Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Jesus lava os pés de um discípulo em gesto de serviço.Pregações

Amor com humildade

Amados irmãos, amadas irmãs,

o que você faria se soubesse que a sua morte se aproxima? Pergunta forte, esta, não é? Possivelmente não esperaríamos uma pergunta assim no culto desta noite. Pense um momento sobre isso: o que você faria se soubesse que a sua morte se aproxima? Bem, as respostas podem ser as mais variadas. Talvez, passaria esse tempo com a família; talvez, resolveria conflitos através do perdão; talvez, buscaria a paz para que no fim de tudo você possa estar bem.

Jesus sabia que era chegada a hora de passar deste mundo para o Pai (cf. João 13.1). Não porque já estava em avançada idade – na verdade, ele era um jovem de apenas 33 anos; não porque havia descoberto uma doença terminal; não porque acabaria sofrendo um acidente; não! Ele será traído, julgado, condenado e pendurado em uma cruz! Tudo já estava preparado! E o “fazedor de confusão” – o diabo – já havia trabalhado no coração de Judas Iscariotes... O mesmo que dois domingos atrás vimos ser um corrupto e mentiroso! Tudo já estava bem “maquinado”!

Talvez, qualquer um de nós entraria em desespero diante destes fatos sobre a iminência da morte – uma morte que não é natural, mas causada por uma grande e injusta trama. Uma morte não vinda ao fim de um ciclo, mas no meio do momento mais glorioso do ciclo. Uma morte “maquinada” e planejada por outros. O que fazer? Como livrar-se? Como salvar-se? Qual é a saída?

Este não foi o caso de Jesus. Ele está em paz. Ele sabe a verdade. Ele é a verdade. Jesus sabe que não há o que temer – mas que tudo será necessário conforme os planos de seu Pai. Ele nasceu para viver esse momento. A sua manjedoura já estava coberta pela sombra da cruz! Ele chegará a suar sangue no Getsêmani e pedirá que seu Pai afaste dele esse cálice – mas beberá o cálice amargo se assim for necessário.

E então, diante da iminência da morte, o que Jesus fez? Lavou os pés dos seus discípulos. Não ostentou o seu poder para acabar com as tramas que lhe trariam profundas dores; não manifestou a vontade de se vingar de seus malfeitores; não quis que o caminho fosse outro, diferente... Não! Em sua última noite, Jesus não procurou revidar, mas servir; não procurou se vingar, mas perdoar; não procurou matar, mas aceitou morrer – por nós!

Em sua última noite, Jesus não lavou os pés dos discípulos para apenas “dar o exemplo” ou ”dar uma lição”. Jesus lavou os pés dos discípulos para mostrar que Deus não se manifestou apenas em amor, mas também em humildade. E que o amor é pouca coisa sem a humildade; que o amor é vazio sem a humildade; que o amor é perigoso sem a humildade: sem a humildade, o amor pode ser facilmente confundido com possessão; com humildade, o amor se transforma em serviço e na disposição de fazer sacrifícios e concessões. Eis a diferença – a grande diferença!

Amados irmãos, amadas irmãs,

o amor humilde nos leva ao amor a Deus e ao amor ao próximo na prática! Não para sermos vistos, reconhecidos e aplaudidos – mas para fazermos a diferença na vida de quem Deus coloca à nossa frente: para que lavemos os seus pés não para a própria glória, mas para a glória de Deus.

A humildade não faz parte da natureza humana. A natureza humana desde Gênesis 3 busca o egoísmo, a arrogância e o orgulho. A natureza humana busca se sobressair. Há lugares para isso – como nos esportes; mas isso se torna um problema quando aplicado a toda a vida. Buscar a humildade significa ir contra a própria natureza! Significa negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir a Jesus (cf. Lucas 9.23). Significa abnegação, desprendimento, despretensiosidade. Significa deixar de lados os “holofotes” e mostrar Jesus. Significa diminuir para que Jesus cresça.

Jesus lavou os pés dos seus discípulos em uma atitude de amor e humildade. O que significa lavar os pés hoje? Poderia ser:

• Tratar os outros com respeito;

• Ouvir mais do que falar;

• Servir mais que buscar status;

• Diaconia como missão autêntica;

• Fidelidade à Igreja de Jesus;

• Viver a fé – e não apenas consumir a fé nos cultos;

• Interpretar tudo da melhor maneira.

Sem a humildade, o amor é doentio; o amor preenchido com a humildade traz saúde (vitalidade) à Igreja de Jesus Cristo. Cessam as competições; cessam as discussões; cessam as aparências. Reina a paz – que vem de Deus!

Na sua última noite com os seus discípulos, Jesus não caiu na tentação de revidar tudo que lhe iria acontecer daquele momento adiante. Mesmo à sombra da cruz, ele lavou os pés dos seus discípulos. Nós não conhecemos o dia de amanhã. Na quarta-feira de cinzas fomos lembrados que “do pó viemos e que ao pó voltaremos”. Ao retornarmos ao pó, o que restará do orgulho, do egoísmo e da prepotência? Nada! Restarão apenas as lembranças nos corações dos que ficam. Jesus deixou essa lembrança de que o amor precisa andar de mãos dadas com a humildade; e marcou esse memorial para sempre através do lavar dos pés dos seus discípulos.

Marque a vida de quem está ao redor com sua humildade e seu amor. E, assim, que tenhamos paz até o fim das nossas vidas – a paz que excede todo entendimento. Amém.