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Família reunida à mesa à luz de velas no Advento.Meditações

Como está nossa família no Advento?

Como está nossa família no Advento? Lucas 2.1-20

Meditação de Advento e Natal

Passa-dia da OASE Paroquial | 02/12/2021

Como está a nossa família? Estamos preparados para o natal? Há união? Há amor? Importamos-nos com as pessoas que estão dentro de nossa casa, partilhando o mesmo teto? Ou, ao contrário, vivemos um individualismo dentro da própria casa? Estamos muito ocupados? Trabalhamos muito este ano? E a nossa família, como está? Valorizamos as coisas certas? O que a pandemia fez com os nossos relacionamentos?

Estas perguntas podem ser difíceis de responder. Somos pegos de surpresa. Passamos o ano inteiro correndo atrás do tempo, atrás do consumo, atrás do serviço, atrás de tantas coisas. O ano inteiro esperamos pelo natal. Quando o natal chega, estamos cansados, desanimados, frustrados e não o aproveitamos como queríamos. Quando está chegando o natal, corremos contra o tempo para limpar a casa, deixar tudo organizado, comprar os presentes, enfeitar a casa, enfeitar o pinheirinho. Entretanto, no dia de folga do natal estamos tão cansados que nem conseguimos comemorar direito o nascimento do Salvador e Redentor das nossas vidas. Muitas vezes o natal se resume em férias, folga, descanso, afinal de contas, logo tudo começa novamente. Assim perdemos o alvo da vida, pois de ano em ano andamos em círculos.

Então veio a pandemia de Covid-19 que – além de um período triste – pode ter sido uma grande escola para as nossas vidas e para os nossos relacionamentos. Quando ficamos afastados/as uns/umas dos/as outros/as percebemos o quanto a comunhão é importante e necessária. Talvez até o próprio Advento e o Natal sejam mais significativos no tempo em que vivemos.

Para a meditação de hoje, convido a lermos e ouvirmos mais uma vez a linda história do primeiro natal:

Leitura Bíblica: Lucas 2.1-20

Todo o povo foi, cada um para a sua cidade natal atualizar seu cadastro seguindo o decreto do governo. Imaginem o movimento! Maria, esposa de José, estava grávida e próxima do dia de dar à luz. Embora não fosse obrigada, Maria acompanhou seu marido José até o recenseamento. O casal habitava em Nazaré. Os dois viajaram até Belém que fica a cerca de 170Km de Nazaré. Naquele tempo, uma viagem difícil: poeira na estrada, falta de água, má alimentação, esforço excessivo, mas tudo isso o casal suportou. Em seu ventre estava o Deus-homem. Maria carregava dentro de si o Filho de Deus, o próprio Deus que se tornou carne. Ao chegarem na cidade, uma triste surpresa: não há lugar! Não havia lugar em nenhuma hospedaria! Não havia lugar para Deus nascer. Por causa do recenseamento que movimentava pessoas de todos os lugares, Maria e José acabam completamente desamparados. Como não há lugar para uma mulher pronta a dar à luz seu filho? diríamos. Como alguém pode rejeitar alguém na situação na qual Maria e José se encontravam? Cansados, mal alimentados e prontos a ter um filho? Infelizmente, o que sabemos é que não havia lugar. O fato que dividiu a história não tinha lugar para acontecer. Ninguém pôde oferecer os recursos básicos para que uma criança pudesse nascer. O único lugar que Maria e José encontraram foi uma estrebaria suja, fedida e escura. Um lugar completamente indigno para nascer o Salvador, mas foi assim, Deus nasceu sim entre fezes e urina. E ali, em Belém, nasceu o Salvador. Tamanho foi o acontecimento capaz de dividir a História em antes de Cristo e depois de Cristo. O fato do nascimento do Messias Jesus Cristo é o centro da História da Humanidade! O nascimento humilde do Salvador mudou a História para sempre! A família de Jesus presenciou o primeiro natal. A família do próprio Jesus, por forças externas, caiu na correria do momento, afinal de contas, não poderiam fazer nada. Entretanto, no meio do tumulto, da correria, do cansaço, da exaustão, da negação, ali nasce o Filho de Deus Altíssimo.

Queridas irmãs em Cristo, o primeiro natal também não foi muito calmo. Aquele que é a luz nasce em uma escura estrebaria, mas também em uma escura humanidade, em uma escura criação escondida da luz de Deus. Já que o ser humano não consegue subir até Deus, então Deus vem até o ser humano, simples, humano, na manjedoura de uma estrebaria.

Ao mesmo tempo, um grupo inteiro de pobres pastores recebe uma revelação. Os pastores de ovelhas eram pessoas fortemente excluídas e discriminadas no seu tempo. Na tradição levítica, pastores de ovelhas eram considerados imundos por causa do seu trabalho com as ovelhas. Não eram dignos nem de entrar no templo. Pois bem, são estes simples pastores os primeiros fora da estrebaria a receberem a maravilhosa notícia do nascimento do Salvador. Os pastores são os primeiros a ouvir sobre a encarnação de Deus. De onde eles ouvem? Da boca de um anjo! O anjo lhes apareceu e a glória do Senhor brilhou sobre eles. Anjo significa mensageiro e aqui a sua mensagem é sobre a vinda do Messias em Belém. A vinda do anjo provoca um mar de luminosidade. Aliás, estranha aparição esta dos anjos: Deus nasceu em uma estrebaria e anjos aparecem rodeados de luz a pastores! Na noite de natal, os papeis são invertidos: Deus veio se tornar servo! Os pastores, ao contemplarem tamanha visão, ficam com medo. Uma revelação desta natureza é demais ao ser humano, ele se assusta, se desespera. Contudo, o anjo menciona apenas duas palavras: não temais. Esta é a primeiríssima mensagem de natal, tão pequena, simples e sem ornamentações. Não temer, não ter medo diante do desconhecido. A mensagem que o anjo traz é de grande alegria, tanto aos pastores como ao povo: nasceu, na Cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Não tenham medo, Deus já nasceu! Ele de fato nasceu na Cidade de Davi, Belém, como previsto pelo Antigo Testamento. Ele realmente era o Messias, o Salvador, o Redentor, a Luz da humanidade. Como os pastores saberão quem é o messias? O anjo responde: vocês o encontrarão deitado em uma manjedoura, enrolado em panos, este é o sinal. Assim está Deus deitado num coxo de animais. Não fiquem desesperados correndo atrás da máquina, ao contrário, parem, o Salvador nasceu, vão e o recebam com alegria.

Após a primeira mensagem de natal não temas, canta-se o primeiro hino de Natal: “Glória a Deus nas maiores alturas; e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem.” Quem canta este hino, uma multidão, um coral celestial! Hino este que nunca mais silenciará, mas que continua ecoando século por século, por todos os cultos da Igreja Cristã. O Hino que nunca mais se calou! Anjos louvam o Deus que acabara de nascer em Belém. Eu fico pensando: quão maravilhoso deve ter sido ouvir anjos cantarem no Primeiro Natal.

Os pastores já não mais se aguentaram. Assim que os anjos sumiram, foram a Belém ver os acontecimentos como Deus lhes concedeu. Os pastores vão verificar o que lhes foi anunciado. Viajam apressadamente e encontram Maria, José e a criança na manjedoura. Encontraram, uma estrebaria escura e suja, uma criancinha indefesa, recém-nascida, tão precariamente acomodada que nem sequer tinha um berço, mas estava em um coxo de alimento para vacas e ovelhas; ainda assim a Glória de Deus estava naquele lugar e a luz brilhava no meio da escuridão. Os pastores saem do lugar e divulgam o que tinham ouvido e visto naquela noite. Aliás que noite! Uma Noite Feliz! Os ouvintes se admiraram com a mensagem dos pastores. Maria guardava as palavras e as meditava em seu coração. Os pastores retornam. Eles receberam algo completamente novo e não conseguem ficar com isso somente para si. A primeira noite de natal, quanta correria, quanta preocupação, mas no meio de tudo isso, nasceu o Salvador, sim, entre fezes e urina.

Diante deste texto, tornam-se muito claro dois grupos distintos:

1 Perderam o Primeiro Natal:

alguns estavam distantes, como o Imperador César Augusto. Em seu trono, não havia a espera pelo Senhor, pois ele mesmo se considerava o Senhor. Foi por causa deste recenseamento que o Salvador Jesus Cristo nasceu em Belém, na Cidade de Davi, como afirmavam as profecias do Antigo Testamento. A mão de Deus pode mover qualquer um, e não há como resistir à mão de Deus. Também o dono da hospedaria perdeu o Primeiro Natal. Poderia receber o Salvador em seu estabelecimento, mas não havia lugar para Salvador em sua hospedaria. Pelo contrário, ela já estava cheia de gente por causa do recenseamento. Aquele que trouxe o Natal, aquele que nos deu o Natal, aquele que é o Natal, aquele que é dono de tudo, não achou um lugar para nascer: "não havia lugar para eles nahospedaria". O homem não tinha tempo, estava ocupado demais, muito envolvido consigo mesmo. Sem saber, acabou perdendo o Primeiro Natal.

2 Aproveitaram o Natal:

Maria, José e os pastores são pessoas que aproveitaram o Primeiro Natal. O parto de Maria deve ter sido muito difícil, ainda mais em uma estrebaria. Mesmo assim, estavam ali com o Salvador. Os pastores não demoram muito para chegar e também aproveitam o Primeiro Natal. Para estes, houve Noite Feliz!

Na nossa correria, estamos aproveitando ou perdendo o natal? A noite de natal será uma noite feliz? Ou será igual às noites de sempre? Jesus é o aniversariante e quem ganha o presente somos nós: o messias servo que desceu e vem ao nosso encontro.

Queridas irmãs, estamos no tempo santo de natal. Assim como Deus nos amou e veio até nós em Jesus Cristo, amemos as pessoas ao nosso redor, unamos nossa família em torno desta mesma fé para que este não seja mais um natal perdido. É natal, é boa nova: nasceu o Salvador entre fezes e urina. Deus veio ao nosso encontro, Deus veio à terra nos buscar. Que atitude temos diante dele? Em qual dos dois grupos nos encaixamos? Vamos perder o natal ou aproveitá-lo? Como está nosso coração? Há uma frase que diz: “Jesus pode nascer mil vezes em Belém, e de nada valeria se ele não nascer em teu coração.” De fato, que possamos aproveitar o Natal, para que ele não seja vazio, sem sentido: que em nosso natal, haja o nascimento do Salvador e que como Salvador, ele salve também nossas famílias do ódio, rancor e desunião.

Amém.