PregaçõesNatal
Amados irmãos, amadas irmãs,
chegou o dia! Chegou o natal. As famílias estão reunidas. Os presentes serão/foram entregues. As cidades que nos últimos dias passou pela correria e pelo movimento agora podem agora parar para festejar o natal. Chegou o Salvador! Jesus chegou! Veio o Emanuel, o Deus Conosco, bem pertinho de mim e de você! Se assim cremos, estaremos comemorando o verdadeiro natal.
Já o natal que o mundo vende é muito diferente. Como diz meu amigo, P. Cristiano Ritzmann, o mundo tenta nos levar pela “magia do natal”, pelo tal do “espírito natalino”, fazendo-nos esquecer do Salvador Jesus. O Natal é Jesus! Se o natal não for o nascimento de Jesus, não é natal! Só os presentes, o reencontro e a festa não fazem o natal. Mas se ficarmos sem presentes, sem papai-noel, mas tivermos Jesus, ainda assim será natal! Sem Jesus, as festas que estamos comemorando serão qualquer coisa, menos Natal. Natal só é onde pode estar presente o Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Assim foi na primeira noite de natal, uma festa completamente improvisada sem pompa ou enfeite nenhum. Enquanto Belém de distraia com o comércio por causa do número de pessoas que para lá foram para atualizarem seus dados para o Império Romano, enquanto se distraiam com as vendas e as compras, em um paiol sujo e escuro, nascia o Salvador entre fezes e urina. O natal não estava acontecendo nas hospedarias cheias ou nas lojas de vendas, mas aconteceu no lugar menos esperado: em um paiol. Trazendo para o nosso contexto, as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus foram os animais. Poderia ter sido as vacas, as galinhas, o porco... Mas ali acontecia o verdadeiro Natal, pois estava ali o menino Jesus. A nossa festa pode ser a mais pomposa, se não tiver Jesus, é uma festa qualquer, mas não o Natal.
Entretanto, para que este Deus-menino nasceu? Para quê ele veio? Uns dizem que veio para “enfrentar o sistema”, outros dizem que ele veio para “causar algum tipo de revolução, ser um revolucionário”, já para outros, ele veio apenas para “ser um filosofo e ensinar uma nova filosofia de vida”. Afinal de contas, para quê Jesus veio? 3 pontos:
1 ELE VEIO PARA NOS RESGATAR
A pergunta que cai bem aqui é: nos resgatar do quê? Uma pessoa precisa de resgate quando está passando por alguma situação urgente e de perigo, como, por exemplo, quando alguém está se afogando em pleno mar, está dentro de uma casa em chamas ou sofreu algum acidente doméstico. É por isso também que o SAMU e os Bombeiros são chamados de “forças de resgate”. Mas, do que nós precisávamos ser resgatados? Jesus nasceu para nos resgatar do quê?
O nosso relacionamento com Deus foi afetado pela desobediência de Adão e Eva. A partir deles, passamos a viver no pecado, i. é, na contínua desobediência a Deus. Além disso, passamos a sentir vergonha e medo: “Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.” (Gênesis 3.10). Ao invés de nos relacionarmos pessoalmente com Deus, passamos a ter medo e se esconder de Deus, pois ele descobriu a nossa nudez, ou seja, Deus descobriu exatamente como nós somos. Adão e Eva até tentam se salvar dos seus pecados cobrindo-os com folhas de figueira, a primeira tentativa humana de salvação por obras. Mas nada disso era suficiente. Deus faz roupas para cobrir sua indignidade com dignidade, como faz o Pai com o Filho Pródigo em Lucas 15.
Precisávamos ser resgatados do nosso egoísmo, do nosso medo, da nossa vergonha, dos nossos pecados. Por mais que tentássemos fazer isso sozinhos, ninguém era suficientemente capaz de ser bom o suficiente diante de Deus. Quanto mais tentávamos acertar, mais nós errávamos.
O pastor norte-americano Timothy Keller diz: “Desde o Éden, vivemos em um mundo repleto de sofrimento, doenças, pobreza, racismo, desastres naturais, guerras, envelhecimento e morte”1. Mas eles não são o problema em si. São, na verdade, sintomas do problema original: a quebra do nosso relacionamento com Deus.
Por isso, Jesus desceu à terra: “para aguardares dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.” (1 Tessalonicenses 1.10). Jesus veio para nos resgatar do perigo da ira e do castigo divino. Por mais que tentássemos viver à nossa maneira, Deus providenciou o resgate para a nossa salvação eterna.!
2 ELE VEIO PARA NOS RECONECTAR
Por mais que tentássemos nos reconectar com Deus através das nossas boas ações, nada ou ninguém era bom o suficiente para agradar a Deus. Estávamos desligados do nosso Criador. Não havia mais relacionamento entre Deus e o ser humano. A desconexão era cada vez mais evidente. Não porque o “Wi-fi” ou o “4g” não estivesse à disposição, mas porque por nossa força, não poderíamos descobrir a senha que dá acesso a Deus. Mesmo que tivéssemos claramente diante de nós 10 leis para uma boa vida, continuamos matando, roubando, adulterando, cobiçando o que não é nosso. Não tínhamos chance de nos conectarmos por nós mesmos a Deus.
Isso tem tudo a ver com o ser cristão, pois seguir a Cristo, este que nasceu em Belém, diz respeito a uma mudança de condição: “já passamos da morte para a vida”. (1 João 3.14). Seguir a Jesus significa viver uma vida nova: ou estamos em Cristo, ou não estamos; ou estamos perdoados e aceitos, ou não; ou temos vida eterna, ou morte eterna. Ou estamos conectados a Deus ou estamos completamente desconectados tentando viver da nossa própria “bateria” que um dia vai esgotar.
Sobre isso, o próprio Jesus vai dizer: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam”. (João 15.4-6). Por causa de Cristo, esse que nasceu humildemente em Belém, temos a chance de estarmos reconectados com Deus.
Novamente, recorro a uma citação de Timothy Keller: “É como se Deus tivesse olhado para o mundo que havia criado, tivesse visto nossa perdição e assim sentido pena de seu povo. Então, colocou a si mesmo na história humana como personagem principal (João 3.16). A Segunda pessoa da Trindade, o Filho de Deus, veio ao mundo como homem, Jesus Cristo”2. Ele veio para nos reconectar ao Pai Criador. E isto nos leva ao terceiro e último ponto:
3 ELE VEIO PARA MORRER NA CRUZ
Gosto muito desta imagem que está na projeção: a manjedoura sobreposta pela sombra da cruz! Isso é algo que não se gosta de falar ou ouvir na noite de natal. Em uma noite de “espírito natalino”, falar da cruz parece ser algo que não se encaixa bem. Ela é escândalo (cf. 1 Co 1.18-25). Entretanto, é para isso que ele veio!
Como disse no início, Jesus não veio para ser um revolucionário, nem um filósofo e não foi crucificado porque enfrentou o sistema. Jesus veio para a cruz! Ele nasceu em Belém para crescer, pregar sobre o Reino de Deus e morrer e ressuscitar por este Reino. Isso precisa ficar claro! João Batista, que lhe preparou o caminho, quando viu a Jesus pela primeira vez, disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. (João 1.29). Se antes um cordeiro precisava ser sacrificado anualmente para que os pecados do povo fossem perdoados, agora o próprio Deus se oferece na pessoa do Filho como Cordeiro a ser sacrificado para o perdão pleno dos pecados de uma vez por todas!
Deus se encarna, nasce em Belém, se revela a nós para que pudéssemos reconhece-lo como fonte do amor divino. Além disso, ele nasceu em Belém para depois nos substituir e morrer na cruz em nosso lugar. Jesus viveu de modo perfeito. Foi o único na história a conseguir isso. Mereceria viver 60 ou 70 anos e ainda ser recompensado pelo seu grande exemplo. Mas a sua missão era a cruz! Veio como Cordeiro perfeito para receber, em nosso lugar, a cruz, a rejeição e a condenação que nós merecíamos: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito”. (1 Pedro 3.18).
Jesus passou sua vida com a sombra da cruz. Como havia sido prometido, seria um novo Rei de fato, mas não se esperava que o trono do Rei Messias enviado por Deus seria uma cruz e que sua coroa não seria de prata ou ouro, mas de espinhos.
Lembre-se disso no natal: Jesus veio para morrer na cruz. Isso não é motivo de tristeza, mas de alegria, é assim que Deus comprou a nossa salvação. É por causa dele que podemos comemorar o natal, a salvação, a comunhão. Se a nossa comemoração não lembrar que Jesus veio para nos resgatar da ira, nos reconectar ao Pai e morrer na cruz por nós, o natal poderá ser qualquer festa pagã, mas nunca uma festa verdadeiramente cristã.
A partir disso, façamos como os pastores: “vendo-o, divulgaram o que lhes tinha sido dito a respeito deste menino”. (Lucas 2.17). Ao ouvirmos essa mensagem, “todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores”. (Lucas 2.18). Que também aprendamos a guardar isso em nosso coração: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração”. (Lucas 2.19).
A partir de tudo isso, poderemos voltar para casa: “glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado”. (Lucas 2.20).
Só assim é que posso desejar que tenhamos um feliz e abençoado natal.
Amém.