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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Isaías conversa com Acaz sobre a confiança em Deus.Pregações

Emanuel: em quem confiamos?

Amados irmãos, amadas irmãs,

as quatro velas de advento estão acesas. Isso significa que o tempo passou. A areia da ampulheta caiu. Isso nos deve encher de alegria, pois o novo tempo de Deus para as nossas vidas está bem perto de chegar. Já estamos na semana em que nascerá novamente o Salvador. Entramos nessa semana com bastante luz e com um caminho bem iluminado para que Jesus possa chegar e aparecer sem qualquer dificuldade.

Entretanto, a correria continua. Vejo pessoas quase “desesperadas” para cá e para lá, procurando o melhor preço, procurando os melhores presentes, procurando algo que dê algum sentido ao seu natal, mas acabam esquecendo-se da figura principal que é o Senhor Jesus Cristo. Como seres humanos, estamos tendo cada vez mais dificuldade em confiar na misericórdia e no amor de Deus. Queremos fazer tudo do nosso jeito, da nossa maneira, sem precisar confiar em Deus. Na correria em que nos encontramos, na tentativa de querer lembrar-se de todos os detalhes, corremos o risco de esquecer o personagem principal: o aniversariante.

Ainda ontem, assistindo o Jornal Hoje, passou uma matéria do movimento na rua 25 de Março em São Paulo. Uma loucura. Um formigueiro. E, obviamente, que as compras de natal são algo importante. O problema é que a grande maioria está perdendo o personagem principal que é o Senhor Jesus.

Uma rede de televisão da Alemanha foi às ruas perguntar para as pessoas o que é comemorado no Natal. O pastor de Pomerode/SC, meu amigo Danilo Kammers, colocou as legendas. As respostas são simplesmente surpreendentes! Vamos assistir ao vídeo.

Amados irmãos, amadas irmãs,

a pergunta central é: onde estamos colocando a nossa confiança? Nos presentes? No Papai-Noel? Nas luzes? Em nós mesmos? Em quem estamos confiando? Quem poderá nos ajudar em tempos de dificuldades?

Este era o problema do povo de Judá. Também estavam vivendo um período conturbado, de desconfiança e de correria. Os Assírios estavam avançando de um lado; do outro, avançavam os babilônios. A qualquer momento poderia estourar uma guerra na qual não se sabia se Judá poderia vencer. A incerteza tomou o coração das pessoas. Isso tudo acontecia por volta dos anos 734-730 a. C.

Diante dessa correria, o profeta Isaías é chamado por Deus para dialogar com o Rei Acaz e lhe dar conselhos, uma tarefa nada fácil. Por toda a Bíblia há reis tementes e obedientes a Deus e reis desobedientes e senhores de si mesmos e do povo. Isaías é chamado por Deus para anunciar ao rei que ele coloque a sua confiança em Deus, apesar das turbulências. Isso não significaria que Judá não perderia a guerra, mas pelo menos não perderia a fé no único Deus.

Inclusive, um dos maiores problemas de Judá naqueles anos era a falta de água. Se algum povo inimigo bloqueasse seus aquedutos, o povo todo morreria de sede. Acaz, portanto, se via obrigado a fazer acordos comerciais com os povos vizinhos para garantir a sobrevivência do povo. Isso não era o problema. O problema era a motivação que havia em seu coração. Acaz era uma pessoa que optava por pegar atalhos, pegar caminhos fáceis para resolver problemas difíceis. Isso levou tanto ele como todo o povo à ruína.

Por isso, Isaías pede uma coisa ao rei: “pede ao Senhor, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas.” (Isaías 7.11). Ou seja, Isaías estava pedindo que o rei Acaz confiasse em Deus, independentemente do que estaria para vir ao povo de Judá. Entretanto, o ego de Acaz falou mais alto. Achava-se inteligente o suficiente para dar conta de tudo sozinho. Não precisava de Deus. Acaz respondeu: “não o pedirei, nem tentarei ao Senhor.” (Isaías 7.12). Uma resposta que dá a impressão de ser sábia, mas nem tudo o que parece, é, pois Acaz não temia a Deus. Não iria fazer sua oração porque confiava demais em si mesmo e achava-se bom o suficiente para dar conta de todos os problemas. O problema é que o povo não era de Acaz, mas de Deus! Isso ele havia esquecido.

Por isso, Isaías dirige agora as suas palavras ao povo de Judá. A sua resposta é instigante: Judá não apenas está irritando os povos vizinhos, mas também estão irritando o próprio Deus: “Ouvi, agora, ó casa de Davi; acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus”. (Isaías 7.13). Não eram apenas os assírios e os babilônios que estavam se cansando do povo de Judá, mas também o próprio Deus. Não há nada que doa mais no coração de Deus do que um povo que não o ama e não o teme!

No meio desta turbulência, aparece então uma promessa fantástica, como se a luz brilhasse e acabasse com toda a escuridão. Deus diz ao povo que não coloquem a sua confiança em pessoas, mas no próprio Deus: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.” (Isaías 7.14). Em outras palavras: o mundo pode estar conturbado, a correria pode ter tomado conta das ruas, as incertezas podem estar na mente das pessoas, as pessoas podem ter esquecido Deus, mas Deus não esqueceu o seu povo! E a promessa diz que Deus se tornará tão presente que habitará entre nós como Emanuel que significa Deus conosco. Não se trata de um deus distante e impessoal, mas do Deus presente e pessoal! O Deus que continuamente procura se relacionar com as suas criaturas. E já que elas teimam em não ouvir a sua voz através dos profetas, então o próprio Deus desce a nós em pessoa no Emanuel, o Salvador Ungido Jesus Cristo.

Martinho Lutero certa vez escreveu: “Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. Não deposito minha confiança em pessoa nenhuma deste mundo, nem em mim mesmo, tampouco em minha força, capacidade, bens, piedade ou qualquer outra coisa que eu possua. Não confio em criatura nenhuma, quer no céu, quer na terra. Considero e confio tão somente no Deus único, invisível, incompreensível, que fez os céus e a terra, e que está acima de todas as criaturas. Também não me assusta a maldade do diabo e sua companhia, pois meu Deus está acima de todos eles. Creio em Deus, mesmo que todos me abandonem ou persigam. Continuarei crendo, mesmo que eu seja pobre, tolo, ignorante e desprezado e careça de tudo. Eu creio, mesmo sendo pecador. Pois essa minha fé deve e precisa estar acima do pecado e virtude, acima de tudo o mais, para que a fé se apegue única e exclusivamente a Deus, como insiste o primeiro mandamento.”

Isso faltou para Acaz: confiar em Deus.

Isso pode faltar a nós: esperar o Emanuel.

Amados irmãos, amadas irmãs,

é tempo de Advento, é tempo de Natal. Que possamos ter a alegria de comemorar mais uma vez o nascimento do Salvador. Em meio ao desespero e às incertezas, não coloquemos a nossa confiança em nenhum outro senão no próprio Deus.

Não sejamos como Acaz que depositou todas as suas fichas em si mesmo. Ao contrário, não confiemos em nós mesmos, pois o nosso ego nos trai facilmente. Coloca a tua confiança em Deus.

Na correria, não perde o Salvador. Jesus é o Emanuel, o Deus conosco que quer estar presente também no natal da tua família. Ele veio fazer por nós algo que nem Acaz e nenhum outro homem da história seria capaz: morrer por nós em uma cruz para nos dar a salvação. Confia nele. Ele te ama! Incondicionalmente. Mas não te obriga a nada. Como Acaz, somos livres para fazermos nossas escolhas: nós ou o Cristo?

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus, amém.