PregaçõesIntimidade
Amados irmãos, amadas irmãs,
a oração é uma das disciplinas espirituais básicas da vida de fé. Não há fé cristã sem oração. Não há vida com Deus sem oração. Fé cristã é relacionamento íntimo e pessoal com Deus. Sem este relacionamento, não há fé! Deus fala conosco através da sua Palavra, mas também ouve nosso clamor através da oração.
O texto do Evangelho que ouvimos anteriormente foi ensinado aos Fariseus. Eles eram um grupo de pessoas que viviam em constante conflito com Jesus. Os fariseus acreditavam que sabiam tudo sobre Deus, o Reino de Deus e a oração. Porém, a grande verdade trazida a eles por Jesus é que eles não sabiam de nada! Os fariseus eram hipócritas! Julgavam os outros sem olharem para si mesmos. Mediam os outros com medidas nas quais nem eles se encaixavam. Se achavam os corretos, mas estavam completamente errados. Diziam entender de Deus, mas a verdade é que de Deus, não entendiam nada!
A parábola do juiz e da viúva é contada no contexto da resposta de Jesus quanto à vinda do Reino de Deus. Aliás, o tema do Reino de Deus era algo que chamava a atenção dos fariseus. Em Lc 17.20, eles perguntam a Jesus: “Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o Reino de Deus com visível aparência.” Jesus diz isso aos fariseus porque as expectativas que eles tinham sobre o Reino de Deus estavam completamente equivocadas. Por quê?
Havia uma expectativa de que o Messias, i. é, o novo Rei dos Judeus seria tão poderoso quanto Davi e, inclusive, deveria ser descendente de Davi. E veja que os fariseus tiveram essas conclusões precipitadas lendo a própria Palavra de Deus.
A profecia dizia: “Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. (Is 11.1-2). A esperança era um messias forte e poderoso e não um carpinteiro fraco e pobre!
Também o Sl 89.3-4 faz uma promessa: “Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo: Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração.” Diante disso tudo, precisamos lembrar que Davi foi o mais importante rei que o povo de Deus teve ao longo de sua história. Era um pecador, mas que se arrependeu. Além disso, ninguém havia alargado tanto as fronteiras de Israel quanto Davi. Durante seu governo, o povo experimentou prosperidade. Essa era a esperança messiânica dos judeus: que viria um rei como Davi e que restabeleceria o Reino de Deus na terra! Quando os fariseus olhavam para Jesus, não viam todo esse potencial nele. Jesus é o Deus que vem ao contrário das expectativas humanas. É assim que ele confunde a sabedoria dos que se acham sábios.
Por isso, Jesus se dirige aos fariseus, dizendo: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.” (Lc 17.20b-21). O Reino de Deus não pode ser construído pelo ser humano. O Reino de Deus só pode vir de Deus.
Em seguida, Jesus dirige as suas palavras aos discípulos, dizendo: “porque assim como o relâmpago fuzilando, brilha de uma à outra extremidade do céu, assim será, no seu dia, o Filho do Homem.” (Lc 17.24). E: “Digo-vos, naquela noite, dois estarão numa cama; um será tomado, e deixado o outro; duas mulheres estarão juntas moendo; uma será tomada, e deixada a outra. Dois estarão no campo; um será tomado, e o outro deixado.” (Lc 17.34-35).
Quando Jesus voltar com o seu Reino e a sua Justiça, não serão todos salvos. Esta é uma grande verdade. Eu queria muito que fosse diferente. Queria que fosse tudo muito bonito, com todos salvos diante de Deus. Mas não será assim. No dia em que vier o Reino de Deus, somente serão salvos aqueles que de fato possuem um relacionamento com Deus. Aqueles que são seus filhos e também se comportam como tal.
Deus não poupou Sodoma e Gomorra! Deus não poupou reis! Deus não poupou o seu próprio Filho de morrer na cruz por nós! Por que continuamos achando que podemos viver nosso relacionamento com Deus de qualquer maneira e que seremos poupados da perdição? Grande ilusão!
Do Reino futuro de Deus farão parte aqueles que já vivem o Reino de Deus aqui. A vida de oração. A vida na contínua leitura da Palavra de Deus. Se não queremos um relacionamento com Deus agora, não esperemos que haja também no futuro.
E, então, Jesus nos conta uma parábola de um juiz injusto. Isso até nos parece estranho, mas é o que é: um juiz injusto. Um juiz que não respeita a Deus e, por isso, também não respeita nenhum ser humano. Na época de Jesus, é possível que alguns vilarejos fossem comandados por um juiz que seria uma espécie de prefeito do lugar. Ali o juiz mandava e desmandava.
No mesmo lugar onde estava o juiz injusto, havia também uma mulher com um adversário. A Bíblia não nos explica com clareza qual era o problema de fato. Mas deixa claro que era um assunto urgente, mas que estava dependendo da longa burocracia de um juiz que não estava nem aí. As viúvas da época viviam em completa pobreza. Não tinham direito ao salário dos maridos como hoje. Se não fossem ajudadas por outras pessoas ou encontrassem um novo marido, corriam o risco de morrerem de fome com seus filhos.
Porém, aquela viúva não desistia. Ela implorava, teimava e insistia que o juiz julgasse a sua causa. Ela incomodou tanto o juiz injusto que ele acabou dizendo: “como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a me ofender”. (Lc 18.5). De tanto a viúva insistir, o juiz injusto a atendeu.
Se um juiz injusto foi capaz de atender a causa de uma pobre viúva, quanto mais o nosso Deus que é justo? “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?” (Lc 18.7).
Uma vida de oração é uma vida em relacionamento com Deus. Não há como se dizer cristão sem viver uma vida de oração. Não existe relacionamento sem diálogo. Por mais que Deus, que é justo, pareça demorar em atender aquilo que estamos pedindo, faz parte da vida de fé que continuemos insistindo com todo o nosso coração. Porém, Deus é Deus e pode nos responder a oração da maneira que bem entender. Essa é a lição difícil de aceitarmos. Sem vida de oração, não há relacionamento com Deus. Sem vida de oração, não há fé! Podemos estar a vida inteira na igreja; sem uma vida de oração, não há salvação! Se não queremos nos relacionar com Deus agora, como poderemos querer isso para toda a eternidade? Se queremos ser salvos só para escapar do inferno, aí sim, que perdidos que estamos. Desejamos a salvação porque estaremos, para sempre, em eterna comunhão com aquele que nos Criou, Salvou e Santificou. Como diz o P. Hernandes Dias Lopes: “o inferno existe e está no final de uma vida sem Cristo.”
Amados irmãos, amadas irmãs,
e o texto do evangelho de hoje termina dizendo: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8). Se Jesus voltasse hoje, agora, ele encontraria fé em seu coração? Se Jesus voltasse hoje com o Reino de Deus, ele nos encontraria prontos para um relacionamento eterno com ele? Gente! Isso não é brincadeira! O Reino de Deus está perto. Você está preparado?
Como tem sido a sua vida de oração?
Martinho Lutero, o reformador, diz: “a oração deve ser o primeiro pensamento ao acordar e o último antes de dormir.” Quando Adão e Eva se esconderam de Deus, ele disse: “Adão, onde estás?” Será que não podemos trocar o nome Adão pelo nosso nome? “Você, onde está que não ouço a sua voz faz um bom tempo? E olha que gosto muito de ouvir sua voz”, diz Deus.
Queridos/as, só quem experimentou uma vida de oração sabe o que é possível com ela. Deus usa a oração para nos transformar, para nos capacitar a compreender aquilo que é da sua vontade. Quanto mais oramos, mais descobrimos a vontade de Deus. Através do Espírito Santo, Deus mesmo começa a colocar em nossos corações aquilo que ele quer que peçamos.
Mas você: tem sido fraco na oração? Olha o que diz a Palavra de Deus: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8.26). Você pode ter deixado de orar, mas o Espírito Santo de Deus não deixou de orar por você. Por quê? Porque Deus não quer que você se perca; Deus quer a sua salvação. Deus fez de tudo para você ser salvo. Entregou o único Filho a morrer na cruz por esta salvação. Porém, se não a queres, a escolha é sua; mas é uma escolha não só desta vida, mas para toda a eternidade.
O Reino de Deus está próximo. Não sabemos se será daqui um minuto, um dia, um mês, um ou mais anos; fato é que um dia o Reino de Deus virá. Aqueles que morreram também terão a salvação ou a perdição. Ore a Deus! Tenha um relacionamento com ele agora para que possa ter também depois. Não viva com Deus para escapar do inferno. Viva com Deus porque você ama a Deus!
Amém!