Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Visitantes entregam presentes ao menino Jesus.Pregações

Ele apareceu

Amados irmãos, amadas irmãs,

estamos no tempo da Epifania. Esta palavra significa “revelação, manifestação, aparecimento”. No dia de amanhã, 06 de Janeiro, comemoramos a revelação de Deus. Ele não ficou oculto no céu. Deus não está escondido. Ele não é inacessível. Ao contrário, Deus apareceu, Deus se revelou, Deus se manifestou a nós em Jesus Cristo.

Esta criança que nasceu em Belém não é apenas ser humano. É o Deus que se faz gente, o Deus-homem Jesus Cristo. Em Jesus Cristo, Deus revela o seu rosto à humanidade. Através de Jesus, podemos ver a face misericordiosa e amorosa de Deus. Jesus Cristo é a própria Palavra de Deus que se faz gente e arma sua tenda entre nós, humanos e pecadores. A Epifania é a comemoração da encarnação do amor divino.

O autor da história passa a se fazer presente dentro da própria história que está escrevendo. É como se Érico Veríssimo se revelasse dentro da história de “O Tempo e o Vento” e dissesse aos personagens: “sou eu quem estou escrevendo essa história e os usando como personagens; e, agora, estou aqui, junto a vocês”, ou seja, como se o autor de uma história pudesse, simplesmente, ir para dentro dela e se revelar aos personagens que ele mesmo criou. Porém, os personagens de “O Tempo e o Vento” não irão saber que há um autor da história a não ser que ele se revele. A família Terra-Cambará não saberá de Érico Veríssimo a não ser que o próprio Érico entre na história e diga: “eu os criei e estou escrevendo uma história sobre vocês”.

O mesmo ocorre em relação a Deus. Ele é o autor de uma história e nós somos os personagens. Só iremos conhecer que há um escritor da história se ele mesmo se mostrar, aparecer e se revelar a nós. É exatamente isso que acontece conosco. No Antigo Testamento, Deus revelou um pouco de si ao povo de Israel. Deus falou de si mesmo e mostrou quem é. Porém, no início do Novo Testamento, temos (realmente) algo completamente novo: agora Deus entra na história que ele está escrevendo e se coloca nela como personagem principal. Isso é Epifania: Deus se revelou, apareceu, mostrou-se a nós humanos e pecadores.

Faz poucos dias que isso aconteceu. Há pouco tempo, estávamos no Natal quando Jesus nasceu, ou seja, quando Deus se mostrou à humanidade ao nascer como um bebê pequeno e indefeso. Logo, a família recebe visitantes que souberam da notícia da Epifania, da revelação de Deus. Na leitura da Bíblia e no calendário litúrgico, dá a impressão que os pastores e os magos visitaram Jesus no ato do nascimento ou logo depois; a verdade é que provavelmente os Reis Magos chegaram até Jesus alguns dias após o seu nascimento. As distâncias eram longas e as coisas não aconteciam imediatamente.

Estes Reis Magos não eram autoridades, muito menos pessoas que trabalhavam com algum tipo de magia. Na verdade, eram sábios e filósofos daquele tempo, pessoas que pesquisavam e estudavam astronomia. Além de tudo isso, não eram judeus. Assim, já no nascimento de Jesus Cristo se torna evidente que ele veio tanto para os judeus (os pastores) quanto para os gentios (os magos). A Salvação não estava restrita a um só povo, mas amplia-se para todos aqueles que 30 anos depois viriam a crer na Salvação que este menino veio providenciar.

Perante os judeus, aqueles reis magos não tinham valor algum; não valiam nada; entretanto, mesmo não sendo judeus, os reis magos ouviram falar das profecias sobre o Messias. Isso mexeu com seus corações de modo a aguardarem a Epifania (revelação) de Deus com alegria e fervor. Quando souberam que ela aconteceu, foram procurar aquele que veio para ser a Salvação à toda a humanidade, pois Jesus não veio apenas anunciar o Evangelho, pois ele próprio É o Evangelho! Ele mesmo é a boa notícia que se faz gente e habita entre nós.

Para chegarem até o lugar em que estava Jesus, começam a seguir uma estrela. Entretanto, a estrela não foi capaz de mostrar com precisão onde o Messias estava. Primeiramente, os Reis Magos vão ao palácio de Herodes. Se um novo Rei nasceu, ele deve estar em um palácio. É o que todos nós pensaríamos. O lugar de um rei nascer é em um palácio com todo o cuidado e toda a pompa disponível. Seguindo a estrela, os Reis Magos acabaram na “boca do leão”.

A única coisa capaz de levar os Reis Magos ao lugar exato do nascimento de Jesus é a Palavra de Deus: “Em Belém da Judeia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.” (Mateus 2.5-6 / Miquéias 5.2);

É a Palavra (e não uma estrela) que leva os Reis Magos ao lugar exato onde estava Jesus.

Herodes era um sanguinário. Ele reinou do ano 37 a. C. até o ano 4 a. C. Era um líder tirânico e sanguinário. A crueldade foi a marca do seu reinado. Provocou um verdadeiro banho de sangue ao varrer da face da terra os Macabeus. Os judeus o odiavam e o temiam. Um homem tão odiado que, quando ele estava prestes a morrer, ficou com medo que ninguém lamentaria a sua morte. Por isso, chamou um grupo de homens para ir a Jericó e ordenou a seus soldados que os matassem no momento exato da sua morte para que todo o povo a sentisse. Porém, sua viúva e seu filho não realizaram seu desejo.

Quando Herodes fica sabendo que acabara de nascer um novo Rei, ele ficou apavorado: “Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém.” (Mateus 2.3). Um rei que se sente ameaçado por uma simples criança que acabou de aparecer. Ninguém deveria aparecer mais do que Herodes, esse era seu problema.

Por isso, Herodes convoca uma “CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito” para investigar onde esta criança deveria nascer. Herodes estava pronto para achar a criança e elimina-la. Herodes queria saber tanto onde a criança iria nascer quanto quando isso deveria ocorrer. Queria ter certeza antes de agir.

De maneira falsa e dissimulada, usa os Reis Magos em usa ingenuidade para que descubram onde a criança havia nascido e voltem para informar a Herodes o local exato: “E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo.” (Mateus 2.8). Quando leio esse versículo, a única coisa que consigo pensar é: QUE HOMEM FALSO! De maneira alguma Herodes iria se humilhar para adorar ao Deus-menino. Seu orgulho era grande demais para o permitir de fazer isso.

Quando os Reis Magos chegam ao lugar exato, a única coisa que eles podem fazer é adorar a criança. Prostram-se e entregam seus presentes. Essa é a devoção que Deus espera de nós para este período da Epifania: Deus apareceu, não nós; adoremos ao menino nascido em Belém; reconheçamos a sua divindade e o seu amor por nós. Ao nascer de maneira tão humilde, Deus quebra todo orgulho humano e “vontade de potência” (vontade de poder). O Rei Humilde nascido em Belém nos impede de sermos mais do que somos. Se Deus se revelou a nós de maneira tão simples e humilde, muito menos seremos nós diante de Deus e das outras pessoas. É assim que Deus se revelou!

Os Reis Magos não cumpriram a missão de Herodes, mas cumpriram a missão de Deus. Voltaram por outro caminho para não se encontrarem com Herodes. Já Maria e José precisaram rapidamente fugir com a criança para o Egito, pois Herodes havia emitido um decreto ordenando a morte de todas as crianças com menos de 2 anos de idade. Herodes não queria errar! Inocentes tiveram seu sangue derramado por causa do ciúme de um líder tirânico.

Amados irmãos, amadas irmãs,

Epifania é a comemoração da revelação de Deus. Foi assim que ele apareceu a nós. Porém, Jesus não quer aparecer apenas na história da humanidade. Ele quer aparecer também na nossa vida. O nosso desafio espiritual para este tempo litúrgico que estamos vivendo é que Jesus se revele na nossa vida, que através de nós, as outras pessoas vejam a humildade e o amor de Jesus.

Deus nos abençoe nesta tarefa

Amém.