Teologia SistemáticaComentário ao Comentário de Karl Barth sobre Romanos 14.1-12
Os primeiros versículos de Romanos 14.1-12 parecem ser um retrato das nossas Comunidades cristãs onde muitas vezes surgem conflitos sobre assuntos que consideramos banais, como o que se pode ou não se pode comer. Ao mesmo tempo, inicialmente temos a impressão de que o apóstolo Paulo tomou partido na discussão por aqueles que considerava os fortes. Contudo, aparentemente seu pensamento parece se alterar durante a redação da própria carta.
Karl Barth, em seu comentário à Carta aos Romanos, faz uma análise existencial da perícope mencionada, levantando questões do seu tempo, mas que fogem dos limites do seu tempo, tendo reflexos inclusive na contemporaneidade. Esse texto é um “pequeno” resumo do texto de Karl Barth, com um “comentário do comentário”, haja visto que a linguagem acadêmica do teólogo suíço não é apenas densa, mas não linear.
COMENTÁRIO DO COMENTÁRIO DE KARL BARTH A ROMANOS 14.1-12
Em seu Comentários aos Romanos, o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) faz uma crítica à teologia do seu tempo: a teologia liberal que havia tomado as Faculdades de Teologia alemãs desde os tempos de Adolf von Harnack (1851-1930). Por isso, seu comentário à Carta aos Romanos está cheia de provocações. Da perícope de Romanos 14.1-12, o teólogo suíço tece provocações tanto aos “fortes na fé” quanto aos chamados “fracos na fé’.
Para Barth, a questão é muito mais profunda que discutir quais comidas são permitidas ou proibidas e, assim, decidir quem é fraco ou forte na fé. O véu precisa ser desvendado: há muito mais camadas nesse discurso que encaminha a Carta aos Romanos ao fim. Para ele, como nos livros de Dostoiévski, o final da carta tira o leitor da zona de conforto. Os capítulos 1-13 estabeleceram claramente os conteúdos sobre a doutrina da justificação pela fé. Agora, o apóstolo Paulo joga “tudo para o alto”, obrigando o leitor a voltar ao início e “começar tudo de novo”.
A questão não se resume à alimentação, carnes e saladas, mas aos ideais que estão por detrás dos costumes humanos. Uma seria a fé forte, inteligente, desperta, madura que pode comer tudo: ou seja, “uma fé que permite tudo! Já não há mais limites. Há apenas liberdade! Nada mais! Essa foi a mensagem de Jesus!1 Os que não compreendem isso são tolos, fracos, arcaicos, escravos.” Para Barth, essa é a pura essência da Teologia Liberal iluminista a qual ele descreve com as seguintes palavras:
a fé segundo a qual saborear carne ou vinho não é pecado, a crença de que por meio da ascese não se fica feliz e de que por meio de reforma de vida não se pode construir o reino de Deus, a crença de que para o cristão não há nenhum caminho, nenhum método, nenhum esquema nem mandamentos ou proibições absolutas, a crença de que diretrizes diretas de comportamentos para a conduta prática dos cristãos não podem ser extraídas nem mesmo da conduta do Jesus sinótico ou das palavras do sermão da montanha.2
Então, Karl Barth faz algumas perguntas provocativas à Teologia Liberal:
Esse é, verdadeiramente, um grandioso ponto de vista, já adotado há tempo por todos os cidadãos liberais e pastores que o imitam! Valerá realmente a pena crer que “se pode comer de tudo”? Ser forte é uma aquisição tão barata? O que ocorre quando nos apropriamos de tal força? O que acontece quando nos sentimos livres, maravilhosamente livres de todas as autoridades, tradições, regimentos de igrejas etc.? Porventura com isso se modificaria a situação do ser humano entre o céu e a terra, por menos que fosse?3
Em outras palavras, o que Barth está perguntando é: é só isso que significa ser forte na fé? É só isso que significa liberdade cristã? E com essa crítica, Barth faz uma crítica ao principal ponto da Teologia Iluminista: O postulado da Teologia Liberal é o ser humano livre! Contudo, na visão do teólogo suíço, pouco se refletiu sobre o verdadeiro significado dessa liberdade.
Contudo, Karl Barth – como teólogo de renome (categoria que lhe é muito merecida) – não faz uma análise unilateral. O fraco na fé só come legumes. O que está por trás disso? “Um campo fértil para biografias”4, pois deste lado da história estão os idealistas, os ideólogos, as pessoas de valores, princípios e moral e que não aceitam tudo simplesmente. Por isso, levantam-se para defenderem seus ideais. E, por causa dos seus valores, ideias e princípios, geralmente consideram-se melhores que todo o restante da humanidade – que deveria seguir sua ideologia. Assim, estes idealistas que separam o puro do impuro se tornam, em tom de ironia, “as mais respeitáveis figuras da humanidade”.5 Enfim, “aqueles que só comem legumes”. Ou seja, os ascéticos são, em tom de ironia, “melhores que todos os demais seres humanos”.
No episódio “Você é o que come?” do Programa Linhas Cruzadas da TV Cultura, o filósofo brasileiro contemporâneo Luiz Felipe Pondé fez uma provocação similar à feita por Karl Barth no Século XX. No corte inicial, a apresentadora Thaís Oyama pergunta: “Quem não come carne é moralmente superior?”, ao que o filósofo responde: “Evidentemente que não”6. Quase no fim do programa, Pondé reflete: “É que o verbo “você é o que você come” – a expressão – geralmente está associada à ideia de que você é moralmente superior quando você come uma comida que não tem violência implícita”7. Em outro episódio do mesmo programa de TV, Pondé faz essa mesma crítica a quem se sente superior por não comer carne. Ele diz:
O que eu acho problemático é essas pessoas que, então, não gostam de comer carne ou se sentem muito sensibilizadas e não comem, querer obrigar os outros a não comer, ou se sentir superior por isso, o que é uma idiotice. Ninguém é superior pela comida que come.8
Ou seja, Barth e Pondé concordam no ponto de que os idealistas ascéticos (no sentido da disciplina) acabam se considerando superiores aos demais que não possuem disciplina alguma. Barth escreveu:
Todos os reformistas são fariseus, falta-lhes senso de humor e não conseguem parar de condenar os outros. Se tirardes de um abstinente, de um socialista religioso, de uma pessoa ligada à igreja, de um pacifista o entusiasmo pela indignação moral, tereis partido sua espinha dorsal. 9
A indignação moralista diante dos indisciplinados é a espinha dorsal que dá estrutura para todo pensamento e ideologia idealista que, quando levada ao extremo, separa puros de impuros, classifica os superiores e inferiores não apenas ideologicamente, mas na realidade concreta; uma visão perigosa que no curso do Séc. XX tomou uma proporção descontrolada no seio da Alemanha nazista, como explica o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925 – 2017):
O mundo dos que procuram a pureza é simplesmente pequeno demais para acomodá-las. Ele não será suficiente para mudá-las para outro lugar: será preciso livrar-se delas uma vez por todas – queimá-las, envenená-las, despedaçá-las, passá-las ao fio da espada10.
E continua: “O nazismo e o comunismo primaram por impelir a tendência totalitária a seu extremo radical – o primeiro, condensando a complexidade do problema na “pureza”, em sua forma moderna, no da pureza da raça, o segundo no da pureza da classe”11.
Portanto, na acurada análise barthiana, de um lado estão os postulados da Teologia Liberal; de outro, os postulados de uma Teologia Moral. Não perguntarei de qual lado Romanos 14.1-12 está para não cometer o risco do anacronismo. Então, faço outra pergunta: qual das teologias Romanos 14.1-12 mais bem fundamenta? A Teologia Liberal ou o Idealismo ideológico da pureza? Barth escreveu com humor e provocação:
Só há uma vantagem: a eleição divina, e dela pode participar atualmente mesmo um ingênuo vegetariano em toda a sua inquebrantabilidade com vantagem sobre alguém que conhece a Carta aos Romanos de cor e salteado, de frente e para trás e vice-versa. Deus pode preferir ainda qualquer monacato na atualidade ao seu protestantismo, seu tolo!12
O comentário de Barth está propondo que voltemos à Carta aos Romanos e busquemos compreender novamente o significado da justificação pela fé enquanto misterium que envolve a impossibilidade humana em conhecer quem são os justificados e quem não são, quem é fraco na fé e quem é forte! As distinções são perigosas – e Barth sabe disso! A justificação dissolve o debate, pois já não importam mais os costumes ou as disciplinas, mas Cristo – somente Cristo!
Contudo, na sequência do texto (v. 5-6), o próprio apóstolo Paulo apresenta caminhos para a resolução dos conflitos entre os que comem de tudo e os que comem apenas legumes. Na verdade, isso está presente desde o início: “não para discutir opiniões” (v. 1)13. Na visão de Paulo, realmente aqueles que mantem restrições alimentares que são, na verdade, restrições religiosas do judaísmo, são fracos na fé, pois a justificação pela fé eliminou todas essas exigências. Contudo (talvez repensando seu argumento enquanto Tércio, cf. Romanos 16.22, escrevia à pena sem poder apagar o que já foi escrito), Paulo recomenda que tanto aquele que come de tudo quanto aquele que come apenas legumes deem graças a Deus, mantendo suas opiniões bem definidas em suas mentes. Barth comenta, dizendo:
Aparentemente existem pontos de divergências, nos quais a gente se respeita reciprocamente. Nesses casos, de qualquer forma, também o forte compreende o grau de precisão do fraco, mesmo que não se submeta a ele. Ele silencia, ele observa, ele aguarda.14
Então Barth cita o teólogo Steinhofer: “Ele sabe: importante não é”15
que se afirme contra o outro sua própria posição em virtude de forte convicção ou que se conteste o outro, mas que se esteja certo do seu ponto de vista perante Deus e no exame, sendo que muitas vezes há mais flexibilidade que numa consciência que não vai além de estar bem-informada.16
Por fim, em seu comentário, Karl Barth leva seus leitores aos pés da cruz de Cristo (v. 7-12) onde todos os conflitos, interesses, ideias e ideologias são postos individualmente diante do tribunal de Deus. A crise última do ser humano é sempre individual e ninguém pode garantir a salvação ou a condenação do próximo. Esta crise é o novo significado que Barth concede ao conceito de “forte na fé” não como meramente uma liberdade totalmente permissiva como postula a Teologia Liberal; ao contrário,
Ser forte significa reconhecer que o ser humano como pessoa se encontra numa crise última, de forma alguma evitável – “Nenhum de nós vive para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor.” Não existe nenhuma vida em si, mas só vida em relação com Deus.17
Barth, portanto, desliga o conceito de “forte na fé” da Teologia Liberal e o conecta ao Cristo crucificado e ressuscitado. Como um bom teólogo protestante, Karl Barth estabelece a solução da crise entre o forte na fé e o fraco na fé não através de uma solução simplista (como a Teologia Liberal), mas através de um método bastante luterano: a dialética.
É importante lembrar: Dialética é um modo no qual a realidade somente pode existir por causa da existência dos opostos de modo que na ausência do oposto a realidade deixa de existir. Logo, a realidade dialética pressupostamente necessita dos opostos, pois os opostos são pressupostamente dialéticos. A realidade é, portanto, pressupostamente ontologicamente dialética e, sem a dialética, nada pode ser real!18
Assim, a crise da vida humana acontece dialeticamente entre juízo e graça, pois somos simultaneamente justos e pecadores. Isso é Lei e Evangelho. A desordem (1º Uso da Lei) e o legalismo (a partir do 2º Uso da Lei) gera divisões, conflitos, fortes e fracos, superiores e inferiores, puros e impuros etc. Contudo, a Lei enquanto reconhecimento das convicções diferentes distinguida do Evangelho leva o ser humano diante da cruz, pois o apóstolo Paulo escreveu na mesma carta: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Dialeticamente, vivemos “a vida caracterizada pela morte, mas qualificada como esperança da vida eterna, por intermédio da morte de Cristo”19.
“O Senhor é a segurança da promessa”20. “O Senhor, entretanto, é sob todas as circunstâncias também o juiz”21. Não apenas a vida é vida em reação a Deus, mas também a morte: “Ninguém morre para si mesmo. Se morremos, morremos para o Senhor”, escreveu Paulo. Deus manifestou seu juízo na morte de Cristo na cruz; Deus manifestou sua reconciliação na ressurreição de Cristo das amarras da morte. E, assim, “quer pois vivamos ou morramos, somos do Senhor”. As divergências ficam de lado. Ser forte, portanto, ganha um novo significado bastante diferente da interpretação da Teologia Liberal. Barth escreve:
Ser forte significa reconhecer Deus em Cristo, ou seja, na última crise inevitável de nossa vida e morte, ali onde não mais existe outra coisa senão sua misericórdia. Ser forte significa amar e temer a Deus sobre todas as coisas: assim como ele se encontra conosco na dialética das mais elevadas categorias de nosso pensamento: como o Senhor. Se soubermos que “vivemos para o Senhor” e “morremos para o Senhor” então com isso confessamos que tanto nosso viver quanto nosso morrer, tanto nosso sim quanto nosso não, não podem reivindicar outra justificação (uma justificação em si mesma, por exemplo!) além da justificação que só Deus lhes pode fornecer.22
Em poucas palavras, repito: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Quando a carta está no fim, é preciso voltar ao início e lembrar que “o justo viverá pela fé” (Romanos 1.17) e não será justificado pelas “comidas que come” ou “deixa de comer”; pelos valores que defende sejam quais forem; por ser liberal ou conservador; pelo seu estilo de vida; pela sua piedade. Estas na verdade são as frequentes tentativas humanas de autojustificação: Como explicou o Prof. Dr. h. c. Euler Renato Westphal em um artigo no Jornal Evangélico Luterano:
Fé é dom de Deus que renova o ser humano. Pela fé, morre o velho homem, aquele que se fundamenta nas suas possibilidades e nos seus recursos. Quem vive é Cristo e não mais o eu piedoso, que quer fazer por merecer a graça e os favores de Deus. Por meio de Jesus, somos, ao mesmo tempo, pecadores e justificados. Para Lutero, Jesus assumiu a nossa morte, a nossa culpa e a nossa condenação. Ele nos fez justos. Por meio da fé, o cristão tem certeza de que a sua justiça está em Cristo e, ao mesmo tempo, o cristão sabe da sua natureza pecaminosa.23
Assim, tal qual dialeticamente o ser humano subsiste como simultaneamente justo e pecador, da mesma forma subsiste dialeticamente como agraciado e condenado. Juízo e graça constituem dialeticamente o amor de Deus:
O juízo não só é possível, mas (...) tornou-se realidade e permaneceu realidade do agir de Deus. Graça que tudo perdoa seria barata e justamente não um sinal de amor, mas de indiferença. Amor verdadeiro não conhece a categoria do tropeço permissivo.24
Contudo, esta compreensão não serve para acusar o outro, mas para a própria consciência individual do ser humano que é simultaneamente justo e pecador e, por isso, deve compreender seu próximo e manter a comunhão. O juiz é Deus! Portanto, um não é juíz do outro. Contudo,
Não julgueis! é a única possibilidade – que, por seu turno, não é nenhuma possibilidade, nenhuma receita, nenhuma regra de comportamento, mas na qual nos colocamos sob o juízo que nos aguarda, na esperança não fundamentada pela possibilidade impossível da misericórdia de Deus.25
Abrir mão de julgar o próximo (seja porque está comendo ou deixando de comer ou outros motivos) não é uma simples regra moral, mas a confissão absoluta da própria fragilidade individual, pois sou simultaneamente justo e pecador. Nós também estamos no banco dos réus! Abrir mão de julgar não é uma simples regra ou receita pronta; na verdade, a natureza humana foi tão corrompida pelo pecado que até mesmo não julgar é algo difícil de cumprir. Não julgar portanto não é, para Barth, um ato de superioridade moral, mas um ato de desespero e humildade diante da realidade de que somos simultaneamente justos e pecadores.
CONCLUSÃO
Portanto, percebemos que as comidas não são a questão em si. O melhor caminho para uma proclamação de Romanos 14.1-12 é ter consciência disso e voltar para o início da Carta de Paulo aos Romanos onde encontramos os conceitos fundamentais da justificação pela fé. Um caminho pastoral possível é lembrar que não há salvação nos sistemas humanos e nas escolhas que os seres humanos fazem por eles. Importante é que o centro esteja em Cristo como aquele que estabelece a comunhão entre os diferentes e os justifica pela fé, não pela liberdade ou piedade.
Reflexões Dialéticas
Novo Hamburgo/RS, 13 de Agosto de 2026
O QUE É DIALÉTICA?
Dialética é um modo no qual a realidade somente pode existir por causa da existência dos opostos de modo que na ausência do oposto a realidade deixa de existir. Logo, a realidade dialética pressupostamente necessita dos opostos, pois os opostos são pressupostamente dialéticos. A realidade é, portanto, pressupostamente ontologicamente dialética e, sem a dialética, nada pode ser real!
JESUS CRISTO
Jesus Cristo é o Lógos que se fez carne e habitou entre nós (cf. João 1.14). O Lógos de Heráclito é um conceito que mantem o cosmos em ordem dialeticamente: quente e frio, luz e sombra, som e silêncio etc. A ordem do cosmos depende do Lógos. Portanto, o Lógos mantém a realidade dialeticamente. Logo, Jesus, o Lógos joanino é a própria dialética que se fez carne e habitou entre nós. Aquele que torna a realidade possível entrou na realidade por ele possibilitada.
Jesus Cristo é a dialética que se tornou sujeito; portanto, alteridade em que o EU encontra o TU. Jesus Cristo é a dialética encarnada que possibilita uma alteridade relacional. Não é uma ideia abstrata a ser conhecida, mas uma alteridade concreta a ser dialogada: verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Em tudo igual a nós, exceto no pecado.
Em Cristo, a dialética deixa de ser uma abstração e, pela kénosis, se torna uma persona. Por isso, Cristo só pode ser compreendido dialeticamente. Na ausência da sua Divindade ou da sua Humanidade, o Cristo do Kerygma cristão deixa de existir, tornando-se apenas a polarização das projeções dos desejos humanos. Passar a ser apenas o Jesus histórico ou o Cristo libertador e marxista da Teologia da Libertação. Diferente do Jesus Cristo polarizado pela projeção dos desejos humanos, o Cristo revelado só pode ser ele mesmo se for dialético! Não sendo dialético, não é o Cristo, o Filho do Deus vivo.
TEOLOGIA LUTERANA
Como já dito, a polarização mata, aniquila e extingue a ontologia dialética da existência. Somos dialéticos. A realidade é dialética. A teologia luterana é dialética de forma que, sem a dialética, deixa de ser teologia luterana e passar a ser qualquer coisa menos aquilo que realmente é!
“Justos e Pecadores”, “Lei e Evangelho”, “Deus Abscôndito e Deus revelado” são os polos dialéticos da teologia luterana – que permitem sua existência. A ausência de qualquer um dos polos significa o instantâneo aniquilamento da teologia luterana: apenas justos significa graça barata; apenas pecadores significa legalismo, assim por diante. Portanto, a teologia luterana só pode existir dialeticamente; sem dialética, a teologia luterana deixa de existir. Sua identidade e, portanto, sua ontologia é categoricamente dialética.
Notas
Uma das premissas da Teologia Liberal era a distinção entre paulinismo e evangelhos sinóticos onde criava-se uma distinção entre teologia paulina e o que Jesus realmente disse.
↩BARTH, Karl. A Carta aos Romanos. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2016. p. 490.
↩BARTH, 2016. p. 490. Grifos do autor.
↩BARTH, 2016. p. 491.
↩BARTH, 2016. p. 491.
↩JORNALISMO TV CULTURA. Linhas Cruzadas | Você é o que você come?. São Paulo: TV Cultura, 4 nov. 2021. 1 vídeo (48 min 12 s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=g_JZPHrCTNo>. Acesso em: 6 set. 2026.
↩JORNALISMO TV CULTURA. Linhas Cruzadas | Você é o que você come?. São Paulo: TV Cultura, 4 nov. 2021. 1 vídeo (48 min 12 s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=g_JZPHrCTNo>. Acesso em: 6 set. 2026.
↩JORNALISMO TV CULTURA. Linhas Cruzadas | A humanização dos animais. São Paulo: TV Cultura, 21 out. 2022. 1 vídeo (44 min 24 s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WQ4mMeryTAI>. Acesso em: 6 set. 2026.
↩BARTH, 2016. p. 492.
↩BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 14.
↩BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 14.
↩BARTH, 2016. p. 491.
↩Infelizmente, o título da perícope na Bíblia na tradução Almeida Revista e Atualizada acaba conduzindo o leitor pelo viés em favor dos que comem tudo em desprezo aos que só comem legumes como “fracos na fé”.
↩BARTH, 2016. p. 493.
↩BARTH, 2016. p. 493.
↩STEINHOFER, Friedrich Christoph. Erklärung der Epistel Pauli na die Römer. apud: RIEGER, Carl Heinrich. Betrachtungen über das Neue Testament. Tübingen, 1828. p. 220. apud: BARTH, 2016. p. 493.
↩BARTH, 2016. p. 494. Grifos do autor.
↩Ao final desse texto há um apêndice com algumas “reflexões dialéticas”.
↩BARTH, 2016. p. 494. Grifos do autor.
↩BARTH, 2016. p. 495.
↩BARTH, 2016. p. 495. Grifo do autor.
↩BARTH, 2016. p. 495-496. Grifo do autor.
↩WESTPHAL, Euler Renato. Existência sob a cruz – Somos justos e pecadores. Portal Luteranos, 2012. Disponível em: <https://www.luterano.org.br/existencia-sob-a-cruz-somos-justos-e-pecadores/>. Acesso em: 6 set. 2026.
↩FELDMEIER, Reinhard; SPIECKERMANN, Hermann. O Deus dos vivos: Uma doutrina bíblica de Deus. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2015. p. 331.
↩BARTH, 2016. p. 495. Grifos do autor.
↩