Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Abraço de acolhimento entre familiar e filho adulto.Pregações

Amor

Amados irmãos, amadas irmãs,

o amor de Deus é algo fantástico. Deus ama aqueles que não merecem ser amados. Deus ama aqueles que nós não amamos. Deus ama de uma maneira tão incrível que é quase difícil de acreditar que de fato possa haver um amor dessa natureza. O amor de Deus demonstrado em Jesus é um amor que a humanidade nunca havia experimentado antes. Mas, o que é o amor de Deus?

O amor de Deus não é um mero sentimento como o amor humano (muitas vezes mal interpretado pelas músicas sertanejas); o amor de Deus não é apenas um tipo de ideia distante e inalcançável; o amor de Deus não é uma propaganda de algo que podemos comprar; o que é o amor de Deus?

Acredito que um dos grandes temas de toda a Bíblia seja Deus e o seu amor pela humanidade. Um amor muitas vezes interpretado por nós humanos como louco, pois Deus faz de tudo para estar próximo do ser humano e evitar a sua perdição, enquanto o ser humano insiste em querer destronar Deus e se proclamar seu próprio deus e fazer de si o todo-poderoso; a se não fosse o paciente e misericordioso amor de Deus.

O amor de Deus é pessoal: Deuteronômio 4.37: “Ele amou os pais de vocês e escolheu os seus descendentes depois deles; por isso o Senhor os tirou do Egito com a sua presença e com a sua grande força”; O amor de Deus é proteção: Salmo 36.7: “Como é precioso o teu amor, ó Deus! Os homens encontram refúgio à sombra das tuas asas.” Como um pássaro cuida de seus filhotes, por amor Deus cuida e protege os seus filhos; o amor de Deus é misericórdia: Salmo 44.26: “Levanta-te em nosso auxílio, e resgata-nos por amor das tuas misericórdias”; O amor de Deus e eterno: Jeremias 31.3 para Israel: “De longe o Senhor lhe apareceu dizendo: “Com amor eterno eu a amei; por isso, com bondade a atraí””; Este é o impressionante, infinito e ousado amor de Deus!

No Antigo Testamento, o livro que mais expressa o que é o amor de Deus é o livro de Oséias. Neste livro, o profeta (inspirado por Deus) usa a linguagem de um esposo que foi traído pela esposa para falar como Deus foi traído pelo seu povo Israel. Ao invés de ser fiel ao seu único Deus, o povo se “prostituiu” adorando outros deuses. Israel é a esposa infiel. Mesmo assim, Deus não desiste de amar seu povo: o amor de Deus é convite: Oséias 11.2, 4: “Quanto mais eu os chamava, tanto mais se afastavam de mim; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o peso de sobre o pescoço e me incline para dar-lhes de comer”; o amor de Deus é perdão: Oséias 14.4: “Vou amá-los de boa vontade, porque a minha ira se afastou deles”.

O ser humano insiste em quebrar a Aliança de Deus, mas é Deus quem permanece fiel à Aliança com seu povo; o povo insiste em seguir seus caminhos, virando as costas para Deus, mas Deus não desiste de ir atrás do ser humano, fazendo-o converte-se de volta ao caminho reto; o ser humano quer o amor apenas para si, já o amor de Deus é doado por graça; o ser humano ama com condições; Deus ama incondicionalmente; o amor humano rompe quando a condição não é cumprida; o amor de Deus corrige aguardando a volta do pecador.

Deus não é um ser impessoal que criou o mundo, deu corda e abandonou ao seu próprio destino; Deus não é um ser impessoal que criou o ser humano, soprou nele o fôlego da vida e em seguida os deixou órfãos; Deus não é um ser impessoal que deixa o ser humano se destruir como se a convivência não precisasse de leis; Deus é amor! Por isso, Deus cria o mundo preenchendo o vazio que havia e afirmando, em cada passo, “que era muito bom” (Gn 1.4, 10, 12, 18, 21, 25, 31); Deus cria o ser humano e o preenche com a ruah (respiração) para que ganhe ânimo (Gn 2.7), se movimente e cuide da criação (Gn 2.15); Deus criou leis para que o ser humano não destrua aos outros e a si mesmo (Gn 2.16-17; Ex 20.1-17; Dt 5.1-21).

Já o ser humano torna-se rebelde e começa a destruir a criação de Deus; o ser humano se proclama seu deus e se esquece daquele que lhe deu o fôlego da vida, tão necessário que ao faltar, em poucos minutos leva à morte; o ser humano se rebelou contra as leis, desobedecendo a Deus e também ferindo o seu próximo (Gn 4).

O ser humano se tornou uma criatura rebelde, egoísta, orgulhosa, cheia de si e de seus próprios métodos de salvação; o ser humano caiu na conversa da serpente e muitas vezes é tão astuto e perspicaz com as palavras quanto ela; o ser humano se tornou infiel a Deus, ao próximo, à criação; o ser humano torna-se um ser “vazio e sem forma” que tenta se satisfazer de muitas formas, mas nada sendo suficiente.

Quão grande é a diferença entre o amor de Deus e o amor humano.

Mas não acabou por aí. Não bastava a criação de tudo e a assinatura de Deus na própria criação, não bastava o ar que Deus colocou nos pulmões dos seres humanos, não bastavam as leis que tinham como um de seus propósitos a preservação da vida e a organização da sociedade; não bastaram os pais Abraão, Isaque e Jacó que foram chamados por Deus para constituir uma grande nação; não bastou Moisés que liderou o povo reclamão até à terra prometida; não bastaram os Juízes que lembravam ao povo de seu Deus; não bastavam os Reis que deveriam administrar a nação orientados pelo Senhor; não bastavam os profetas que denunciavam o ódio e a indiferença do povo para com seu Deus e seu semelhante; nada disso bastava para que o ser humano acordasse de seu sono profundo de querer viver por conta própria e longe de Deus.

Então Deus abandonou o seu povo? Então Deus desistiu do seu amor? Então Deus rompeu revela de uma vez por todas e com um grande sinal todo o seu amor pelo ser humano.

Deus desceu até nós. O Pai envia, no poder do Espírito Santo, o seu Filho Jesus Cristo ao mundo. Jesus é a própria encarnação do amor de Deus. Jesus é o “Verbo” que “se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai.” (João 1.14).

Jesus é o amor de Deus nascido de Maria e tornado uma pessoa. Deus não é um ser distante e impessoal; em Jesus ele é próximo e pessoal; Deus não é um ser estranho e desconhecido; em Jesus ele é familiar e conhecido; o Deus que humanamente é inalcançável agora estava ao alcance de seres humanos reais. Jesus não é outra coisa senão a própria e específica revelação do amor de Deus, um amor que não é uma ideia, mas um relacionamento.

A maior confissão de fé do amor que Deus nos concede em Jesus é descrita por Paulo. Assim é o amor de Deus revelado em Jesus: “O amor é paciente e bondoso. O amor não arde em ciúmes, não se envaidece, não é orgulhoso, não se conduz de forma inconveniente, não busca os seus interesses, não se irrita, não se ressente do mal. O amor não se alega com a injustiça, mas se alegra com a verdade. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.” (1 Co 13.4-8a). O amor de Deus revelado em Jesus aceita, transforma e salva quem não merece; o amor de Deus, revelado em Cristo Jesus ressurreto, é distribuído para ser comido na mesa do altar.

Amados irmãos, amadas irmãs,

será que algo é capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor? Quando Paulo escreveu essas palavras aos Romanos, ele estava em Corinto. A Igreja do Senhor sofria muita perseguição. Cristãos eram mortos por causa da sua fé no amor de Deus. Paulo, porém, tinha toda a convicção no coração de que mesmo a morte seria incapaz de separar os fiéis do amor de Deus. A esperança na ressurreição vence até mesmo o medo da morte.

Por isso, Paulo pode confessar: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo os seu propósito.” (Rm 8.28). Ao crermos na vitória sobre a morte, temos a certeza de que nem ela com sua vara afiada pode nos separar do amor de Deus!

O amor de Deus a nós foi revelado quando Deus entregou o seu único Filho para derramar o seu sangue na cruz e sofrer o castigo que estava preparado para nós. O inocente morreu pelo culpado para que o culpado seja transformado em inocente. Este é o impressionante, infinito e ousado amor de Deus. O amor de Deus lutou por nós! No crucificado, somos confrontados com a loucura da salvação. Na rude cruz está revelado o completo e perfeito amor de Deus por nós.

O versículo que expressa magistralmente tudo isso e resume todo o amor de Deus é João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não morra, mas tenha a vida eterna.” Esse versículo resume a Bíblia porque resume o instigante amor de Deus pelo ser humano, por mais pecador que seja essa “raça indefesa de Adão”.

Nada pode nos separar desse amor porque ele não depende de nossas atitudes. O amor de Deus depende unicamente de Deus. Ele nunca quebrou a sua Aliança. Deus é fiel àquilo que prometeu.

O mundo geme as dores de um parto. Estamos passando por um período bastante difícil em nossa vida. Estamos separados uns dos outros. Não podemos sequer frequentar nosso lugar de culto. Muitos de nós estamos separados da nossa rotina. Muitos estão se separando de entes queridos que morreram. Essa época é de muitas separações, mas tenha certeza: Nada pode nos separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, nosso Senhor!

Amém! Amém! Amém!