Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Comunidade gaúcha partilha chimarrão em um pátio rural.Pregações

Atos 2.10 — Culto Crioulo

Mas bah!

Os discípulos do mestre estavam arrepiados de medo. Tinha lhes caído os butiás do bolso. Após a barbaridade da cruz e a festança da ressurreição e Ascenção de Jesus, o coração dos discípulos estava mais vazio que tapera.

Ninguém sabia direito o que fazer. Estavam mais perdidos que cusco em tiroteio. Essa era a hora de permanecer atado ou de soltar as rédeas e seguir a vida em frente. Eles se sabiam como missioneiros da mensagem do Mestre, mas ainda não tinham certeza de como seria essa troteada pelos pagos do mundo inteiro.

Mas bah. E não é que o inesperado aconteceu?

De repente, num vento como Minuano, mais forte que o trote do cavalo Tordilho Negro, o Espírito Santo do Patrão Celestial acampou entre eles. Naquele pago estava a gentarada de todos os cantos da terra. E aconteceu que cada um foi capaz de ouvir o causo do Divino Tropeiro Jesus Cristo na sua própria língua. Mesmo que os viventes fossem de vários rincões, cada um entendeu a mensagem na sua língua. Eles ficaram de orelha em pé. Ninguém podia se fazer de salame, fingir que não estava entendendo. O Evangelho estava sendo compreensível em todas as línguas.

Novamente, caíram os butiás do bolso, mas agora não de medo ou solidão, mas de alegria. Os viventes que ali estavam não precisavam mais ficar ansiados em relação ao futuro. Agora eles estavam mais faceiros do que o guri de bombacha nova. Os viventes haviam recebido a mensagem que ia numa empreitada de autoridade e coragem até os pagos e as querências mais distantes.

Aquele dia bem bagual ficou conhecido como Pentecostes, pois o tal fato aconteceu 50 dias após a Páscoa. Desde aquele dia, prendas e peões campeiam aos quatro ventos do mundo declamando a mensagem da Salvação. Também proclamam essa mensagem pelos cantos do nosso Rio Grande do Sul. Esta mensagem é buenacha por demais. Sempre que é ouvida, traz alegria ao coração de qualquer alma aflita.

E sabe de uma coisa? Esse Chasque sagrado tem muito mais a nos dizer. Quando o ser humano quis edificar a Torre de Babel, o Patrão Celeste poderia ter soltado os cachorros atrás das pessoas para aprenderem a não se passarem e se acharem “os tais”; o Patrão Celeste também não largou o ser humano às cobras; eles estavam lá, lagarteando, construindo uma torre para serem maiores do que Deus. O que o Patrão Celeste fez? Confundiu as línguas. Os viventes não se entendiam mais. Era uns boca aberta. E com isso seu projeto de serem maiores que Deus ficou falhado. Em Babel, o Patrão Celeste teve que apartar o ser humano por causa do seu egoísmo. Em Babel, a diversidade das línguas é criada para que os viventes não se abancassem das lidas de Deus.

Mas Bah! Agora em Atos 2 acontece exatamente o contrário, tchê. A diversidade das línguas e das culturas é usada pelo Vento Divino para que a mensagem do Evangelho possa alcançar os viventes que ali se encontravam. O milagre de Atos 2 não é apenas a descida do Espírito Santo ou o falar em línguas, mas o fato revelado que de o Patrão Celestial não é contra as diferentes culturas, mas as usa. O Evangelho não é uma cultura que desbarranca os outros costumes. Isso seria uma barbaridade. Por isso, o Evangelho é a mensagem capaz de se aprochegar de cada língua e cultura.

Por sermos cristãos e filhos do Pai Celestial, não significa que precisamos largar aquilo que mais amamos no Rio Grande do Sul, sejam as tradições, a linguagem, as comidas e bebidas, os costumes. Do contrário, o Pai Celeste pode usar a nossa cultura para levar a mensagem do amor a mais viventes bandeados pelos rincões afora.

Pentecostes significa unidade e não uniformidade. Através da lembrança dos nossos costumes, festeamos o amor de Deus do nosso jeito sem deixarmos de ser irmãos e irmãs de outros viventes de outras culturas que vivem a fé em Cristo com outros costumes. A Igreja de Jesus Cristo não é uniforme, mas é Unidade! Bah! E que bom é poder celebrar a unidade de pertencermos a um só corpo na diversidade de dons, línguas, culturas e costumes. É um entrevero de tradições que unidos pela fé labutam ao mesmo Patrão Celestial.

Não precisamos chorar as pitangas por sermos gaúchos cristãos. Podemos encher nosso coração de alegria porque o Patrão Celestial nos ama como somos em nossa cultura e tradição. E essa vivência do Evangelho nas tradições não acontece em cabresto, mas em completa liberdade.

Nas peleias da vida, lembramos que o Patrão Celeste, também o Divino Tropeiro e o Vento Divino estão conosco. Eles nunca abandonam o gaúcho nas suas peleias e aflições.

Não fica xucro tchê! Este Evangelho é também para ti. Que este Chasque Sagrado não seja apenas uma sanga, nem um arroio, mas um verdadeiro rio bem grande de norte a sul do nosso coração.

É na unidade que temos a diversidade. Vamos amar ao Senhor Jesus Cristo! Vamos amar a Igreja de Deus! Vamos amar a todos os viventes! Vamos amar a Criação do Altíssimo. Vamos amar a nossa tradição.

Que o Patrão Celestial com sua bênção divinal nos acompanhe nas peleias e invernadas da existência.

Amém.