Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

Voltar a Pregações
Igreja sob nuvens de tempestade e um caminho iluminado.Pregações

O Fim do Mundo

O fim está próximo! Quantas vezes ouvimos esta frase? O fim está próximo! Será?

Estamos no 25º Domingo após Pentecostes, e especialmente nesta época nós refletimos sobre as últimas coisas, sobre o fim. Existem muitos “profetas do fim do mundo”. Será que nós, seres humanos, podemos saber quando será a volta do Filho de Deus? Quem pode saber a data certa?

Não foram poucas as previsões sobre o fim do mundo ao longo da história. Vocês devem se lembrar bem da virada do ano de 1999 para 2000. Até hoje eu me lembro da minha falecida avó dizendo que naquele dia o sol iria cair na terra, haveriam tremores e grande destruição. Pois bem, a virada do ano passou, o próprio ano 2000 passou e as previsões não se cumpriram, era uma falsa profecia.

Talvez nos lembramos também das profecias quanto ao ano de 2012. Lembro-me de uma reportagem no Fantástico contando sobre pessoas que construíram túneis ou casas subterrâneas para escaparem do fim. Hollywood até fez um filme chamado 2012 que lhes rendeu mais de 769 milhões de dólares, ou seja, mais de 2 Bilhões de reais. Querendo ou não, alguém faturou muito com toda esta história.

À título de curiosidade, a próxima previsão para o fim do mundo está marcada para 2019. E assim, de previsão a previsão, o povo é enganado por falsas profecias que nunca se cumprem. Há inclusive falsos “cristos” por aí, como aquele homem de Indaial/SC, uma cidade perto da minha, que chama a si mesmo de “Inri Cristo.” Não faltam pessoas que se aproveitam do fim para promoverem a si mesmas e não a Cristo.

Mas não precisamos olhar somente para longe. Às vezes acontece uma alteração climática, um temporal, ou o calor demais, e logo pensamos que realmente as coisas não são mais iguais a antigamente e que o fim deve estar próximo. Bem, mudanças climáticas realmente existem, mas serão sinais do fim?

Como podemos perceber, o ser humano tem uma grande expectativa pelo fim dos tempos. As pessoas mais antigas estão atentas a todos os acontecimentos como um anúncio do fim. Já os mais jovens parecem não estarem muito antenados para isso; para eles, tudo está dentro da normalidade. De qualquer forma, se olharmos demais para o fim, acabamos nos enchendo de medo e temor que não ajudam no dia a dia. De outro lado, se não lembramos mais do fim, corremos o risco de vivermos uma fé superficial, mesquinha e sem esperança, ou seja, uma vida desesperada.

A comunidade de Tessalônica era uma comunidade esperançosa. Eles aguardavam com ansiedade a volta de Jesus proclamada pelo apóstolo Paulo. A mensagem da vinda de Cristo havia impactado aqueles ouvintes. Eles aguardavam com esperança o novo céu e a nova terra. A Tessalônica era a capital da Macedônia, portanto, uma cidade grande e forte do Império Romano.

Entretanto, parece que assunto da volta de Jesus “subiu para a cabeça” como alguns dizem hoje. Eles não entenderam muito bem os ensinamentos de Paulo. Na sua primeira carta aos tessalonicenses, Paulo resolve um problema cabeludo. Alguns irmãos da comunidade morrem e fica a pergunta: e agora? Eles perderam a vinda de Cristo? Paulo consola a comunidade afirmando que na vinda de Cristo, os mortos ressuscitarão primeiro e depois os vivos serão com eles arrebatados aos céus. Um mistério de Deus que não nos compete especular. Deus fará tudo bem feito e será bom, seja como for. Importante é cremos que mortos ou vivos, as pessoas justificadas pela fé estarão na companhia do Senhor.

Entretanto, parece que a comunidade não entendeu a primeira carta de Paulo e o apóstolo se obriga a escrever uma segunda carta. Sabe quando a gente fala alguma coisa para alguém e parece que elas não entenderam bem e repetimos tudo novamente? Pois foi mais ou menos isso que Paulo teve de fazer.

A situação havia piorado. O pessoal da comunidade tinha tanta esperança na volta de Jesus que pararam de trabalhar, afinal de contas, do que isso adianta se Jesus pode voltar a qualquer momento? A comunidade era formada por pessoas de muita fé, mas entenderam errado a mensagem de Paulo. Pararam de trabalhar, não por preguiça, mas porque achavam que o Reino de Deus já tinha vindo. Paulo tem que resolver este mal entendido e assim escreve deixando bem claro que a salvação só será completa na vinda do Senhor Jesus. O povo tinha muita fé, mas sua espera acabou se tornando doentia ao ponto de não exercerem mais as suas atividades profissionais, um problema sério. Já pensou, de repente, todo mundo parar de trabalhar porque Jesus está vindo? Paulo assevera que a volta de Jesus não deve nos impedir de fazermos nossas tarefas diárias, nem do cuidado ao próximo, nem negarmos esse mundo como se não fosse nosso.

Paulo exorta os irmãos a não se perturbarem com estas coisas, pois estavam caindo em engano. Aquele que afirmou tais coisas está se colocando no lugar de Deus, diz o v. 4, pois, de fato, está mexendo com algo que só Deus sabe. Lembram o versículo da saudação? “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.” (Mt 24.36).

Assim, Paulo dá conselhos práticos à comunidade que servem para nós também hoje, em 2016:

• Em primeiro lugar, devemos dar graças a Deus pelo seu chamado. Sim, se somos pessoas cristãs é porque Deus agiu primeiro em nossa vida. Ele nos chamou pelo batismo a sermos pessoas comprometidas com a sua Palavra, crendo na sua promessa de salvação. Por isso devemos dar graças a ele e confiarmos nele, agindo também como cristãos no mundo criado por Deus, contra a injustiça, a violência e o ódio.

• Em segundo lugar, devemos permanecer na tradição. A palavra tradição deste texto bíblico significa os ensinos do apóstolo Paulo. Portanto, não devemos duvidar das coisas ditas pelo apóstolo, pois era um servo de Deus que foi usado para que ainda hoje tenhamos esta palavra em mãos. Até hoje, igual naquela época, aparecem falsos profetas e enganadores. Não devemos dar ouvidos a eles, mas à Palavra de Deus que orienta nossa vida. As coisas que são um mistério, devemos deixar que sejam assim até serem reveladas. Não nos compete assumir o lugar de Deus.

• Em terceiro lugar, devemos nos consolar com estas palavras. As palavras “consolai-vos com estas palavras” aparecem algumas vezes nas duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses. A volta de Jesus e o fim não devem ser motivo de medo, temor ou terror. Também não deve ser usada para fins lucrativos. Ao contrário, a volta de Jesus é um consolo à igreja que encontrará novamente o seu noivo. Enfim, a promessa da salvação se concretizará e estaremos no Reino de Deus como irmãos abaixo de um só e mesmo Senhor. Deus prometeu e vai cumprir. Em todos os cultos confessamos a Jesus que subiu ao céu, “de onde virá para julgar os vivos e os mortos”. Isso não é para assustar as pessoas, mas para consolar. Deus virá nos buscar. Esta semana passamos pelo dia de finados: pois nem a morte tem a última palavra diante do Senhor da vida. Assim como Lázaro foi chamado para fora do túmulo, do mesmo modo Deus chamará aquele que foi justificado pela fé. Ao mesmo tempo, devemos viver na constante espera do Senhor Jesus. Como ensina a Confissão de Augusburgo, “se ensina que nosso Senhor Jesus Cristo voltará no último dia para julgar, e que ressuscitarão todos os mortos, dará aos crentes e eleitos a vida e alegrias eternas, porém condenará os homens ímpios e os demônios ao inferno e castigo eterno.” Cremos em Deus, somos seus filhos e filhas, não precisamos temer a vinda de Jesus. Ao contrário, devemos consolar uns aos outros com as suas palavras.

Ainda poucos dias atrás pastora e eu conversávamos sobre o livro de Apocalipse, tão temido por tantas pessoas, enquanto, na verdade, trata-se de um livro escrito para animar a igreja na perseverança da sua fé. Apocalipse é um livro de consolo. Não é preciso temer as bestas e dragões que há lá, pois, no fim das contas, o cordeiro de Deus vence tudo! Isso é consolo. Consolemos uns aos outros com estas palavras.

Queridos, não sabemos quando será a volta do Senhor, mas Deus Pai o sabe. Confiarmos nisto é o bastante. E que ele nos encontre preparados para este reencontro. Ao mesmo tempo, continuemos com nosso serviço, nosso trabalho. A volta de Jesus não é desculpa para pararmos de trabalhar ou para abandonarmos a sua criação. Creiamos que Jesus subiu ao céu e com certeza voltará dele. Apocalipse 1.7 nos diz: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até aqueles que o mataram.” E Mateus 24.27 diz: “Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem.”

O mundo presente tem suas dores. A morte ainda é uma realidade existente. A criação está cada vez mais destruída, basta lembrarmos o aniversário da tragédia de Mariana/MG. O ser humano parece cada vez pior. Ainda essa semana ouvi nos jornais sobre pessoas que se aproveitam das enfermidades de outras. Um bandido liga para a família que está em casa dizendo que o paciente precisa de uma cirurgia rápida com o valor de dois mil reais, por exemplo. As pessoas, em seu desespero, caem. Como Paulo afirmou em 2 Timóteo 3.1ss: “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, orgulhosos, vaidosos, xingadores, ingratos, desobedientes aos seus pais e não terão respeito pela religião. Não terão amor pelos outros e serão duros, caluniadores, incapazes de se controlarem, violentos e inimigos do bem. Serão traidores, atrevidos e cheios de orgulho. Amarão mais os prazeres do que a Deus.”

De fato a criação geme, mas o melhor está por vir. Creiamos nisso, consolemos uns aos outros com estas palavras. Ao mesmo tempo, como cristãos, sejamos pessoas que vão ao encontro dos necessitados, pois a volta de Jesus e a vinda do futuro Reino de Deus não quer que paremos com nossas obras; ao contrário, por ela somos motivados a querermos um mundo cada vez melhor também aqui, impulsionados pelo agir primeiro de Deus que se doou por nós em amor. Somos cristãos, esperamos o futuro, mas agimos com boas ações no presente.

Termino com uma frase atribuída a Martinho Lutero: “se eu soubesse que o mundo acabaria amanhã, ainda hoje eu plantaria uma árvore.” Esperamos muitas coisas, mas hoje ainda é dia de trabalhar e servir a Deus por meio do próximo.

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o teu coração e a tua mente em Cristo Jesus, amém.

2 Tessalonicenses 2.1-5, 13-17

MINI ANÁLISE EXEGÉTICA

William Felipe Zacarias

Novo Xingu, 02-05 de Novembro de 2016

1 TRADUÇÃO E COMPARAÇÃO DE VERSÕES


1 Ἐρωτῶμεν δὲ ὑμᾶς, ἀδελφοί, ὑπὲρ τῆς παρουσίας τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ καὶ

Nós pedimos, irmãos, quanto aa chegada do nosso Senhor Jesus Cristo e

ἡμῶν ἐπισυναγωγῆς ἐπ’ αὐτὸν

vosso encontro com ele 

2 εἰς τὸ μὴ ταχέως σαλευθῆναι ὑμᾶς ἀπὸ τοῦ νοὸς μηδὲ θροεῖσθαι, μήτε διὰ πνεύματος μήτε

para não rapidamente serem movidos vós para mente, nem serem perturbados, nem através de espírito, nem

διὰ λόγου μήτε δι’ ἐπιστολῆς ὡς δι’ ἡμῶν, ὡς ὅτι ἐνέστηκεν ἡ ἡμέρα τοῦ κυρίου·

através de palavra, nem através de carta, bem como através de vós, como se tivesse sido chegado o dia do Senhor.

3 Μή τις ὑμᾶς ἐξαπατήσῃ κατὰ μηδένα τρόπον. ὅτι ἐὰν μὴ ἔλθῃ ἡ ἀποστασία πρῶτον καὶ

Que ninguém1 vos tenha enganado de modo algum. Que se não vier a apostasia de maneira alguma também

ἀποκαλυφθῇ ὁ ἄνθρωπος τῆς ἀνομίας, ὁ υἱὸς τῆς ἀπωλείας,

que ele seja revelado o homem da iniquidade, o filho da destruição. 

4 ὁ ἀντικείμενος καὶ ὑπεραιρόμενος ἐπὶ πάντα λεγόμενον θεὸν ἢ σέβασμα, ὥστε αὐτὸν εἰς

Opondo-se e também se exalta demasiadamente contra tudo [que é] dito por Deus ou objeto de adoração, na iminência de no

τὸν ναὸν τοῦ θεοῦ καθίσαι ἀποδεικνύντα ἑαυτὸν ὅτι ἐστὶν θεός.

templo de Deus assentar-se exibindo a si mesmo que é Deus.

5 Οὐ μνημονεύετε ὅτι ἔτι ὢν πρὸς ὑμᾶς ταῦτα ἔλεγον ὑμῖν;

Não vos lembrai que ainda estando com vós estas coisas dizia a vós?

13 Ἡμεῖς δὲ ὀφείλομεν εὐχαριστεῖν τῷ θεῷ πάντοτε περὶ ὑμῶν, ἀδελφοὶ ἠγαπημένοι ὑπὸ

Mas nós temos que dar graças a Deus sempre por todos vós, irmãos amados [pelo]

κυρίου, ὅτι εἵλατο ὑμᾶς ὁ θεὸς ἀπαρχὴν εἰς σωτηρίαν ἐν ἁγιασμῷ πνεύματος καὶ πίστει

Senhor, porque Deus, escolhendo vós (como) as primícias para salvação em santificação do Espírito e fé

ἀληθείας,

da verdade, 

14 εἰς ὃ [καὶ] ἐκάλεσεν ὑμᾶς διὰ τοῦ εὐαγγελίου ἡμῶν εἰς περιποίησιν δόξης τοῦ κυρίου

para o que também chamou a vós através do nosso evangelho para possuir a glória do

ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ.

nosso Senhor Jesus Cristo.

15 Ἄρα οὖν, ἀδελφοί, στήκετε καὶ κρατεῖτε τὰς παραδόσεις ἃς ἐδιδάχθητε εἴτε διὰ λόγου εἴτε

Portanto2 pois, irmãos, fiquem firmes e retenham a tradição3 na qual fostes ensinados quer por meio da palavra, quer

δι’ ἐπιστολῆς ἡμῶν. 

por nossa epístola. 

16 Αὐτὸς δὲ ὁ κύριος ἡμῶν Ἰησοῦς Χριστὸς καὶ [ὁ] θεὸς ὁ πατὴρ ἡμῶν ὁ ἀγαπήσας ἡμᾶς καὶ

E ele mesmo, o nosso Senhor Jesus Cristo, e também Deus o nosso Pai que nos amou e

δοὺς παράκλησιν αἰωνίαν καὶ ἐλπίδα ἀγαθὴν ἐν χάριτι,

deu consolação eterna e também boa esperança com/em graça,

17 παρακαλέσαι ὑμῶν τὰς καρδίας καὶ στηρίξαι ἐν παντὶ ἔργῳ καὶ λόγῳ ἀγαθῷ.

exorte4 vossos corações e fortaleça em todo trabalho e palavra boa.

2 ANÁLISE GRAMATICAL

Há uma miscelânea gramatical na perícope. Cada versículo apresenta uma peculiaridade gramatical. Os v. 1-2 são marcados pelo infinitivo, usado para expressar um propósito ou para introduzir o objeto do verbo. Neste caso, o infinitivo εἰς τὸ corresponde ao verbo Ἐρωτῶμεν. Por conseguinte, o objeto da ação é a própria comunidade em Tessalônica que deve se acalmar. O v. 3 apresenta o aoristo subjuntivo, tanto ativo quanto passivo. O subjuntivo é usado com o advérbio de negação para expressar proibição, temor ou advertência (Μή, ὅτι). Neste caso, advertem-se os tessalonicenses dos filhos da enganação. O v. 4 é marcado pelo particípio presente que indica uma oposição constante, tanto habitual quanto como um estilo de vida. Isso está bem expressado no termo ἀντικείμενος (ἀντι = no lugar de). Neste caso, o enganador e, gramaticalmente falando, aquele que se coloca no lugar de Deus, pois exibe a si mesmo como Deus. O v. 5 é interrogativo. O verbo μνημονεύετε foi usado em uma pergunta introduzida pelo advérbio de negação Οὐ que espera uma resposta positiva. Ou seja, trata-se de uma pergunta retórica. O v. 13 é caracterizado pelo infinitivo e pelo particípio perfeito passivo. O infinitivo, como já visto, introduz algo. Já o tempo perfeito do particípio enfatiza o estado contínuo. Destarte, εὐχαριστεῖν (dar graças) deve ser uma ação constante. O v. 15 contém um imperativo e aponta para a conclusão prática daquilo que foi dito anteriormente. Conquanto, refere-se ao ensino do apóstolo, i. é, παραδόσεις (tradição). O v. 16 é caracterizado pelo particípio aoristo ativo e expressa algo que Deus já fez ἀγαπήσας e δοὺς παράκλησιν (amou e deu consolação).

3 ESTRUTURA DO TEXTO

Ilustração presente no documento original da pregação.

4 CONTEXTO LITERÁRIO

A primeira epístola foi escrita por Paulo, Silvano e Timóteo (1.1). Dão-se graças a Deus pelos tessalonicenses, ressaltando que são lembrados em orações (1.2). Os tessalonicenses guardam firme a esperança em Cristo Jesus (1.3). Eles são imitadores de Cristo (1.6) e se tornaram em uma referência para os cristãos de toda a região (1.7-8). Os tessalonicenses aguardam firmemente do céu o Filho de Deus Jesus Cristo que foi ressuscitado dos mortos e livra o crente da ira vindoura (1.10). Os escritores nunca usaram de linguagem bajulativa, pois não procuram agradar a homens, mas a Deus (2.4, 6). Estavam prontos a oferecer o evangelho e a própria vida, eis o motivo do amor aos tessalonicenses (2.8). Assim, os tessalonicenses são exortados a viverem por modo digno de Deus (2.12). Já os judeus mataram o Senhor e perseguem a igreja (2.15). Os escritores expressam seu desejo de visitar a comunidade, mas ainda não foi possível (2.17-18). Paulo fica em Atenas (3.1), mas envia Timóteo à Tessalônica (3.2). Há tribulações na comunidade (3.3). Paulo mandou Timóteo perguntar pela fé dos tessalonicenses, pois o tentador poderia os provar (3.5). Timóteo, porém, retornou a Paulo com boas notícias (3.6), pois a comunidade está firme no Senhor (3.8). Ainda assim há deficiências na fé que precisam ser reparadas (3.10). Que Deus aumente o amor dos irmãos até a vinda do Senhor Jesus Cristo (3.12-13). Deus deseja a santificação do crente (4.3). Por isso, cada um deve cuidar dos desejos do seu corpo (4.3-5) e não defraudar a ninguém (4.6). Quem rejeita estas palavras, rejeita o próprio Deus (4.8). Os tessalonicenses exercem bem o amor fraternal (4.9). Porém, não devem ser ignorantes quanto aos que dormem (morreram), pois ressuscitarão primeiro, seguidos do arrebatamento dos vivos (4.13-17). Isso é motivo de consolo mútuo (4.18). O Dia do Senhor virá repentinamente, quando tudo parecer bem (5.2-3). Por isso os irmãos devem vigiar (5.4) para não serem apanhados de surpresa (5.5). Isto é motivo de consolo mútuo (5.11). Portanto, os irmãos devem viver em paz uns com os outros (5.13), atendendo cada necessidade com a atenção necessária (5.14-15) e cumprir o santo exercício da fé (5.16-22). Que os irmãos sejam conservados íntegros até a volta do Senhor Jesus Cristo (5.23), pois o que chama é fiel; esta é a garantia de que sua promessa será cumprida (5.24). A epístola deve ser lida a todos os irmãos (5.27). Saudação final (5.28).

Paulo, Silvano e Timóteo redigiram também a segunda epístola (1.1). Novamente, dá-se graças pela constância na fé que os tessalonicenses tem (1.3-4). Deus se vingará daqueles que não o conhecem e os expulsará da sua presença (1.8-9). Assim o nome do Senhor Jesus Cristo será glorificado nos tessalonicenses (1.12). Quanto à vinda do Senhor (2.1), ele ainda não chegou (2.2), pois faltam os sinais (2.3-4). Paulo já lhes tinha dito isso uma vez (2.5). Será que ele conseguiu visitar a comunidade? Antes do fim, será revelado o iníquo que será exterminado pelo sobro de Deus (2.8), a saber, Satanás (2.9). Serão julgados com ele todos os que não acreditaram na verdade e se deleitaram na injustiça (2.12). Mas os escritores podem dar graças pela comunidade em Tessalônica, escolhida desde o princípio para a salvação, santificação, fé e verdade (2.13). Foram chamados pelo Evangelho (2.14) e podem permanecer na tradição apostólica (2.15). Isso é motivo de consolo mútuo (2.17). Pede-se a oração dos tessalonicenses (3.1). Nem todos tem fé (3.2), mas Deus é fiel e guardará os irmãos do maligno (3.3). Os irmãos têm atendido ao apelo de Paulo (3.4). Que Deus leve os irmãos ao amor e a permanecerem em Cristo (3.5). Os irmãos devem se apartar daqueles que estão fora da tradição apostólica (3.6), não devem se intrometer na vida dos outros (3.11), mas devem continuar fazendo o bem (3.13) e advertir outros como irmãos (3.15). O Senhor da paz lhes concederá paz em todas as circunstâncias (3.16). Paulo escreveu a epístola de próprio punho (3.17). Saudação final (3.18).

Disto, conclui-se que há uma grande perturbação doutrinária na comunidade em Tessalônica quanto à vinda do Messias, o Senhor Jesus Cristo.

5 CONTEXTO HISTÓRICO

Gerhard Höster resume bem o contexto histórico das duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses, ressaltando aspectos demasiadamente curiosos, visto que a comunidade havia recém sido fundada pelo próprio apóstolo em sua segunda viagem missionária em 49 d. C.5. “Jesus Cristo vai voltar com poder e glória. Os que já morreram e os que ainda estiverem vivos vão participar deste acontecimento”6.

A Tessalônica era a capital da província romana da Macedônia7, sede do pro cônsul8. As duas cartas são separadas por apenas dois meses, no momento em que Paulo estava ocupado na Acaia9, exatamente em Corinto10. A comunidade era formada por cristãos-gentios e se desenvolveu muito bem na fé, havendo inclusive uma confiança mútua entre ela e Paulo11. Contudo, “percebemos que Paulo estava preocupado com o desenvolvimento da igreja. Por isso enviou Timóteo a Tessalônica; ele permaneceu em Atenas”12. Conforme Höster, “A igreja estava insegura e ansiosa por causa da morte de alguns dos seus membros, pois estes tinham achado que participariam da segunda vinda de Jesus. Como ficaria isso?13” Porquanto, Paulo “que ajuda-los a vencer medos em relação à segunda vinda de Jesus e fortalecer a esperança dos membros da igreja”14. Vale lembrar que esta é a mais antiga carta de Paulo, escrita por volta de 50 d. C.15.

Já a segunda epístola procura resolver problemas que surgiram por causa da primeira epístola, referente especialmente à esperança pela volta de Jesus e a uma vida que esteja à altura desta esperança16. O apóstolo Paulo recebeu mais notícias de Tessalônica.

As exortações que aparecem na carta mostram que essas pessoas vivem por conta de outras pessoas na igreja, até o ponto de serem sustentadas por elas. O motivo delas para a aversão pelo trabalho não é necessariamente a preguiça, mas a esperança pela volta de Jesus enfatizada em demasia. Acham que o reino de Deus já veio (o dia do Senhor já chegou, 2.2ss) e por isso já não consideram importante continuar as suas atividades profissionais17.

É provável que a comunidade tenha entendido mal a mensagem de Paulo18. Por isso, Paulo precisa resolver o mal-entendido e o faz por meio da segunda epístola, afirmando “que a salvação de Jesus só será completa quando ele voltar”19. Destarte, para Höster, a “carta é uma tomada de posição clara contra uma atitude doentia em relação à escatologia”20. Sugere-se que a segunda epístola tenha sido escrita por volta de 50-51 d. C. em Corinto21.

6 ANÁLISE DE PALAVRAS CENTRAIS

a) ἀποστασία: No grego clássico significa afastar, remover, ficar de longe, afastar-se, cessar, abandonar, recuar, separar-se, apostatar, indicando um estado de rebelião22. Na LXX, aparece mais de 250 vezes, traduzindo cerca de 40 palavras hebraicas diferentes. Entre elas, destacam-se: agir de modo infiel, rebelar, transgredir, revoltar-se23. No Novo Testamento o termo tem grande relevância teológica. 2 Ts 2.3 aponta um período de apostasia pouco antes do aparecimento do messias. “Paulo localiza este evento num período do anticristão que imediatamente antecede a volta de Cristo”24. Por conseguinte, “a apostasia consiste em um movimento descrente e voluntário para longe de Deus”25. A apostasia é um pecado.

b) παραδόσεις: Conforme Werner Kaschel, refere-se “as verdades ensinadas pelo apóstolo Paulo (1 Co 11.2; 2 Ts 2.15; 3.6)”26.

7 ATUALIZAÇÃO: TEMAS EM TÓPICOS

• O fim do mundo em 2000 (a oma dizia que o Sol ia cair);

• O fim do mundo em 2012;

• O fim do mundo em 2019;

• Inri Cristo;

• Estamos no 25º dom. após Pentecostes, e especialmente nesta época nós refletimos sobre as últimas coisas, sobre o fim;

• Tragédia em Mariana/MG.

8 REFERÊNCIAS

BAUDER, Wolfgang. “Cair, Apostatar”. in: BROWN, Colin; COENEN, Lothar (Orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2000.

BULL, Klaus-Michael. Panorama do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2009.

HÖSTER, Gerhard. Introdução e Síntese do Novo Testamento. Curitiba: Esperança, 2008.

KASCHEL, Werner. Dicionário da Bíblia de Almeida. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

REINECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1985.

TENNEY, Merril C. O Novo Testamento sua origem e análise. São Paulo: Shedd Publicações, 2008.

Notas e referências

  1. Resultado da junção de Μή com ὑμᾶς.

    ↩
  2. Indicando conclusão prática.

    ↩
  3. Cf. REINECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1985. p. 452, tradição refere-se ao ensino do apóstolo Paulo.

    ↩
  4. No sentido de consolar.

    ↩
  5. Cf. HÖSTER, Gerhard. Introdução e Síntese do Novo Testamento. Curitiba: Esperança, 2008. p. 130.

    ↩
  6. HÖSTER, 2008. P. 130.

    ↩
  7. Cf. HÖSTER, 2008. p. 130.

    ↩
  8. Cf. BULL, Klaus-Michael. Panorama do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2009. p. 103.

    ↩
  9. Cf. TENNEY, Merril C. O Novo Testamento sua origem e análise. São Paulo: Shedd Publicações, 2008. p. 291.

    ↩
  10. Cf. HÖSTER, 2008. p. 131.

    ↩
  11. Cf. HÖSTER, 2008. p. 131.

    ↩
  12. HÖSTER, 2008. p. 131.

    ↩
  13. HÖSTER, 2008. p. 131.

    ↩
  14. HÖSTER, 2008. p. 131.

    ↩
  15. Cf. HÖSTER, 2008. p. 131.

    ↩
  16. Cf. HÖSTER, 2008. p. 133.

    ↩
  17. HÖSTER, 2008. p. 133.

    ↩
  18. Cf. HÖSTER, 2008. p. 133.

    ↩
  19. HÖSTER, 2008. p. 134.

    ↩
  20. HÖSTER, 2008. p. 134.

    ↩
  21. Cf. HÖSTER, 2008. p. 135.

    ↩
  22. Cf. BAUDER, Wolfgang. “Cair, Apostatar”. in: BROWN, Colin; COENEN, Lothar (Orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 260-261.

    ↩
  23. Cf. BAUDER, 2000. p. 261.

    ↩
  24. BAUDER, 2000. p. 262.

    ↩
  25. BAUDER, 2000. p. 262.

    ↩
  26. KASCHEL, Werner. Dicionário da Bíblia de Almeida. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005. p. 155.

    ↩