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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Joquebede protege o pequeno Moisés em um cesto entre os juncos.Pregações

O drama de uma mãe

Amados irmãos, amadas irmãs,

na história que ouvimos nós encontramos o drama de uma mãe. Seu nome: Joquebede, a mãe de Moisés. Na Bíblia, não há muitas informações sobre a sua vida. Não sabemos o ano do seu nascimento e do seu falecimento; sabemos apenas que era esposa de Anrão e que era uma mulher hebreia escravizada no Egito (cf. Êxodo 1.7-14). É o que temos. Contudo, sua história foi fundamental à fé cristã – e logo veremos o motivo.

Joquebede engravidou. A notícia da sua gravidez foi uma fonte de alegria; mas também de muito medo. Sua gravidez aconteceu em um momento de normalização da violência contra crianças: “O rei do Egito deu uma ordem às parteiras hebreias, das quais uma se chamava Sifrá e a outra se chamava Puá. Ele disse: — Quando vocês servirem de parteira às mulheres hebreias, verifiquem se é menino ou menina; se for menino, matem; se for menina, deixem viver (...). Então Faraó deu ordem a todo o seu povo, dizendo: — Joguem no rio Nilo todos os meninos hebreus que nascerem; quanto às meninas, deixem viver” (Êxodo 1.15-16, 22).

Diante deste fato, Joquebede precisou ser resiliente: “A mulher ficou grávida e deu à luz um filho. Vendo que o menino era bonito, escondeu-o durante três meses” (Êxodo 2.2). Imaginem o drama dessa mãe que precisou esconder um filho recém-nascido durante três meses! Como ela fazia quando a criança chorava? Como ela fazia com a limpeza dos panos da criança? Como ela fazia para lhe dar um pouco de sol?

Bem, chegou um momento em que Joquebede não pôde mais esconder o seu pequeno filho. Então, ela toma uma atitude cheia de coragem e de esperança: “Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, pegou um cesto de junco, tapou os buracos com betume e piche e, pondo nele o menino, largou o cesto no meio dos juncos à beira do rio. A irmã do menino ficou de longe, para ver o que ia acontecer com ele” (Êxodo 2.3-4). Esta não foi uma atitude desesperada, mas cheia, de fato, de coragem e esperança. Ao colocar o cesto com Moisés na margem do Rio, Joquebede tinha esperança na sua sobrevivência em águas tranquilas; da mesma forma, o fato de sua irmã ficar avistando de longe aponta que estavam prontas para agir caso fosse necessário. Diante da impossibilidade em criar seu filho, Joquebede planeja com muita inteligência o seu futuro. E o melhor aconteceu: “A filha de Faraó desceu para se banhar no rio, e as moças que tinham vindo com ela passeavam pela margem. Quando ela viu o cesto no meio dos juncos, mandou que uma das criadas fosse buscá-lo. Abrindo o cesto, viu a criança; e eis que o menino chorava. Ela teve compaixão dele e disse: — Este é um menino dos hebreus” (Êxodo 2.5-6). Joquebede era uma mulher inteligente! Ela conhecia o caráter e a rotina da filha do Faraó e sabia que teria compaixão do seu pequeno filho.

Diante disso, Joquebede se tornou uma mulher consolada: “Então a irmã do menino perguntou à filha de Faraó: — Quer que eu vá chamar uma das hebreias para que sirva de ama e crie esta criança para a senhora? A filha de Faraó respondeu: — Vá. A moça foi e chamou a mãe do menino. Então a filha de Faraó disse à mulher: — Leve este menino e amamente-o para mim; eu darei um salário para você. A mulher pegou o menino e o criou. Quando o menino já era grande, ela o levou à filha de Faraó, da qual ele passou a ser filho. Esta lhe deu o nome de Moisés e disse: — Porque das águas o tirei” (Êxodo 2.7-10). Seu filho amado estava seguro.

Amados irmãos, amadas irmãs,

Joquebede foi uma mulher escravizada no Egito que engravida em um momento de normalização da violência contra crianças; é resiliente, corajosa, inteligente, esperançosa e foi consolada – pois esse menino chamado Moisés será importante na história do povo de Deus: ele será usado por Deus para trazer libertação aos israelitas e inaugurar a Festa da Páscoa que, no Antigo Testamento, rememorava anualmente a confissão de fé de que Deus os havia tirado da terra do Egito, da casa da servidão.

Quais são as lições da mãe Joquebede para os dias atuais? Bem, podemos destacar algumas coisas:

• Muitas mães continuam a viver em um mundo onde a sua voz e a sua força são diminuídas;

• Ainda há muitas mães que precisam criar seus filhos em zonas de guerra, situações de carestia ou com guerras domésticas através da violência doméstica;

• Muitas mães sofrem silenciosamente com as marcas de uma vida difícil e cheia de sofrimentos: assédio, violência, abuso;

• Com resiliência e esperança, as mães continuam entregando tudo nas mãos bondosas de Deus.

Por isso, a luta por segurança para as mulheres não é só delas: os homens precisam entrar nesta luta contra tudo aquilo que quer diminuir a dignidade humana das mulheres. E a melhor contribuição que os homens podem dar é ensinando aos seus filhos que devem respeitar suas mães e as mulheres. O filho que aprender a respeitar a mãe em casa terá mais chances de respeitar sua futura esposa e mãe dos seus filhos. E o melhor presente que um pai pode dar para os seus filhos é amar a mãe deles!

Queridas mães,

vocês são o maior símbolo do significado de afeto humano; vocês representam a resiliência; vocês simbolizam a esperança; vocês são chamadas por Deus para criarem seus filhos com cuidado, zelo e amor – amor que não significa deixar que os filhos façam o que querem, e as crianças precisam de limites.

Joquebede é uma mãe forte, inteligente, resiliente, esperançosa; uma mãe que inspira as mães a seguirem o seu caminho com fé, esperança e amor. Portanto, neste dia das mães, o Senhor abençoe a todas as mães e também o contexto familiar em que vivem para que encontrem paz em sua caminhada. Amém.