PregaçõesAmor ou Juízo?
Amados irmãos, amadas irmãs,
há alguns Domingos nós conhecemos um pouco da trajetória do profeta Ezequiel. Nós vimos que ele nasceu na época do Rei Josias que foi um grande Rei que fez uma reforma espiritual na nação ao redescobrir as Escrituras, mas que Josias foi sucedido por reis que fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e, por isso, Deus permitiu que a desgraça acontecesse em Judá e que a nação fosse cercada para enfraquecer e em seguida toda a nação foi sequestrada e levada à Babilônia. Foi a pregação do dia 06 de Setembro. Se quiser relembrar, ela continua salva no Facebook e YouTube.
Deus havia prometido a Abraão que da sua descendência faria uma grande nação e que eles seriam habitantes de uma terra prometida. Deus cumpriu a sua promessa. O caminho não foi fácil: 400 anos de escravidão no Egito, libertação e travessia do Mar Vermelho e do deserto liderados por Moisés, depois veio a época de Josué onde de fato conquistaram suas terras. Em algum momento, queriam reis para governá-los, então surgiram Saul, Davi, Salomão e tantos outros. O grande problema é que ao invés do povo ser grato a Deus pelo agir na história, facilmente se esqueciam de Deus e adoravam os deuses dos povos vizinhos. E não há prática na Bíblia mais condenada do que a idolatria, quando o ser humano adora e se prostra diante de falsos deuses. Deus abomina tudo aquilo que negue o primeiro mandamento: Eu sou o Senhor, seu Deus! Não terás outros deuses diante de mim! Deus amava aquele povo, mas o povo permanecia se afastando do seu único Senhor.
Por isso, Deus permitiu que seu povo fosse levado à Babilônia. Deveriam passar pelo juízo, pela purificação. Mas pastor, Deus não é amor? Quem ama, corrige! Um pai que ama seus filhos não fica feliz quando eles se desviam do caminho correto, mas chamam a atenção, aplicam castigos, proíbem tempo de TV, internet, games, etc. Quem ama, corrige. Preste atenção: o amor de Deus não é do tipo que torna o ser humano alguém mimado. Ao contrário: Deus ama a partir da Verdade! E quando nos desviamos da Verdade, isso exige que haja correção! O amor de Deus não é do tipo que passa a mão na cabeça quando pisamos na bola. Não! O amor de Deus corrige!
Isso não significa que Deus tenha deixado de amar. Na verdade, Deus não conhece outra ação a não ser amar! Temos de nos perguntar se quando os filhos podem fazer tudo o que querem, se isso é de fato amor, pois o verdadeiro amor preserva do mau caminho. O verdadeiro amor não quer que a outra pessoa se dê mal na vida, mas que tudo vá bem. Assim é o amor de Deus! Ele não cria filhos mimados, mas amados, isto é, que são corrigidos ao se desviarem do caminho.
Na mesma realidade de Ezequiel está também o profeta Isaías. Aqui no cap. 5, Isaías já sabe da desgraça que virá sobre o povo de Judá. Os sintomas são evidentes: idolatria, maldade, enfim, o pecado. Aqueles que o próprio Deus separou para si vivem como se Deus não existisse. Acreditam muito mais nas suas relações exteriores com o Egito e a Assíria do que no poder de Deus. Colocam mais fé na sua autoridade do que no poder de Deus. E Deus, como é educado, deve tê-los então os deixando viver por conta própria: já que querem ser seus próprios deuses, então vamos ver até onde isso vai levar.
É disso que fala esta parábola da vinha que encontramos no cap. 5 de Isaías. Estamos acostumados às parábolas de Jesus, mas esse modo de contar histórias já está presente também no Antigo Testamento. São histórias do dia a dia e que são capazes de cativar o ouvinte e o provocar a aplicar a situação à sua realidade.
A parábola está contando que Deus preparou a vinha, ou seja, um grande parreiral de uvas. Deus preparou a vinha com todos os cuidados. Em seu amor, fez tudo pela vinha. Comparado a um agricultor, fez até mais do que precisava. No meio da vinha havia até uma torre onde estaria um vigia. Tudo foi feito perfeitamente. Mas, então nos diz o final do v. 2: “mas deu uvas bravas”. Uvas bravas são uvas que não podem ser comidas. Mas, como é que Deus cuidou tão bem de toda a vinha e elas acabaram dando uvas bravas? Foi dada a vinha toda a oportunidade para que produzisse as melhores uvas de toda a região. Porém, aconteceu que deu as piores uvas da região, tão ruins que nem podiam ser comidas. O agricultor investiu todo o seu tempo e dedicação àquela vinha, mas o resultado não o agradou! E então vem a pergunta no v. 4: “Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu não lhe tenha feito?” Deus fez até mais do que precisava! Mas a vinha produziu uvas bravas mesmo assim.
O v. 7 nos revela que o agricultor é o Senhor Deus e que esta vinha era a própria nação de Judá. Deus cuidou da nação. Deus os escolheu, os fez atravessar o mar, os fez atravessar o deserto, os fez vencer os povos vizinhos, os fez conquistar a terra prometida. Deus fez tudo por eles tal qual o agricultor fez pela vinha. Este povo que era a planta preferida de Deus levou todos os cuidados necessários para que desse bons frutos, boas uvas, para que cumprissem a missão dada por Deus a Abração em Gênesis 12.1-3 de não apenas serem eles os abençoados, mas de neles serem benditas todas as famílias da terra; Deus escolheu aquele povo para ser um povo missionário, já no Antigo Testamento. Tudo o que era necessário, Deus fez! E o que aconteceu? Ao invés do povo ser uma boa uva, tornaram-se uvas bravas. Afastaram-se completamente do Senhor e agora precisarão passar pelo juízo.
Infelizmente, há quem ache que o vilão do Antigo Testamento é Deus. Quem diz isso deve ter lido trechos isolados do Antigo Testamento (o que é um enorme perigo), pois ao ler todo o Antigo Testamento, vemos exatamente o que está descrito nesta parábola de Isaías: Deus faz todo o bem ao seu povo, mas o povo sempre vira novamente as costas para Deus! O povo sempre cai novamente na conversa fiada da serpente para querer ser igual a Deus.
O que acontecerá? Agora a vinha servirá de pasto, será pisoteada; nela crescerão espinhos e ervas daninhas; não cairá sobre ela também nem uma gota de chuva. Aquela vinha terá que passar pelo juízo! E o juízo é uma das faces do amor de Deus que corrige ao invés de deixar o povo seguir para a desgraça sozinhos. Eles serão levados para a Babilônia. Nela, estarão desamparados. Terão de passar pelo castigo antes de retornarem às terras de Judá.
Foi isso que aconteceu. O povo ficou 70 anos na Babilônia no meio de um povo estranho que mal os tolerava. Uma geração inteira morreu na Babilônia e uma geração inteira nasceu na Babilônia. É assim que Deus realizou naquele momento a purificação do seu povo. É assim que a vinha é restaurada. A vinha passa pela dor para que então haja novamente a alegria. Os mais velhos teriam que contar aos pequenos o que aconteceu para que esta nova geração, ao voltar a Jerusalém e reconstruí-la, soubessem do bom agricultor e dos caminhos de Deus.
É assim que Deus agiu na história do seu povo. Deus age permitindo o castigo para que pudessem reaprender o caminho da vida, o caminho do Senhor. Deus permite que sejam humilhados na Babilônia para que o rumo da sua história fosse corrigido antes que se perdessem por completo. Deus age na história do seu povo para que não se tornem filhos mimados achando que seus atos não possuem consequências; ao contrário, Deus corrige para gerar um futuro de responsabilidade diante dele mesmo e do próximo.
Amados irmãos, amadas irmãs,
e quanto a nós? O que esta parábola quer dizer a nós no ano de 2020? Talvez muitas coisas estejam passando na sua mente. Uma delas talvez que também nós tenhamos que ser pisoteados para aprendermos algumas coisas; ou talvez que a Pandemia é um castigo de Deus para que aprendamos a não nos desviarmos do caminho. Será?
Em João 15.1-17, Jesus diz que ele é a videira verdadeira e que o seu Pai é o agricultor. Se antes a vinha era o povo de Deus, agora a videira é o próprio Filho de Deus. Mesmo após os 70 anos de exílio babilônico, o povo de Judá voltou a Jerusalém, mas voltou também a praticar o que era mau aos olhos do Senhor. Continuavam vivendo uma vida de maldição ao invés de ser benção para os povos vizinhos e testemunhas vidas do amor de Deus pelo mundo. Após o exílio babilônico, fecharam-se ainda mais em si mesmos. Não era apenas eles. Todos os povos estavam completamente afastados de Deus. Por mais que Deus cuidasse da vinha, tirasse o mato, regasse e fizesse tudo o que era necessário, a vinha permanecia dando uvas bravas.
E então, o que Deus faz? Ele se torna a Videira Verdadeira. Deus se faz pessoa como nós. Em Jesus, Deus assume a nossa humanidade na sua totalidade – exceto no pecado. Antes o povo era a vinha; agora o próprio Deus é a Videira Verdadeira. E ao invés do povo ter de passar novamente pelo juízo, agora a Videira não são mais eles, mas Jesus, e Jesus passa pelo castigo. O castigo de Deus para a humanidade caiu sobre Jesus. Ele sofreu voluntariamente todo o peso do castigo de Deus pelos pecados da humanidade. Como Videira, ele foi esmagado na cruz; como Videira Verdadeira, teve espinhos na sua cabeça. Jesus sofreu o castigo preparado para nós. Agora ele é a Videira e não nós. E como ele é a Videira, foi ele mesmo quem sofreu o juízo divino.
Isso traz a nós completa liberdade. Quem ama ao Senhor Jesus e o confessa abertamente como único e suficiente Senhor e Salvador de suas vidas, evitando a idolatria, não precisa mais temer o juízo divino. Da mesma forma, a pandemia ou qualquer outra coisa não é castigo de Deus, pois o castigo de Deus já caiu em Jesus. Deus se fez juiz sobre Jesus e pôs nele toda a nossa condenação. Jesus se faz a nós um advogado que vai nos defender no dia do Juízo Final. Jesus é a Videira pisada, esmagada, abandonada na cruz para que nós pudéssemos ter o pleno perdão dos nossos pecados. Deus executa seu juízo em Jesus. Jesus inocente se torna o culpado para que nós, os culpados, sejamos tornados em inocentes. Repito: Jesus inocente se torna o culpado para que nós, os culpados, sejamos tornados em inocentes. Isso é o Evangelho!
O povo de Judá passou pelo exílio babilônico, mas Deus passou pelo juízo da cruz. Deus sofreu aquilo que nunca poderíamos fazer por nós mesmos: a redenção dos nossos pecados. Jesus é a Videira que foi pendurada na cruz e sangrada para que tenhamos plena salvação e salvação eterna.
O mais bonito de tudo é que quando celebramos a Ceia do Senhor, nós comemos o pão e bebemos o quê? O sangue de Jesus que é o vinho, o fruto da Videira. Se Judá havia se tornado em uva brava, em Jesus temos o derramamento do fruto da Videira que é o seu próprio sangue e nos rememora – em memória de mim – sua obra de Salvação na cruz. E esse fruto não é uva brava, mas uva boa cujo suco tomamos com alegria na refeição que o próprio Deus serve a nós pecadores. Se Judá se tornou uma uva da perdição, Jesus nos concede a uva da salvação.
Essa é a graça! E tomara que estejamos todos sob Jesus para não temermos o castigo de Deus que já caiu sobre o seu próprio Filho. Em liberdade, vivemos o amor de Deus lendo a Bíblia, orando, vivenciando a comunhão (mesmo que virtual por enquanto). Também vivemos essa liberdade servindo às outras pessoas.
O que Jesus, a Videira Verdadeira pede de nós? João 15.5: “Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada.” Nós somos conhecidos pelos nossos frutos. Que frutos estamos dando a este mundo? Que testemunho estamos dando às outras pessoas? Uvas bravas ou uvas boas?
Tudo o que podia ser feito pela vinha, Deus já fez. Ele até mesmo se tornou a Videira Verdadeira que passou pelo juízo da cruz. Em liberdade cristã, Deus nos convida a vivermos o Evangelho, dando bons frutos, testemunhando da sua Salvação com temor e tremo, sem ter nenhum tipo de vergonha.
O mundo está completamente perdido, mas também ansioso por descobrir que há o Salvador que ofertou a própria vida em nosso lugar. Vamos todos ser missionários e testemunhas do maravilhoso amor de Deus. Vamos permanecer em Jesus para permanecermos à Videira Verdadeira. Quem permanece em Jesus, permanece junto ao Pai de Jesus e tem a Salvação eterna.
Amém.