PregaçõesAh, o amor
Ah, o amor.
Como é bom quando nos damos conta de quão bonito é o amor, ainda mais o amor que uma pessoa pode sentir pela outra. Amor dado por Deus. Amor ação que ama apesar das diferenças.
Ao mesmo tempo, a palavra amor está desgastada. Não quero criticar o gosto musical de ninguém, mas a música sertaneja atual reduziu o amor à ao ir à cama. Isto é muito triste. Amor é muito mais do que isso.
Mas queremos falar de coisas boas e o texto que nos lemos do Antigo Testamento é surpreendente nisto. Na época de Isaque as coisas eram bem diferentes dos dias de hoje. Na época, era o pai quem indicava uma esposa para seu filho. Havia motivos para isso. Os pais se preocupavam que os seus filhos pudessem ter um bom casamento que não os decepcionasse. Os pais também tomavam as providências para o casamento. Somente algumas vezes o jovem escolhia a esposa e os pais faziam a negociação do dote. Era raro um jovem se casar com alguém contra a vontade de seus pais. Em todo caso, eram costumes antigos que não correspondem à realidade de hoje. Aliás, não faz muito tempo em que os filhos podem escolher seus esposos ou esposas. Especialmente as mulheres foram sempre, na história, obrigadas a se casarem às forças com quem não amavam. Muitas vezes, sua família estava falida e a salvação estava em casar a filha com um jovem rico.
No texto bíblico, porém, percebemos que Abraão está preocupado com seu filho Isaque e quer o melhor para ele. Infelizmente, a esposa de Abraão, a Sara, já havia falecido. Restaram os dois homens da casa. Por isso, Abraão deseja que Isaque seja muito feliz. Abraão sabe que não permanecerá a vida inteira com seu filho. Por isso, Abraão providencia a um de seus servos que procure alguém para se casar com Isaque. É até engraçado nos dias de hoje lermos um texto assim. O pai dizendo que está na hora de seu filho casar e manda um empregado, um “peão” para procurar a esposa de seu filho. Isaque não vai procurar sua esposa em uma festa, no culto ou em outro lugar, mas tem que esperar o servo voltar.
Abraão é cauteloso e recomenda ao “peão” que especule um pouco sobre a vida da moça que, porventura, seria a mais compatível com seu filho Isaque. Para Abraão, não pode ser qualquer uma. Havia um critério: deve ser alguém do mesmo povo. Por quê? Porque assim ela serviria ao mesmo Deus de Abraão e Isaque. Para Abraão, era muito importante que seu filho se casasse com alguém que professasse a mesma fé e cresse no único Deus.
Abraão adotou um ótimo critério. Sua nora teria que crer no único Deus e servir ao único Deus. A pessoa certa para seu filho Isaque é aquela que crê no Deus que criou tudo o que existe e que escolheu seu pai, Abraão, como líder e gerador de uma grande nação.
Por isso, também hoje é muito importante que no casamento o casal sirva ao único Deus. Podem até serem de igrejas diferentes, desde que creiam no Trino Deus, Pai, Filho e Espírito Santo e façam dele sua torre segura. Quando fiz meu estágio em Foz do Iguaçu/PR, vi um caso muito inusitado que há naquela paróquia. Há uma mulher cristã-luterana casada com um muçulmano. Pessoal, que confusão. Ela crê em Deus e ele em Alá. Ela crê na Trindade, ele crê em Alá que é uma só pessoa. Ela crê que Jesus é Filho de Deus, ele crê que Jesus era apenas um profeta. É um convívio bastante complicado. Fiz muita amizade com um dos filhos do casal que também não sabe se segue o cristianismo ou o islamismo, se pode ou não pode comer carne de porco, se deve ou não fazer suas orações voltando-se à Meca. Já pensou? Não que não possa haver uniões deste padrão. Uso isto apenas para exemplificar: se hoje é assim, mais tenso ainda era o casamento com alguém que seria a outro “deus” no tempo de Abraão. A coisa se torna muito complicada, principalmente na criação dos filhos. Batiza ou não? Confirma ou não? Casa onde? Na luterana? Na muçulmana?
É interessante notar também no texto bíblico que Deus abençoou a proposta de Abraão. Deus não foi esquecido, mas fez parte do casamento desde quando ainda só estava sendo planejado. O servo orou a Deus pedindo que fosse bom com seu patrão Abraão. Abraão deveria ser um bom patrão, para que seu “peão” faça esse tipo de oração. Ele ora pedindo que Deus lhe mostre a pessoa com a qual Isaque irá se casar. E como ele vai saber quem é? Ele vai pedir para ela se pode lhe dar um pouco de água. Se ela responder “bebe” e também der de beber aos seus camelos, então esta será a pessoa certa. É uma coisa bem estranha, mas foi assim que o servo pediu a Deus.
Assim também o servo vê uma moça de longe, carregando um jarro. Diz o texto bíblico que ela era formosa de aparência e que nenhum homem havia estado com ela. Ao ela encher o vaso de água, ele lhe pede água e tudo acontece como ele tinha orado ao Senhor.
Após a cena, começa o interrogatório: o servi pergunta de quem ela é filha. Ao perceber que ela era do mesmo povo de Abraão, aquele servo se prosta diante do Senhor e o adora, dizendo: Bendito seja o Senhor, Deus de meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e a sua vontade de meu senhor; quanto à mim, estando no caminho, o Senhor me guiou à casa dos parentes de meu Senhor. O primeiro gesto daquele servo é a gratidão pelos feitos de Deus.
Logo o servo entra em conversa com Labão, irmão de Rebeca, e lhe contou novamente toda a história, desde o começo. Labão ficou muito admirado da história e diz no v. 50: Isto procede do Senhor, nada temos a dizer fora da sua verdade. Eis Rebeca na tua presença; toma-a e vai-te; seja ela a mulher do filho do teu senhor, segundo a palavra do Senhor [Deus]. A mãe de Rebeca tenta a segurar por alguns dias, mas ela mesma diz que o Senhor Deus a tem levado em bom caminho. Diz o v. 58: Chamaram, pois, a Rebeca e lhe perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei. Foi tudo muito rápido.
Chama à atenção a fé desta moça. Ela nem conhecia Isaque, mas já estava bem disposta a ir se casar com ele, pois Deus não a iria desapontar. Ela se apegou bem firme na Palavra de Deus e confiou que tudo estava acontecendo porque era o plano de Deus. E de fato, colocar a situação em oração é entregar o caso nas mãos de Deus e confiar que seus planos são bons para conosco, mesmo quando as coisas não vão tão bem.
Isaque foi no campo meditar. De repente, ouve o barulho dos camelos vindo em sua direção. Ele ergueu os olhos e os viu. Do outro lado, também a Rebeca levanta os olhos. Quando ela viu Isaque... foi amor à primeira vista! Ela logo faz o camelo se abaixar, desce e pergunta ao servo que lhe acompanhava, conforme v. 65: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? O servo diz que é Isaque. Ela então tomou o véu e se cobriu, como era de costume às mulheres daquela época. O servo contou a Isaque tudo o que aconteceu. Assim, Isaque conduziu Rebeca até à tenda de sua mãe Sara e ali Rebeca se tornou a sua mulher, sua esposa. E diz o v. 67: Ele a amou; assim, foi Isaque consolado depois da morte da sua mãe.
Pouco tempo depois, Abraão também morreu, mas antes de morrer conseguiu casar o seu filho com Sara. Deus havia prometido fazer de Abraão uma grande nação e Abraão pode morrer na certeza de que seu filho e nora continuariam a missão que Deus lhes deu: se tornarem um povo e conquistarem a terra de Canaã. Abraão não chegou a conhecer seus netos, mas é conhecido como o “pai da fé” por crer sempre nas promessas de Deus. Quando viu seu filho casado, ele pode descansar em paz.
Esta é uma grande história. Uma aventura. As coisas mudaram, mas as lições permanecem as mesmas. O casal deve diariamente se enxergar como um presente dado por Deus um ao outro. Nada é por acaso. Deus abençoou a união de vocês que estão casados e esta certeza os leva a seguirem firmes adiante. O amor de Cristo é que alimenta o amor que vocês sentem um pelo outro, amor capaz de se doar e de fazer tudo para o bem do ou dá cônjuge.
Isso não significa que não haverá discórdia, brigas, etc. O casamento de Isaque também não foi perfeito. Aliás, a família de Isaque e Rebeca não foi perfeita, pois seus filhos aprontaram e muito. Até bênção de Deus um conseguiu roubar do outro. O problema de Isaque e Rebeca na criação de seus filhos é que Jacó era o filhinho da mamãe e Esaú era o filhinho do papai. Aconteceram muitos problemas entre os dois, mas, no fim, houve reconciliação.
Amados do Senhor, gravem isso: a Bíblia não joga a sujeira em baixo do tapete. Isaque e Rebeca tiveram muitos conflitos, certamente. Mas perseveraram unidos porque confessavam a fé no mesmo Deus e Senhor. Um relacionamento fiel e bom só é mantido pela lembrança e vivência do amor que supera todas as coisas. Creiam que Deus formou o seu cônjuge para você. É um presente abençoado de Deus para presentear e abençoar a sua vida.
O casamento é sim um mar de rosas, mas não esqueçamos que as rosas possuem espinhos que podem machucar e causar feridas doloridas e profundas. Por isso, o amor também leva continuamente ao perdão e à reconciliação. Obviamente que cada caso é um caso. Mas vale a pena tentar.
O principal é seguir o conselho de Deus presente na sua Palavra. Leiam a Bíblia juntos, orem juntos, venham juntos à igreja, participem do nosso grupo de casais. Estas são maneiras de vocês mostrarem publicamente em que Deus vocês creem. Maridos amem suas esposas; esposas amem seus maridos. Não amar só no sentido de “gostar”, mas na pratica, se doando e colocando todo o potencial de vocês na manutenção do casamento. Sejam exemplo para os filhos de vocês. Educar os filhos na educação cristã, na palavra de Deus. O casamento também é marcado pelo pecado, pelo erro, como todas as coisas. Mas em Deus haverá sempre o amor, o perdão e a reconciliação. No início pode ser tudo um mar de rosas e só depois de um tempo pode se perceber que há também espinhos nestas rosas. E é assim mesmo. Casar-se com alguém significa aceitar seus pontos fortes e fracos. Que todos vocês estejam debaixo da graça, do amor e da misericórdia de Deus. Amém.