PregaçõesCrente, vem pra fora!
A vida é passageira. Aliás, nós somos passageiros pela vida. Nossa existência é curta. Nossa migalha de tempo não é nada comparado com a eternidade de Deus. Muitos já existiram antes de nós; e muitos virão após nós. Assim acontece a vida, tão breve como a neblina que nasce de manhã e que logo some com a luz do sol. Tão breve como a gota de orvalho que cai pela manhã, tão breve quanto como a relva que floresce de madrugada, viceja e floresce e à tarde, murcha e seca. Existimos por tão pouco tempo. Porém neste curto tempo conhecemos pessoas, fazemos amizades, constituímos família: a vida é breve, mas possui tempo suficiente para construirmos laços e relacionamentos. A vida é breve, mas viver é necessário. Viver para conviver.
Isso não foi diferente com Lázaro. Um humano como qualquer um de nós. Lázaro foi abatido pela enfermidade. A doença entrou na casa de Lázaro, tomou posse de si e o levou. Nós lemos no v. 4 que esta doença era para a glória de Deus, para a glorificação do Filho de Deus, Jesus Cristo. O diagnóstico médico é decisivo: Lázaro está em estado terminal. Mas o diagnóstico espiritual está além da compreensão humana: seja como for, Deus será glorificado.
Lázaro também havia constituído relacionamentos em sua vida. Viver e conviver. Um dos amigos de Lázaro é Jesus. Jesus não é outro senão o Senhor da Vida, aliás, a própria vida. O evangelho de João vai relatar no seu primeiro capítulo que por meio dele todas as coisas foram criadas. As doenças conduzem à morte, mas Jesus conduz à vida. Jesus sabe a distância da situação de Lázaro. Jesus não estava presente no momento em que Lázaro adoece. Jesus sabe que Lázaro morreu. Entretanto, afirma aos discípulos que ainda vai conversar com ele. Jesus está muito ciente da situação. Jesus não atropelou os seus discípulos em meio àquela ocasião, pelo contrário, prepara-os para o que haverão de ver. Porque Jesus não impediu que Lázaro morresse? Porque ali se manifestaria a sua glória!
Amados, Jesus é a vida. Quem tem Jesus, tem a vida, quem não tem Jesus, não tem a vida. Ele é o caminho, a verdade e a vida, ninguém pode chegar ao Pai a não ser por Ele. Ele é a ressurreição. Ou como diz o versículo de ouro da Bíblia: “Deus enviou seu Filho ao mundo, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” Esta foi a missão do Messias: anunciar a vida, anunciar a salvação aos que nele creem como Filho de Deus e o receberam. Lázaro foi alguém que vivia com Cristo, alguém que aceitou Jesus Cristo como Filho de Deus, como seu Salvador pessoal, como seu amigo.
Quando Jesus chegou, Marta sai ao encontro de Jesus chorando. A casa estava cheia de hospedes e parentes. Em meio à situação de sofrimento e luto, Jesus é consolo presente.
Quando Jesus chegou, Marta afirma que se Jesus estivesse ali, Lázaro não teria morrido. Jesus afirma que Lázaro vai ressurgir. Marta afirma que sim, no último dia. Marta, em meio ao luto, permanece no habitual. Contudo Jesus é o Senhor da Vida e ele diz uma das mais importantes frases de toda a história: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente. No final, ele pergunta: Crês isto? Jesus é a ressurreição. Quem crê nele, vai viver eternamente. Quem o tem, viverá para sempre. Mas a centralidade da frase está na pergunta: Crês isto? De fato, cremos nós na ressurreição? Cremos que Jesus morreu e, ao terceiro dia, ressuscitou dos mortos? Cremos que nele também teremos a ressurreição? Crer é o fato decisivo. Quem crer tem a vida eterna.
Esta é a nossa esperança. Só assim poderemos enfrentar o último inimigo: a morte. Essa é a graça do Deus bondoso, do Deus que nos ama. Como certa vez afirmou Lutero: “A imagem da graça não é outra senão a do Cristo pendurado no madeiro.” De fato, ele morreu, Deus morreu, mas venceu a morte para que nós também a possamos vencer. Isso é graça.
O v. 35 contém apenas duas palavras, mas aponta uma realidade muito importante: Jesus chorou. Não pensemos que Deus está indiferente aos nossos sentimentos, ao nosso luto, à nossa dor, à dor da perda. Não, ele chora conosco, ele sente nossa angústia, ele sente a nossa perda, ele sofre conosco. Em nosso luto, ele é Deus presente também no momento de tristeza. Este que chora é o mesmo que promete enxugar toda lágrima. Em Ap 21.4 lemos: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Este chora ao nosso lado, sente nossa tristeza, e, ao mesmo tempo, promete-nos um futuro onde não precisaremos mais chorar. Sabem, amados, Deus se importa. Ele se importa com o nosso sofrimento. Ele se importa com a dor que sentimos.
Mas não termina no choro. A vida não termina na morte. A morte não é o ponto final. A morte não tem a última palavra sobre o crente. Finalmente, aquilo que foi dito no v. 4 se cumpriu. A glorificação de Deus em Jesus realmente aconteceu. Para a surpresa de todos os presentes, Lázaro foi ressuscitado dos mortos. Nem mesmo quatro dias na sepultura o seguraram, nem mesmo a morte o prendeu, nem mesmo o túmulo o tomou: não! Quando o Filho de Deus o chamou, ele voltou à vida. Apenas com o falar de Jesus, o ar voltou aos pulmões de Lázaro. O coração voltou a bater: a vida estava novamente nele e Lázaro podia novamente conviver. Jesus está acima da morte. Sua palavra é determinante. A morte se cala diante do Senhor da Vida. Lázaro foi chamado pelo nome: Lázaro, vem para fora! Da mesma maneira acontecerá se realmente crermos em Jesus. Mesmo que morramos, na volta do Senhor seremos chamados pelo nome. Você, vem para fora. Os mortos aqui descansam, seu corpo e sua alma estão aqui sepultados. Mas Deus se lembrará daqueles que tinham fé e mesmo mortos, voltarão à vida integralmente, i. é, com corpo e alma novos.
Amados, esta é a nossa esperança. Que também nós sejamos chamados pelo nome para a ressurreição dos mortos e para habitar para sempre com Deus na eternidade. Lázaro foi liberto da morte. Em Jesus, ele teve vitória sobre a morte. Embora temporariamente tenhamos que ficar sem alguém querido para nós, haverá o dia do reencontro. Mesmo se morrermos, estaremos guardados nas mãos bondosas de Deus. Deus não se esquecerá de nós, mas também nos chamará pelo nome para a ressurreição e a vida. Deus não é Deus de mortos, mas de vivo, pois para ele todos vivem. Jesus é a vida eterna.
Quando Jesus morre, nós ganhamos a vida. A morte é parte da vida. Quem não está preparado para morrer, também não está preparado para viver. Como cristãos, devemos guardar firme a fé e a esperança de que mesmo após a morte estamos guardados pelo Senhor. Ele cuidará de nós. Mesmo que morramos, continuamos vivos na memória de Deus. Ele se lembrará de nós e em Jesus Cristo nos ressuscitará para a vida eterna. Podemos crer que o amor de Deus nos aguarda até mesmo após a morte. A vida é passageira, somos nós passageiros da vida, mas a palavra de Deus dura para sempre. Cristo vive e por isso nós também viveremos se cremos na promessa de Deus e que ele é fiel para cumpri-la. A Bíblia é a palavra de consolo para nós. Aqui nossa existência é curta, mas há toda uma eternidade preparada e guardada para todo aquele que ama a Deus. Deus é fiel.
Termino citando Lutero: “Se a morte eu sofrer, se os bens eu perder, que tudo se vá, Jesus conosco está! Seu Reino é nossa herança!”.