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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Pessoa refletindo diante de uma Bíblia aberta.Pregações

Fé em meio às dúvidas

Amados irmãos, amadas irmãs,

quem de nós não tem dúvidas? Muitas vezes, ao lermos a Palavra de Deus, ganhamos mais dúvidas no coração do que certezas. Mesmo no estudo da teologia, as dúvidas estão presentes. A grande pergunta é: o que fazer com elas?

No texto previsto para hoje, temos um caso de dúvida. Tomé é conhecido e lembrado como o discípulo mais cético de Jesus. Tomé custava acreditar nas coisas. Exigia provas. Da mesma forma, atualmente as pessoas também tem muitas dúvidas sobre a fé, sobre Deus, sobre Jesus, e, inclusive, sobre a existência de Deus.

Porém, qual o lugar das dúvidas na fé? Aliás, será que as dúvidas tem espaço em meio à fé? Será que é um pecado o cristão ter dúvidas? Deveria se sentir mal por não conseguir crer o suficiente, mesmo sem ver?

irmãos e irmãs,

o texto bíblico nos menciona especialmente o nome de Tomé. Todos os discípulos estavam ali reunidos, mas só Tomé tem o nome mencionado. Tomé já era reconhecido entre os cristãos como aquele que duvida de tudo e de todos. É interessante perceber o papel de Tomé no texto bíblico.

Tomé, ainda cego por suas perguntas não respondidas, não conseguia crer em Jesus mesmo o vendo na sua frente. Jesus estava de pé em meio aos discípulos, mas, para Tomé, isso era uma ilusão da sua mente impactada pelas cenas da crucificação. Aquilo não podia ser real. Era algo bom demais para ser verdade. A questão é que era, de fato, algo bom, e era, sim, algo de verdade.

Por vezes, Deus está claramente à nossa frente, mostrando-se a nós, mas preferimos nos enganar a nós mesmos dizendo que isso é uma ilusão, um mito e que isso não pode ser verdadeiro. Deus se revela claramente a nós, mas fingimos não ser conosco. Por isso, a partir da fé, não enxergamos a Deus com os olhos da cabeça, mas com os olhos do coração. Somente pela fé temos acesso a Deus conforme está revelado nas Escrituras.

Contudo, Jesus continuou sendo misericordioso. Jesus desafia Tomé a pôr o dedo e as mãos sobre os ferimentos de Jesus. Quando Tomé tocou em Jesus, seus olhos se abriram e ele passou a acreditar instantaneamente.

É importante lembrar que Tomé não tocou em um fantasma, em um espírito, mas Jesus ressuscitou com seu corpo, por isso a sua sepultura está vazia. Jesus não era um “Gasparzinho” a vagar por aí. Lucas, o médico, afirma, inclusive, que após a ressurreição, Jesus chegou a comer com os discípulos para lhes provar que havia ressuscitado com um corpo. Por isso, sempre confessamos no credo apostólico que cremos na ressurreição do corpo. Após à morte, não somos um fantasminha a vagar por aí. Ao contrário, dormimos e aguardamos o dia da ressurreição.

Mas outro fato importante destacado no texto é que Jesus ressuscitou com as feridas da cruz. Ele não as apagou, mas as manteve. É assim que ele é reconhecido como Filho de Deus. Há, hoje, várias pessoas que se intitulam serem a “volta de Jesus”, mas não possuem as marcas dos pregos e do sofrimento. Jesus é reconhecido por ter passado pela cruz.

Muitas vezes, caímos na ideia de um Jesus majestoso e glorioso e ignoramos a sua cruz! Ele ressuscita com as chagas para nos lembrar eternamente o preço da nossa salvação. Senão, corremos o risco de celebrar a ressurreição e esquecer aquilo que Jesus fez por nós ao morrer na cruz. Ele ressuscitou com as marcas do seu amor por nós!

Tomé teve a oportunidade de tocar no Jesus vivo. Desse jeito, a fé se torna fácil. Tomé creu instantaneamente. Assim, brota de Tomé, uma confissão de fé: “Senhor meu e Deus meu!” Jesus não é apenas um Senhor, mas é o meu Senhor! Jesus não é apenas um Deus, mas é o meu Deus! De nada valeria tudo o que Jesus fez se você não crer nele e receber isso no seu coração com fé! Tomé encontrou a fé em meio às dúvidas.

Não é pecado ou errado ter dúvidas no coração a respeito de Deus. Na verdade, elas fazem parte da vida. Porém, onde você deposita as suas dúvidas? Entregue elas ao próprio Deus. Pergunte a ele aquilo que lhe atormenta o coração. Perguntar as dúvidas sobre Deus a outras pessoas é murmuração; perguntar as dúvidas sobre Deus ao próprio Deus é fé! Tomé descobriu o amor de Jesus ao lhe tocar as feridas. Hoje, na ceia, temos o verdadeiro pão e corpo e o verdadeiro suco e sangue de Jesus como lembrança perpétua do seu amor por nós.

O apóstolo João escreve estas coisas com toda a humildade do seu coração. Caminhando para o fim do evangelho, ele menciona que muitas outras coisas aconteceram que não poderiam serem registradas (v. 30). No cap. seguinte, v. 25 que é o último versículo, João diz: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.”

Foram tantas coisas vivenciadas que não foi possível escrever. Mas as histórias mais importantes estão guardadas. Por dois mil anos, elas, mesmas escritas por pessoas simples, levam pessoas a crer em Jesus no mundo todo.

Nós hoje não temos a Jesus para tocar-lhe e crer a partir disso. Porém, temos os relatos históricos da sua majestosa obra e salvação. Mesmo os historicistas mais críticos hoje concordam que, no mínimo, Jesus de fato existiu. A maneira como os evangelhos foram escritos demonstra que a história de Jesus não é uma invenção, mas uma história de fato.

Um teólogo luterano alemão chamado Albert Schweitzer, ganhador do Nobel da Paz em 1952, escreveu um livro chamado “Em busca do Jesus histórico” Não vou explicar o livro aqui, mas vale a pena conhecer.

Há mais provas quanto à existência de Jesus do que da existência dos antigos filósofos gregos Sócrates, Platão e Aristóteles. Destes, não temos nenhum escrito original, mas cópias das cópias. Já o Novo Testamento possui manuscritos originais preservados até os dias de hoje! O Evangelho de João, por exemplo, é um dos manuscritos mais antigos da Bíblia. Trata-se de um Papiro chamado de P52 que até hoje na Biblioteca de John Rylands, Manchester, Reino Unido. Manuscrito original!

Há também um último fato que é importante de ser mencionado: entre os anos de 1940 e 1950, arqueólogos encontraram em cavernas de Qmram nas proximidades do Mar Morto vários manuscritos antigos. Detalhe: aqueles manuscritos não discordam em nada daqueles originais que já tínhamos na Bíblia. Dizem exatamente a mesma coisa!

O que isso significa: temos provas, argumentos, pesquisas, opiniões. Porém, se o próprio Espírito Santo não lhe convencer, você não irá crer em Jesus. Fato é que ele já fez tudo o que pode para se revelar a humanidade, mas ela continua desviando os olhos e preferindo fazer de conta que é um mito, não é algo verdadeiro e não é algo capaz de durar para todo o sempre.

Carl Sagan, por exemplo, um astrofísico norte-americano, pergunta em seu livro “Variedades da Experiência Científica”: “Se Deus existe, porque não escreve isso bem claro no céu para todo o mundo ver?” Porém, Deus foi mais longe do que isso para se revelar a nós: chegou a ir para a cruz para revelar o seu imenso amor. Escrever algo no céu poderia também parecer uma ilusão. Mas um Deus que morre na cruz, de fato, não pode ter sido inventado. Ninguém inventa um Deus assim.

Por isso, mesmo em meio às dúvidas do nosso coração, que possamos depositar nossa fé em Jesus. Os apóstolos deram a própria vida por acreditarem na mensagem de Jesus. Escreveram o que podiam para que as futuras gerações também pudessem conhecer o Evangelho, a boa notícia de Deus.

Não julguemos Tomé. As dúvidas fazem parte da fé. Quem nunca duvidou? Há um ditado que diz: “não são as respostas que movem o mundo, mas as perguntas”. Eu acredito isso. Quando temos dúvidas a respeito da fé, temos uma grande chance para aprender e crescer. Já quem diz saber tudo, não pode aprender mais nada. Torna-se orgulhoso.

Tomé não duvidou por causa de um orgulho, mas porque queria saber das coisas em detalhes. Deus não nos rejeita por causa das nossas dúvidas, mas nos acolhe com elas.

Um dia, todas as nossas dúvidas serão respondidas.

Em 1 Co 13.13, Paulo nos diz: “Permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém, destes, o maior é o amor”. Quando entrarmos na glória, não precisaremos de fé, pois poderemos ver e tocar Jesus como Tomé; também não precisaremos de esperança, porque aquilo que esperávamos estará diante dos nossos olhos; só permanecerá o amor e este durará para sempre, pois não vêm de nós, mas de Deus.

Que Deus te abençoe em meio às suas dúvidas. Pergunte coisas a Deus, mas espere a resposta dele e não aquilo que queres ouvir. Que Deus te dê cada vez mais o dom da fé para que possas crer na sua revelação nas Escrituras.

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o teu coração e a tua mente em Cristo Jesus, amém.