PregaçõesA sepultura está vazia
Estamos no período da Páscoa, tempo que nos lembra da transformação, a vida, a esperança que há em Cristo Jesus. Cristo venceu a morte! Bendita a nossa sorte. Da escuridão, ele nos leva à luz.
Entretanto, mesmo com a ressurreição daquele que é a Luz do Mundo, o próprio mundo decide permanecer na escuridão. Quem acompanhou os jornais de ontem a noite certamente viram que ocorreu um novo ataque terrorista em Paris, na França, com um total de três pessoas mortas: 2 policiais e um terrorista. Vivemos em uma época difícil onde a própria segurança, na verdade, é insegura.
No Brasil não é muito diferente. Quantas vidas perdidas nas viagens neste período de Páscoa. Estradas ceifando vidas de membros de uma família ou até de uma família inteira. Conforme notícia do Zero Hora, foram nove vítimas fatais da quinta-feira da Paixão até o Domingo. Famílias que tiveram em sua Páscoa a tragédia.
Qual seria então o sentido da Páscoa se mortes tão horríveis continuam a acontecer? Algumas delas são legítimos acidentes, outros são causados por imprudência, mas, mesmo assim, o que é o tempo da Páscoa em um mundo marcado pelo derramamento de sangue e morte?
Nós pregamos o Cristo ressuscitado. Este é o tema do discurso do apóstolo Pedro em Jerusalém. Cristo já havia subido aos céus, o que em breve lembraremos no dia da Ascenção, e após dez dias enviou o Espírito Santo à terra, o que vamos lembrar em Pentecostes. O Espírito Santo desceu e de repente, diferentes povos conseguem compreender a mesma língua. Diz o texto bíblico que estavam reunidas pessoas de várias nações. Aconteceu que todos entendiam o discurso em sua própria língua. Eram de vários países, mas se entendiam. Por exemplo: o discurso era em português, mas os alemães ouviam em alemão, os espanhóis em espanhol, os americanos em inglês, e assim por diante. Falava-se uma língua e cada um entendia na sua própria língua. Era um milagre. Não um tagarelar de qualquer coisa como se vê muito por aí hoje em que nem mesmo a pessoa entende o que diz. Eram línguas conhecidas. Na torre de Babel temos a história da confusão das línguas; em Atos 2 temos a comunhão das línguas.
Diz o v. 13 que alguns começaram a debochar dos cristãos dizendo, “estão embriagados”. Beberam demais e agora fazem esse escândalo. Passaram da conta do vinho. É o que dizem os opositores dos cristãos.
Nisto, Pedro se levantou e iniciou seu discurso, o texto que nós lemos. Ele diz no v. 15 que os cristãos não estavam embriagados. O que está acontecendo é que eles estão cheios da alegria de Deus, pois Cristo ressuscitou. E Pedro diz que esse Senhor fez sinais, milagres e que os próprios opositores de Cristo sabiam muito bem disso. E Pedro diz que mesmo Cristo sendo tão bom, o Senhor dos senhores, eles o mataram e o crucificaram. Os planos humanos quiseram frustrar os planos de Deus. A malícia humana chegou ao ponto de crucificar aquele que é o Senhor da vida. Quão violenta é a nossa natureza, não é?
Mas o poder de Deus é muito maior que a nossa violência e crueldade. Cristo foi ressuscitado ao terceiro dia. Nova vida, transformação, esperança. E diz Pedro no v. 24: rompendo as correntes da morte, pois não era possível que fosse preso por ela. A morte é como uma corrente muito forte com um cadeado muito bem fechado. Somente Jesus Cristo é a chave que abre a prisão e nos concede vida. Outras chaves não irão abrir esta porta, por mais que se tente. Cópias imperfeitas da chave principal também serão inúteis. Somente a chave original, chamada Jesus Cristo, é capaz de abrir a corrente da morte e libertar da morte para a vida. Sem Jesus tudo está perdido; sem Jesus nada mais sentido tem; sem Jesus tudo está escuro, sem Jesus nada há que nos sustém. Jesus é a chave de Deus que nos liberta da morte.
Por isso, o apóstolo Pedro continua dizendo que o seu coração se alegrou e a sua língua o exaltou, pois a sua própria carne repousará em esperança. Porque Cristo ressuscitou, Pedro também tem a certeza da sua própria ressurreição. Se Cristo está vivo, Pedro também viverá! A mesma esperança se aplica também às nossas vidas. Em nós mesmos temos apenas o destino cruel da morte. Em nós mesmos, temos como eternidade o pó. Mas em Jesus Cristo há muito mais: a ressurreição do corpo para a vida eterna. Em Cristo, comunhão eterna com Deus na eternidade, no Paraíso, na casa que seu Filho tem preparado para os que nele creem. Sem Jesus, morte eterna. Com Jesus, vida eterna. Jesus Cristo mesmo afirmou em João 14.6: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Ele não é um dos caminhos a serem seguidos; Ele não é uma das verdades presentes no mundo; Ele não é um modo de vida. Ao contrário, ele é o único caminho, a única verdade e a única vida. É ele! Ou não temos nada! Somente um destino de pó diante de nós. É isto que Pedro nos diz no v. 28: fizeste-me conhecer o caminho da vida, encherás a mim de alegria na tua presença. Seguir o caminho do Cristo ressuscitado é seguir um caminho de alegria e paz, ainda que a vida não nos ofereça paz permanente. Em meio ao sofrimento e tristeza, podemos ter no fundo da nossa alma a alegria de saber que, um dia, tudo irá passar e Deus irá nos conceder vida eterna no seu eterno lar.
Pedro continua seu discurso e agora ele “cutuca a onça com a vara curta”. Ele está discursando aos judeus que disseram que eles estavam todos bêbados. Os judeus tinham uma lembrança muito boa do Rei Davi. Davi foi o Rei segundo o coração de Deus; Davi foi o rei que pela guerra alargou os territórios de Israel, etc. A esperança do Messias para estes judeus era que o Messias teria que ser parecido com Davi. Iria libertar o povo da opressão romana e tornar Israel uma grande e próspera nação. O povo iludiu a si mesmo com uma esperança material, pois somente queriam a prosperidade. Cultivavam boas lembranças do rei Davi, mas “isso subiu para a cabeça”, como alguns dizem hoje.
E o que Pedro diz? Davi morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Ou seja, Pedro quis dizer: vocês quase exaltam mais a Davi do que ao Senhor Deus, embora Davi nunca tenha ressuscitados dos mortos. Davi está sepultado. Davi está morto. O grande Rei de Israel está preso nas correntes da morte. Mas Jesus ressuscitou. Seu túmulo está vazio. Seu Reino é nossa esperança. Ele ressuscitou e nunca mais morrerá, pois a morte não tem poder sobre ele. Nós nos alegramos assim como estamos fazendo porque não festejamos a lembrança de um rei morto, mas do Deus vivo, o Deus dos vivos.
Os judeus devem ter tido vontade de pular em Pedro, tanto que no cap. 4 eles são presos apenas por pregarem que Cristo ressuscitou dos mortos. Diz Atos 4.2-3: por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos; e os prenderam, recolhendo-os ao cárcere até o dia seguinte, pois já era tarde. A ressurreição de Jesus gerou uma grande confusão entre os Judeus. Como eles queriam ser os mais entendidos da lei, estavam cegos para o fato da ressurreição. Estavam tão presos à tradição que seus olhos não conseguiam enxergar a Luz do mundo.
O anúncio da ressurreição de Cristo gerou muitas mortes. É interessante pensarmos como uma poderosa mensagem de vida é facilmente transformada pelo ser-humano em uma ação de morte e violência. Os cristãos foram mortos e perseguidos só por anunciarem a ressurreição de Cristo. Todos os discípulos foram mortos por causa desta mensagem, com exceção de João que morreu pela idade. A mensagem da ressurreição vai contra nossa lógica de “quando morreu, acabou”. E quantos se iludem dizendo estas palavras, “quando morreu, acabou”. Não acabou não, há muito mais depois, tanto que os discípulos não se importavam em morrer por esta mensagem, pois eles sabiam que a morte não era o fim. O apóstolo Paulo chegou a afirmar em Filipenses 1.21: para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Os discípulos mantinham uma viva esperança na ressurreição, tanto que não se importavam de morrer pela mensagem da salvação em Cristo. O melhor estava por vir.
E Pedro diz em seu discursos em Atos 2.32: A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Cristo verdadeiramente ressuscitou. Os relatos a respeito disso são muito fiéis. Em 1 Co 15.6, o apóstolo Paulo nos diz: Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Mais de 500 pessoas testemunham ter visto Cristo vivo. Ainda vamos duvidar?
Páscoa é vida, é esperança, é gratidão. Assim como postes de luz iluminam o caminho de uma estrada, não deixando que nenhum espaço fique sem alguma iluminação, assim cada Domingo quer daqui em diante nos lembrar de que Cristo ressuscitou. Todos os dias devemos lembrar e comemorar a ressurreição de Jesus Cristo da prisão da morte. Se ele está vivo, então há alguém que ouve a nossa oração; se ele está vivo, então ele está entre nós hoje; se ele está vivo, o melhor está por vir, pois está preparando um lugar para nós passarmos a eternidade com ele.
O mundo está marcado pela violência, pelo derramamento de sangue e pela morte. Quando somos confrontados com este tipo de notícia, olhemos para o Deus da cruz: ele sofreu violência, derramou o próprio sangue e morreu. Mas além da cruz ele ressuscitou, embora as marcas de seu sofrimento permaneçam para que não esqueçamos a cruz. Este Deus vivo morreu por nós. Este Deus vivo quer nos dar a salvação. Vamos crer nele e, assim, termos ações que promovam ao seu Reino. Atitudes de paz, de vida, de consolo, de ânimo. Há esperança e só a encontramos em Cristo Jesus. Porque ele vive, nós também viveremos. Assim com os discípulos, não tenhamos medo ou vergonha de anunciar a ressurreição de Cristo, ainda que isto custe a nós uma vida de perseguição ou até de morte. Em nosso país, ainda temos a liberdade de fazer este anúncio público. Em muitos países com a Coréia do Norte, China, etc., é proibido ser cristão e quem se torna cristão, paga com a própria vida. Deus é fiel, sejamos fieis a ele. E a paz de Deus que excede todo o entendimento guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus, amém.