PregaçõesMaria e o desafio de ser a mãe de Deus
Amados irmãos, amadas irmãs,
o dia das mães é uma data marcante do calendário civil. Como igreja, não podemos deixar este dia passar despercebido. Sejam mães de sangue ou do coração, basta recorrermos às nossas memórias para descobrirmos o valor e a importância que as mães tem na nossa vida. Uma das importâncias das mães é que elas nos dão seu afeto, mas também são rigorosas conosco quando necessário.
Gosto muito de tirinhas. Estes dias, li esta aqui do Calvin: “Calvin – Mas porque? Mãe – Porque eu tô mandando. – Calvin: Nossa mãe, belo argumento. A senhora deveria ser advogada”. Pelo menos na minha época era assim. Mãe não precisava dar explicações. A mãe dizia e estava dito. Não havia discussão. Muitas vezes, as mães nem precisavam dizer nada, mas bastava aquele olhar... Compreendíamos tudo! Hoje, possivelmente as coisas são bastante diferentes.
A palavra mãe simboliza muitas coisas. Lembro-me que uma vez morávamos em uma casa onde o terreno de trás foi aterrado. No começo, era uma lama que se andasse por cima saia com “1 Kg de barro” em baixo do calçado. Lembro-me que um dia deu uma chuva torrencial e lá no meio daquele aterro havia um ninho de quero-quero. A mamãe quero-quero ficou por cima dos filhotes o tempo todo. Nós tentamos providenciar uma caixa para por cima dela, mas seu olhar ameaçador nos afastava no mesmo momento. Os dias de chuva passaram e os filhotes nasceram. A mamãe quero-quero suportou o temporal pelo seu ninho. Isso são coisas que só as mães compreendem: sacrificar-se a si mesmas pelos filhos!
Outra cena interessante presenciei quando morava em Novo Xingu, no norte do estado. Um belo dia pela manhã, percebi que havia uma grande teia de aranha na varanda de casa. Haviam duas aranhas na teia, uma maior e outra bem pequena. Não sou biólogo, mas deduzi serem a mãe e a filha. Fui dentro de casa pegar o SBP porque haviam muitas aranhas naquela casa. Quando joguei o veneno, me surpreendi com o que aconteceu: a primeira coisa que a aranha maior fez foi descer e cortar os fios para que a aranha menor caísse no chão e não pegasse o veneno. Resultado: as duas morreram! Se eu soubesse que elas se amavam tanto, eu teria poupado elas kkkkk
Os filhos crescem, saem de casa e então surge aquela velha música do Zezé de Camargo e Luciano: “No dia em que eu saí de casa minha mãe me disse: filho, vem cá! ...” A tristeza da mãe que cria seus filhos para que eles ganhem azas e voem.
Na Bíblia temos vários exemplos de mães. Temos a Eva que viu seu filho Caim matar seu irmão Abel; temos a Sara, esposa de Abraão, que era infértil, mas que recebeu a promessa de Deus de que teria um filho e, logo, Isaque nasceu; temos Joquebede que era a mãe de Moisés e que precisou coloca-lo em um cesto no rio Nilo sem saber para onde seu filho iria.
Porém, temos uma mãe muito importante na Bíblia é que geralmente é esquecida por nós, Luteranos. Essa mãe é Maria. É importante lembrarmos mais daquela que foi escolhida para gerar o único Filho de Deus. Maria não foi apenas um exemplo de mulher. Como evangélicos de confissão luterana, defendemos a virgem Maria, pois:
- Cremos que foi salva. Cremos que foi bem-aventurada entre as mulheres ao ser escolhida para ser vaso receptor da obra do Espírito Santo, que permitiu a encarnação do Verbo Divino. - Cremos que ela foi amada por Deus, nosso Pai. - Cremos que ela, mulher de oração, recebeu o Espírito Santo juntamente com os apóstolos e os discípulos no dia de Pentecostes. - Cremos que ela amava a Palavra de Deus e lia o Santo Livro com meditação profunda. - Cremos no seu exemplo vivo de fé e submissão à vontade de Deus. - Cremos que devemos seguir seu exemplo de santidade e pureza de coração.1
Porém, como evangélicos de confissão luterana, não cremos nas imagens feitas de Maria, na diversificação do seu nome ou que devemos prestar culto ou honras a ela. Respeitamos nossos irmãos católicos, mas, neste sentido, temos diferenças que também precisam ser lembradas. O texto que ouvimos de Lucas 1.46-55 é um Cântico de Maria e não um Cântico à Maria. Há diferença! Porém, como Luteranos, deveríamos valorizar mais a Maria por seu exemplo de humildade e submissão à vontade de Deus. Cremos no Filho de Maria: Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador! Se devêssemos dar alguma honra a Maria, Jesus nos deixaria isso muito claro.
Uma mulher do povo, certa vez, numa tentativa de engrandecer Maria, recebeu a seguinte resposta do Senhor: “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a guardam.” (Lucas 11.27-28).
Contudo, Maria provavelmente foi a pessoa que recebeu o chamado mais especial de toda a Bíblia. Vários homens e mulheres foram chamados para serem reis, profetas e mártires, mas só Maria recebeu um chamado para ser a mãe de Jesus, o Filho de Deus. Logo, Maria é a mãe de Deus, da 2ª Pessoa da Trindade. Isso não lhe atribui benefício nenhum a não ser que também ela pôde crer e ser salva.
Infelizmente, os evangelhos não nos contam como foi a infância de Jesus. Deste período, a única coisa que sabemos é que um dia ele sumiu e deixou seus pais preocupados, sendo encontrado ensinando no Templo com apenas 12 anos de idade (cf. Lc 2.41-52. Fato é que desde que Jesus era criança, “sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração.” (Lc 2.51).
Se, porventura, encontrássemos Maria caminhando por aí nos dias de hoje, que perguntas poderíamos fazer a ela sobre Jesus?
• Como foi a criação dos filhos?
• Eram comportados?
• Qual foi a primeira palavra que disseram?
• Chegou a ficar doente?
• Houve momentos difíceis?
• E como eles estão hoje?
• Como era vê-lo orar?
• Você se sentia estranha ensinando a Ele como ele criou o mundo?
• Ele agia de forma diferente quando um cordeiro era levado para o matadouro?
• Alguma vez passou pela sua mente que o Deus para quem você orava estava dormindo debaixo do seu teto?
• Alguma vez, você pensou: “Aquele é Deus, tomando a minha sopa”?
Infelizmente, não temos as respostas. Mas importante é saber que Jesus foi educado na espiritualidade judaica seguida pelos seus pais. O menino era levado ao Templo onde comemoravam a Páscoa juntos.
Martinho Lutero pensou e escreveu muito sobre Maria. Inclusive, Lutero escreveu um livrinho chamado “Magnificat” que é a sua tradução e interpretação do texto do Evangelho que nós ouvimos hoje. Sobre Maria, Lutero diz:
Maria não diz: “Minha alma engrandece – a si mesma”, ou “me tem em alto apreço”; tampouco queria que se fizesse muito caso dela. Muito antes, ela engrandece exclusivamente a Deus; atribui tudo somente a ele. Ela se despoja de tudo e devolve tudo a Deus, do qual o havia recebido.2
E continua:
Portanto, quem quiser honrá-la devidamente não deve contemplá-la de forma isolada, mas deve vê-la diante de Deus e muito abaixo de Deus, despojando-a de tudo e (como ela diz) contemplando sua nulidade. Então, sim, ficarás maravilhado com a exuberante graça de Deus que contempla, recebe e abençoa ricamente e com tão grande misericórdia uma pessoa tão insignificante e nula.3
Portanto, a maior lição que Maria pode deixar a nós no dia das mães é seu exemplo de submissão à vontade de Deus. Ainda hoje ouvi uma frase que dizia o seguinte: “Mães, não apenas apresentem Deus a seus filhos, mas apresentem seus filhos a Deus”. Assim como Maria, as mães são chamadas a uma vida dedicada a Deus em oração e meditação na Palavra. Há um hino em que uma mãe diz a um filho: “Do meu amor podes fugir, mas não da minha oração!”
Cabe aqui também uma lição aos filhos. Amem e compreendam a sua mãe, apesar da idade que ela tem. Para as meninas que já encontraram seu “príncipe”: vejam bem como ele trata a própria mãe. É assim que ele vai tratar você daqui uns anos; Pais, quanto a vocês, o maior presente que podem dar a seus filhos é amarem a mãe deles. Valorizem a mulher que está dentro da sua casa, seja mãe ou esposa. Você não sabe quanto tempo ainda tem essa pessoa!
Muitas vezes, é assim que tratamos nossas mães:
com 3 anos – Mãe, eu te amo;
com 11 anos – Mãe, não enche;
com 16 anos – Minha mãe é chata;
com 18 anos – Quero sair da casa da minha mãe;
com 25 anos – Você tinha razão;
com 30 anos – Eu quero voltar para a casa da minha mãe;
com 50 anos – Eu não quero perder a minha mãe;
com 70 anos – Eu daria qualquer coisa para ter a minha mãe aqui comigo.
Amém!