Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Jovens entrando em uma igreja para continuar sua caminhada de fé.Pregações

Acabou!?

Amados irmãos, amadas irmãs,

queridas confirmandas, querido confirmando.

Enfim, acabou! Temos, hoje com vocês, um sentimento de comemoração!

Neste ano, passamos um bom tempo juntos. Momentos de muita alegria e aprendizado. Especialmente neste ano tivemos uma viagem pela Bíblia de Gênesis até Apocalipse. Discutimos se a criação de tudo se deu pelo Big Bang ou nos 7 dias como está na Bíblia, conhecemos a história de Abraão e sua fé em Deus a ponto de dispor de seu filho Isaque ao sacrifício, passamos pelos reis, pelos profetas, chegamos em Jesus, no apóstolo Paulo e em Apocalipse. Como no fim da Bíblia, chegamos também ao apocalipse, ao final do Ensino Confirmatório. Vocês receberam o conteúdo de tudo o que precisam saber sobre Deus e o modo como Ele se revela ao ser humano.

Porém, Deus continua a se revelar. Por isso, pergunto: Acabou? #sqn. O Deus da Palavra deseja continuar se revelando e se relacionando com vocês através da sua Palavra e da comunhão com os/as irmãos/ãs. Terminou o Ensino Confirmatório, mas não terminou a vontade de Deus de amar e querer bem a vocês.

A vida é feita de escolhas. Uma das verdades mais caras do Evangelho é a liberdade. Não somos escravos de mais nada. Nem de nossos pecados, nem das nossas vontades, de nada. Muitas pessoas pensam que se tornar um cristão é algo muito chato porque a pessoa “não pode fazer mais nada.” Entretanto, o Evangelho é a boa notícia da liberdade. Só quem é livre pode fazer escolhas. Um jovem que caiu no uso das drogas não pode escolher usar ou não, pois é escravo.

Vocês aprenderam do Evangelho e são livres para viver como quiserem. Mas atenção! A liberdade que Deus nos deu precisa ser usada com responsabilidade, pois as nossas escolhas geram consequências. Deus sempre perdoa nossos erros, mas nem sempre Ele nos livra das consequências das nossas escolhas. Por isso, vocês receberam conhecimento bíblico: para fazerem as melhores escolhas.

Hoje chegou o dia da principal escolha de vocês. De não resistirem ao amor de Deus, mas se entregarem completamente a ele e deixarem que Ele conduza a vida de vocês, deixarem que ele seja o Senhor da vida de vocês. Um SIM que não deve ser dito por mera tradição, mas que deve ser uma convicção profundamente enraizada no coração de vocês.

Vocês estão crescendo. Nosso mundo precisa de boas cristãs, bons cristãos. Bons cidadãos que façam a coisa certa. Que não se entreguem aos atalhos da corrupção, do jeitinho e do engano, mas que procurem agir com sabedoria e ética. Pessoas que mesmo acreditando na esperança da vida eterna, também lutem por um mundo mais digno e justo aqui.

O autor de Hebreus quer nos ensinar a fazer isso. Como cristãos e cristãs, temos deveres para com este mundo que ainda é de Deus. Deus amou ao mundo e nós o devemos amar também. Em função do tempo, não temos como refletir sobre todas as frases deste texto. Mas quero destacar algumas.

O texto inicia falando do amor fraternal. A palavra grega para isso é Filadélfia (Filos = amor; adelfós = irmão, ou seja: amor ao irmão). Pesquisei o significado do que esta expressão “amor fraternal” significa na internet. Encontrei: “Amor fraternal é um sentimento de carinho muito forte, de dedicação, de interesse pela figura do outro, gerando sentimentos positivos e construtivos.” É um significado muito bonito, mas está errado!

Amor fraternal (Filadélfia) não é um sentimento, mas uma ação. O amor não é um sentimento como muito se canta nos sertanejos universitários. O amor é uma ação, é verbo, é disposição a fazer algo, a sacrificar a própria vontade pelo bem do/a outro/a.

Queridas confirmandas, querido confirmando,

pratiquem a Filadélfia. O amor aos/às irmãos/às só é possível quando estamos unidos com outras pessoas. Do contrário, não haverá ninguém a amar. Tenham ações de amor, compaixão, misericórdia. Pastor, como fazer isso?

Hebreus responde: Hospitalidade (Filos = amor; ksénos = forasteiro): Pessoas acolheram anjos sem saber; visita a presos: todos merecem uma segunda chance; Casamento: uma sexualidade pura e perfeita diante de Deus e do/a cônjuge. Gratidão: contentar-se com aquilo que tem. É dessa maneira que a igreja exerce o amor. É dessa maneira que vocês poderão ser bons cristãos, ao fazerem as melhores escolhas promovendo o amor, o bem.

Aprendemos muitas coisas sobre a Palavra de Deus e sobre o próprio Deus neste ano, mas nada disso adiantaria se não praticarmos o aprendizado através do amor. 1 Coríntios 13.2 diz: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.” Conhecimento sem amor gera a guerra, a bomba atômica, a destruição. Uma fé capaz de transportar o Ferrabraz pra outro lugar sem amor só causaria o caos. Vocês receberam o conteúdo da fé. Pratiquem tudo o que aprenderam COM AMOR!

Nós como comunidade estamos incluídos nesta tarefa. Devemos dar espaço a estes jovens. Precisamos quebrar nossos preconceitos para com os jovens. Eles são dignos deste espaço tanto quanto nós e tanto quanto nossos antepassados. Precisamos deixar este lugar cada vez mais atrativo para recebê-los. Assim, eles cumprem o v. 7, onde começam a imitar seus líderes espirituais. Nós devemos ser exemplo a eles! Isso é tarefa de pais, padrinhos e também nossa como Corpo de Cristo na terra. A partir da maneira como exercemos o amor, do mesmo jeito eles aprenderão a amar. É assim que a cultura é passada de geração a geração. Como eu disse: NÃO ACABOU! É AGORA QUE ESTÁ COMEÇANDO!

Que Deus possa abençoar e guiar vocês daqui em diante. O amor de Deus também não é um sentimento. Deus agiu para mostrar o quanto nos ama e esta ação de Deus foi o sacrifício de seu único Filho na cruz, um alto preço que sequer podemos calcular. O Deus Jesus Cristo morto na cruz é a maior prova de amor que o mundo já recebeu. A partir desta primeira ação de Deus, saiam daqui hoje dispostos a amar. Este é o sacrifício que Deus quer do coração de vocês.

Termino citando o v. 16 que convido vocês três a lerem junto comigo conforme estará na projeção: “Não se esqueçam da prática do bem e da mútua cooperação, pois de tais sacrifícios Deus se agrada.”

Deus não quer mais nada além do coração de vocês.

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus, amém.