uma minoria.

Assim, esta palavra quer nos motivar a vivermos não a partir da morte, mas a partir da esperança da ressurreição dos mortos que traz nova vida. Se Jesus, morrendo como morreu, foi ressuscitado, nós podemos crer e ter a confiança de que também seremos. Ainda que o universo inteiro padeça, nós viveremos com Deus.

Ande uma vez por um cemitério. Eu costumeiramente gosto de fazer isso a fim de observar sobrenomes e datas que ali se encontram. É caminhando por entre os túmulos de um cemitério que enxergamos a necessidade da ressurreição. O texto nos mostra que a mera curiosidade não é capaz de conduzir à salvação. E quantas pessoas frequentam igrejas e pulam de uma à outra por mera curiosidade. Onde está a sua vida, antes ou depois de Cristo?

Jesus ressuscitou. Embora estivesse morto em uma sepultura, continuou vivo na memória do Pai que se lembrou dele e o ressuscitou no terceiro dia. Essa é a maior promessa: Embora morramos, continuamos vivos na memória do Pai e este irá nos ressuscitar, nos arrancar das amarras da morte. Embora Jesus sofresse nossa morte, este não permaneceu nela, mas, foi ressuscitado pelo Pai. Ao contrário da maioria dos atenienses, nós não debochamos da ressurreição de Jesus, mas da morte, pois “tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”

Saudação Final: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o teu coração e a tua mente em Cristo Jesus, amém.”