PregaçõesIr e Ver
Amados irmãos, amadas irmãs,
Deus está muitas vezes nos lugares mais inesperados. Já vimos que ele não nasceu em um Palácio Real, mas em um paiol cheio de animais e de cocô e xixi. Muitas vezes a glória de Deus não se manifesta em eventos extraordinários, mas nas coisas mais simples do dia-a-dia.
É interessante olharmos para o chamado de Filipe. Jesus havia ido para a Galileia que era uma região e lá Jesus encontra Filipe. Jesus diz a ele apenas uma palavra: siga-me. Eu fico imaginando a maneira como Jesus fez este chamado. Ele ia até as pessoas, dizia siga-me e elas abandonavam tudo para seguir ao Senhor. Estas pessoas tinham família, trabalho, ritos religiosos para cumprir, mas bastava Jesus dizer siga-me que tudo o que tinham na vida era bem menos importante do que aceitar o chamado do Senhor.
Filipe então passou a seguir Jesus. Filipe encontrou Natanael e já testemunha com muita alegria, dizendo: “ – Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José.” (v. 45). Filipe mal foi chamado e já começa a comunicar adiante aquilo que descobriu. E Filipe tem certeza de que Jesus não é apenas um homem, mas Filipe já tem clareza de que Jesus é o Messias Prometido no Antigo Testamento. Por isso que seguir a Jesus se tornou mais importante que a própria família, o emprego e o cumprimento de certos rituais religiosos. Filipe dá essa boa notícia a Natanael.
O Natanael, porém, tem uma atitude diferente. Natanael era bastante cético e isso em si não era um problema. O problema é que Natanael também foi um pouco debochado. Natanael pergunta em tom de deboche: “ – De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (v. 46). Isso era uma ofensa. Como você se sentiria se alguém dissesse “ – De Sapiranga pode sair alguma coisa boa?” Certamente ficaríamos chocados, bravos ou até tristes com aquela pessoa. A resposta de Filipe é a melhor: “ – Venha ver!” E ali então começou a mudança. Assim como Natanael, somos convidados a abandonar nossos preconceitos e a irmos e vermos com os nossos próprios olhos.
Bastou Natanael ver a Jesus para então confessar: “ – Mestre, o Senhor é o Filho de Deus! O Senhor é o Rei de Israel!” (v. 49). De fato, parecia que ir e ver mudava tudo. Ir e ver era muito diferente do que apenas ouvir falar. Isso nos dá uma grande lição sobre o evangelismo de pessoas incrédulas e que às vezes até debocham de Deus: não basta apenas falar de Deus para elas, mas é preciso leva-las para irem e o verem por conta própria. Isso acontece principalmente através do nosso testemunho pessoal. Quando as outras pessoas olham para nós elas apenas ouvem falar de Jesus ou elas de fato enxergam Jesus na nossa vida? Somos pequenos cristos no mundo ou somos pequenos diabinhos? Pergunta intrigante, não é mesmo?
E claro que aquela visão de Jesus não era nada comparada àquilo que ainda iria acontecer, como Jesus mesmo disse no final do nosso texto: “ – Em verdade, em verdade lhes digo que vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” (v. 51). Aquela visão de Jesus de Nazaré não era nada se fosse comparada com o futuro da glória de Deus, mas um futuro que passaria primeiro pela tragédia da cruz.
Amados irmãos e amadas irmãs, muitas vezes nós não encontramos Deus porque o estamos buscando no lugar errado. Achamos que só o encontraremos se recebermos experiências espirituais extraordinárias, se ganharmos muito poder, se houver muito brilho, etc. Entretanto, Deus estava em Nazaré, um lugarejo desprezado, um lugarejo de periferia que não estava no centro, mas à margem. Era lá que Deus estava. Será que estamos buscando Deus no lugar certo?
O Deus das Escrituras é encontrado onde menos imaginamos. Ele está testemunhado pelas Escrituras, mas também é encontrado no próximo, nos pequeninos, pois Jesus disse: “aquilo que fizerdes a um destes meus pequeninos, a mim o fizestes”. Quando vamos ao encontro das necessidades dos irmãos e irmãs necessitados, no fim das contas, estamos indo em direção ao próprio Deus. Deus está ali onde há sofrimento, miséria e dor. É ali que seu Evangelho quer trazer verdadeira libertação para que todos e todas possam vivenciar a paz e a abundância do Reino de Deus.
O Senhor abençoe as nossas vidas. O centro da nossa vida está onde Jesus está, lembre-se sempre disso. Vamos nós e o vejamos nas Escrituras com nossos próprios olhos. Vamos também deixar Jesus transparecer em nossas vidas sem ter vergonha alguma do Evangelho. Amém.