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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Discípulos olhando para um céu iluminado, com uma cruz sobre a colina.Pregações

Ascensão do Senhor

Queridos irmãos, queridas irmãs. Deus, em Jesus Cristo, viveu entre nós como ser humano, morreu na rude cruz ressuscitou e após quarenta dias de convívio com mais de 500 pessoas, voltou para a casa de seu Pai onde nos foi preparar lugar. Cristo subiu aos céus onde se sentou à direita de seu Pai, o mesmo que o havia enviado.

O que significa o fato de Cristo ter subido aos céus? Será que Deus, portanto, abandonou a este mundo? E nós, para onde olhamos? Para cima? Para os lados? Para baixo? Quem é Cristo para nós, hoje? Como ele poderia prometer que onde dois ou três estariam reunidos em seu nome, ele poderia estar entre eles se subiu aos céus? Hoje queremos deixar que a Palavra de Deus nos ensine a este respeito.

1 CRISTO REINA SOBRE TUDO E TODOS

Cristo subiu aos céus. Isto significa que o seu poder está sobre tudo e todas as coisas, inclusive sobre principados, potestades, as coisas do mal, como diz o texto de Efésios que nós ouvimos a pouco. Não há nada sobre Cristo. Só há coisas abaixo de Cristo. Sua subida ao céu significa que ele está muito acima de todo e qualquer poder deste mundo, seja o presidente dos EUA, seja o Papa, seja quem for. O mesmo Deus que se fez fraco e morreu na cruz pelo perdão dos nossos pecados agora está exaltado ao lado do trono de seu Pai. Diz a Palavra de Deus em Filipenses 2.8-11: a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.

Cristo foi exaltado aos céus por ter morrido em uma cruz. Não há poder acima dele. Tudo está debaixo de seu poder. Na época em que esse texto bíblico foi escrito, não era uma tarefa simples dizer que Cristo é o Senhor. Havia o Imperador César que não admitia de maneira alguma que outra pessoa fosse exaltada e chamada de senhor, além dele mesmo. César não admitia que um homem que morreu na cruz fosse mais adorado e exaltado que ele. Por isso, os cristãos eram mortos de maneiras muito cruéis. Uma das diversões de César era pendurar os cristãos em uma viga de madeira e derramar ceira quente sobre eles para que se tornassem em velas adultas. Isso quando não eram dados aos leões que os devoravam diante de uma multidão de milhares de pessoas. Tudo isso para que o povo não confessasse outro senhor além de César, um tirano da sua época, como há muitos tiranos que, ainda hoje, não conseguem se humilhar perante o senhorio de Cristo.

Também deixamos de ter Jesus Cristo como Senhor quando queremos viver das nossas próprias possibilidades, quando queremos nos salvar pelas boas obras que fazemos e não pela obra que Cristo fez e realizou por nós. Quando Cristo não é o Senhor da nossa vida, outra coisa a será. Seja a família, o esporte ou qualquer outra coisa. Por isso, diz Lutero no seu hino que, inclusive, deu origem ao tema do ano de nossa Igreja: As obras nunca poderão livrar-me do pecado. O livre arbítrio tenta em vão guiar o condenado. Ou como ele mesmo diz no hino Deus é Castelo Forte: A minha força nada faz, sozinho estou perdido. Um homem a vitória traz, por Deus foi escolhido. Quem trouxe esta luz? Foi Cristo Jesus, o eterno Senhor, outro não tem vigor; triunfará na luta. De nada vale Cristo ter subido aos céus para reinar sobre o mundo inteiro se nós ainda não entregamos a ele o controle das nossas vidas. Além de Senhor dos céus e da terra, ele precisa ser o NOSSO Senhor. E nós, seus servos fiéis.

Cristo subiu aos céus de onde governa sobre todo o mundo. Diante dele, diz o texto lido de Filipenses, todo joelho se dobrará. Que triste quando nossos joelhos já não conseguem mais se dobrar diante do Senhor Jesus por causa do nosso orgulho, quando queremos ser mais “deus” que o próprio Deus. Que Senhor é esse que não merece honras nossas em seu louvor? Bem como nossa humilhação? Ele nos salvou pela obra de cruz. Não devemos nada a ele, pois ele fez isto de graça. Por isso podemos nos prostrar diante de Jesus em louvor e gratidão. Diz uma frase: um cristão de joelhos no chão enxerga mais longe que um grande sábio em cima de uma montanha. É uma grande verdade.

2 SENTADO À DESTRA DE DEUS

Cristo está sentado à direita de Deus Pai. Na Bíblia, isso significa algo muito importante. No Antigo Testamento, enquanto o rei se encontrava assentado em seu trono, a pessoa que participava do reinado e desempenhava o poder do rei era convidado a sentar-se à sua direita. A mão direita simbolizava autoridade e poder. Logo, o fato de Cristo sentar-se à direita de Deus Pai aponta para o fato da sua participação no poder do seu Pai.

A mão de Deus é muito poderosa. É a mesma mão que libertou o povo de Israel da escravidão no Egito (Ex 15.6). A mão de Deus representa a sua presença para proteger, abençoar e salvar. Na mão de Deus há salvação e vida. É com a mão que Deus ordena que Arão abençoe o povo em Nm 6.22-27, a mesma bênção que recebemos sempre no final do culto. A mesma mão de Deus em Jesus foi pregada na cruz é a mão que, apesar de permanecer com as marcas do sofrimento, nos abençoa e nos conduz até o dia de hoje. A mão de Deus nos guia pelo deserto da nossa vida para que encontremos rios de água e descanso. É com as mãos que Jesus abençoa as crianças em Mc 10.16. A mão de Deus nos fortalece e nos dirige quando temos medo, diz Is 41.13: Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo. A mão de Deus nos salva. Diz a Palavra de Deus em Is 59.1: Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, surdo, para não poder ouvir. A mão de Deus cura. Diz Mt 8.1-3: E eis que veio um leproso e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. A mão de Deus nos acolhe e cuida de nós. O fato de Jesus estar assentado ao lado do Pai significa muito mais do que sua presença à sua direita; significa, acima disso, seu cuidado para com cada um de nós ainda hoje. Deus, do céu, em Jesus Cristo, continua guiando, salvando, protegendo, abençoando e fortalecendo a nossa vida. Cristo sentado à direita de Deus significa que ele continua participando da Trindade, i. é, do poder do Trino Deus.

Da mesma maneira, Cristo está nos céus, mas nos envio a darmos uma mão, a darmos uma força àqueles que estão ao nosso redor e que precisam do nosso auxílio, sem preconceito, sem querer receber algo em troca. Assim como Deus nos deu a sua mão direita de graça, nós, graciosamente, acolhemos e damos uma mão àqueles que estão ao nosso redor. Como diz um velho ditado, fazer o bem sem olhar a quem. Cristo não perguntou antes de morrer se merecíamos ou não, ele simplesmente foi porque sabia que nós, pela nossa própria força, nunca iríamos chegar ao seu Pai. Cristo subiu aos céus e nos envia como seus cooperadores para anunciar sua Palavra de Glória e Salvação. Ele não nos deixa sozinhos nesta tarefa, por isso enviou o Espírito Santo para nos capacitar nesta tarefa. É o que ele prometeu em Jo 14.16 e 26: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Dez dias após Jesus subir ao céu, o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes, como nos diz At 2. Este mesmo Espírito, a Terceira Pessoa da Trindade, nos guia e acompanha até hoje. Só por meio dele que podemos compreender o que diz a Palavra de Deus e que podemos anunciar a Salvação de Deus ao mundo.

3 PRESENÇA DE CRISTO NA CEIA

Hoje não temos a Ceia do Senhor, mas o tema da Ascenção não nos permite não falarmos dela. Como luteranos, confessamos também que Cristo está sempre presente na Santa Ceia no pão que é o seu Corpo e no vinho que é o seu Sangue. O pão não deixa de ser pão; o vinho não deixa de ser vinho; mas são, ao mesmo tempo, o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo. Na Santa Ceia, temos uma comunhão real e verdadeira com Cristo, inclusive sendo ele visto nos elementos do corpo e o sangue, o pão e o vinho. Assim diz o livro Nossa Fé, Nossa Vida de nossa igreja: Pelo sacramento da ceia do Senhor une-nos no mistério do corpo de Cristo, fortalecendo-nos para a missão de servir a Deus e ao próximo (...). A Ceia do Senhor é a celebração da comunhão mais íntima possível com Cristo, com as irmãs e os irmãos na comunidade. Cristo - que por nós morreu, ressuscitou e voltará no final dos tempos para erguer em definitivo seu reino - realmente se torna presente (...). Ele nos serve como hospedeiro e alimento. Dá-nos seu corpo e sangue, em forma de pão e vinho. Convida-nos a participar alegremente de sua ceia. Proclama a vitória sobre nosso pecado, fracasso, egoísmo e desunião. Permite-nos antecipar a alegria do banquete eterno. Ele nos envolve, pelo perdão e pela partilha, numa nova relação com Deus, conosco mesmos, com irmãs e irmãos. Liberta-nos para repartir o pão nosso de cada dia. No Sacramento da Ceia, o próprio Senhor serve a nós com a sua Palavra. É onde lembramos e confessamos que Deus está entre nós e que ele se acampa entre o seu povo. Por isso, diante de sua Justiça e Santidade, confessamos nossos pecados. Caso contrário, não poderíamos existir diante dele. E ele graciosamente nos perdoa e nos traz para perto de si. Cristo subiu aos céus, mas nós, como luteranos, confessamos sua Presença Real na Ceia do Senhor. Por isso ela é tão importante para nós. E vale lembrar que só existe Ceia do Senhor onde há pregação da sua Palavra.

CONCLUSÃO

Cristo subiu aos céus, mas não nos abandonou neste mundo. Em primeiro lugar, ele reina sobre tudo e todos e a pergunta que aqui devemos fazer é se ele reina também sobre as nossas vidas ou se nós queremos ser nossos próprios “deuses”, vivendo das nossas próprias possibilidades e não da graça de Deus. Em segundo lugar, Cristo sentado à destra de Deus Pai de onde sua mão misericordiosa nos acolhe e salva ainda hoje. Aqui a pergunta é se nossas mãos tem estado à serviço do Reino de Deus. Em terceiro lugar, a Ceia do Senhor é a presença real de Cristo onde ele nos acolhe e se torna visível pelos elementos do Pão e do Vinho, seu Corpo e seu Sangue. A pergunta que aqui devemos nos fazer é se cremos que o Pão e o Vinho são, realmente, o Corpo e o Sangue de Cristo.

Cristo subiu aos céus, mas enviou o Espírito Santo para nos acompanhar aqui em baixo. Somos missionários de Deus, temos o dever de levar a sua Palavra adiante, não só falando, mas muito mais em atitudes cristãs. Como um professor amigo meu escreveu há poucos dias em uma revista: o cristão testemunha de Jesus na sapateira, na selaria e nas praças. Ou seja, missão acontece onde Jesus Cristo é testemunhado, seja na fábrica, na empresa, na escola, na faculdade, no em prego e em qualquer lugar onde se vive e se fala do Evangelho. Também somos diáconos de Deus, devemos servir a Deus dando uma mão a quem precisa, seja no que for e sem preconceito.

Jesus subiu aos céus. Lições práticas para nós: 1) Olhemos para cima: demos glória ao Senhor do mundo e das nossas vidas; 2) Olhemos para os lados: para percebermos o que nosso próximo necessita. 3) Olhemos para a cruz: e assim sempre lembramos que Cristo ofereceu o seu Corpo e derramou o seu Sangue pela nossa Salvação.

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o nosso coração e as nossas mentes em Cristo Jesus, amém.