PregaçõesO Jesus que cremos é o Jesus da Bíblia?
Amados irmãos, amadas irmãs,
hoje é o último Domingo da Epifania. Isso significa que é o último Domingo onde meditamos um pouco sobre quem é o Senhor Jesus Cristo. Saber quem é Jesus tem tudo haver conosco. É da confissão e da ideia que temos de Jesus que saberemos se temos salvação ou não.
Essa semana temos a Quarta-feira de cinzas, dando início ao período da Quaresma, tempo de olhar para dentro e se rever, clamando pela misericórdia de Deus. Talvez não saibam disso, mas é por isso que o Carnaval acontece antes da Quarta-feira de cinzas, onde o pessoal quer aproveitar os prazeres da carne para, depois, se arrependerem na Quaresma até a Páscoa. Obviamente, esse tipo de pensamento é ignorante e completamente distante da fé que temos em Deus.
A carta de Pedro é a última carta escrita do Novo Testamento. Não é a última a estar no NT (pois é Judas), mas 2ª Pedro foi a última carta escrita. E as cartas do Novo Testamento não eram escritas “porque deu vontade”. As igrejas precisavam de orientação sobre diversos assuntos. Por isso, escreviam-se e se enviava essas cartas que orientavam e corrigiam o povo na sua fé! Enviavam um WhatsApp para que o povo permanecesse na Verdade de Deus.
Embora a carta receba o nome de Pedro, estudiosos supõem que não foi ele quem a escreveu. Pedro, como sabemos, era um pescador, uma pessoa simples e humilde. Já a linguagem da carta é muito culta. Mas independente disso, o conteúdo da carta continua sendo importante, tanto fazendo quem a escreveu. A mensagem de 2ª Pedro permanece sendo importante, tendo Pedro a escrito ou não.
E, hoje, no último Domingo após Epifania, essa carta quer falar conosco a respeito de quem é o Deus que nós cremos.
A carta foi escrita para corrigir problemas doutrinários. O que estava acontecendo que havia muito ensino errado dentre as primeiras comunidades cristãs. A doutrina não é outra coisa senão o ensino correto, um passar adiante correto daquilo que se crê. Isso não estava acontecendo. O que acontecia era o ensino incorreto, que, na história da Igreja recebeu o nome de Heresia.
Se a primeira Carta de Pedro tinha como foco o sofrimento, a Segunda Carta está focada no conhecimento. Os cristãos da Igreja Primitiva precisavam ser lembrados sobre quem era Jesus. Pedro (se foi ele quem escreveu), era um testemunha ocular. Ele mesmo foi chamado por Jesus. Juntamente com os outros discípulos, conhecia Jesus como ninguém. Se havia alguém para falar com autoridade sobre quem era Jesus, esse era Pedro.
Em um momento do Ministério de Jesus, o Senhor perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do homem?” (Mt 16.13). Foi Pedro quem respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16.16). Pedro ouviu do próprio Senhor Jesus: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que te revelaram, mas meu Pai que está nos céus.” (Mt 16.17). Pedro sabia exatamente quem era Jesus. Ele não sabia por ele mesmo, mas porque Deus revelou a Pedro quem é Jesus.
Agora, quase 30 anos após a morte e ressurreição de Jesus, Pedro é o homem mais indicado para testemunhar corretamente quem é o Senhor. Ele caminhou com Jesus por três anos, viu sua morte, viu sua ressurreição, viu sua Ascenção aos céus, viu Paulo pregar e a Igreja crescer.
As primeiras igrejas estavam imersas em dúvidas. Não sabiam qual ensinamento seguir. Não sabiam o que fazer. Havia um grande desvio dos ensinos corretos. Obviamente, isso acabou gerando também divisões dentro das igrejas. Alguns eram partidários de um Jesus. Já outros eram partidários de outro Jesus. Quais? Um Jesus só filósofo! Um Jesus apenas revolucionário! Um Jesus apenas humano!
Como mencionei no início, é da confissão de quem é Jesus que depende a nossa salvação. A salvação só é possível quando cremos e confiamos no verdadeiro Senhor Jesus Cristo, o único e suficiente Senhor e Salvador, conforme ele está testemunhado nas Escrituras, e não como nossa imaginação quer que ele seja!
Por isso, Pedro irá afirmar que seus ensinos não são fábulas inventadas (v. 16). Mas é testemunha ocular (que viu) o próprio Senhor Jesus. O mesmo Jesus que foi batizado no rio Jordão e da qual do céu veio a voz do Pai, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (2 Pedro 1.17). Se aquelas igrejas e nós queremos conhecer quem é Jesus, não devemos procurar em outro lugar a não ser nas Escrituras. É Somente as Escrituras que nos revelam, quem, de fato, é o Senhor Jesus Cristo e como ele deve ser ensinado de geração em geração, para que a salvação não se perca!
Após a morte de Pedro, o problema sobre quem era Jesus se agravou ainda mais. Aqueles que nunca tiveram um contato pessoal com o Jesus histórico não sabiam o que acreditar de Jesus. Surgem cristãos, até devotos, como Apolinário, Ário, Nestório e outros ensinando um Jesus que não combinava com aquele visto e testemunhado pelos discípulos. Por isso, estes homens, por mais devotos que fossem, foram declarados hereges, ou seja, pessoas que ensinavam errado e que não deveriam ser ouvidas.
Por causa destes problemas, a Igreja produziu credos, para resumir e destacar exatamente quem é o Senhor Jesus. Se olharmos, por exemplo, para o Credo Apostólico, veremos que a maior parte do Credo é aquela que fala do Senhor Jesus Cristo:
Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo Espírito Santo,
nasceu da virgem Maria,
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu ao mundo dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia,
subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém.
A maior parte é dedicada a Jesus porque é dele que depende a nossa Salvação. Se não soubermos quem é Jesus ou seguirmos um ensinamento errado sobre Jesus, corremos o risco de perder o caminho da Salvação!
O Credo Apostólico é o mais conhecido, mas ele não é o único que existe. Em 325 d. C. a Igreja produziu o Credo Niceno-Constantinopolitano que tem esse nome esquisito por ter sido produzido em um Concílio, ou seja, em uma reunião nas cidades de Nicéia e Constantinopla. Mais tarde, no século 4, surgiu também o Credo de Atanásio, um cristão devoto. São credos que não conhecemos. Inclusive, em alguns cultos, penso em trazer para que leiamos eles na projeção.
Em 451 d. C., em Calcedônia, os cristãos formulam um outro Credo falando apenas sobre quem é Jesus. Esse é o Credo que nós iremos confessar depois. É o último Domingo de Epifania, da Revelação de Jesus. Faz bem, hoje, sair daqui sabendo e confessando e ensinando corretamente quem é Jesus.
Fato é que hoje em dia também há vários “Jesuses” sendo ensinados de maneira correta: O “Jesus” da prosperidade; o “Jesus” das curas e milagres; o “Jesus” das bênçãos infindáveis; o “Jesus” apenas homem; o “Jesus” que é só paz e amor. Também hoje está sendo ensinado um Jesus bem diferente daquele que está nas Escrituras.
Há, por exemplo, o Jesus do desfile de Carnaval da Mangueira. Um Jesus que só tem haver com questões sociais, mas não com a salvação eterna. Um Jesus que não ressuscita, mas apenas pregou uma mensagem de amor aos “pobres e oprimidos da sociedade.”
Quanto a este Jesus, estranho às Escrituras, o P. Thiago Oliveira da Igreja Evangélica Livre do Brasil, escreveu (e preciso compartilhar):
Não, o Evangelho não estava na Sapucaí e o que a Mangueira mostrou não é o Cristo das Escrituras. O fato de Cristo ser mostrado entre os pobres não faz disto um retrato do que temos nos evangelhos canônicos. De fato, Jesus se fez carne e se fez pobre. Ele pregou para "periféricos" e escolheu 12 homens comuns para dar continuidade ao seu ministério. Mas... Não podemos santificar a pobreza e confundir as ideologias sociais com o Evangelho. Cristo foi rejeitado pelos "periféricos" de Nazaré. Foi abandonado pela multidão que tinha sido alimentada com pães e peixes quando ele começou a pregar aquilo que eles não desejavam ouvir. Os pobres estavam na turba dos zombadores no momento da crucificação. Os pobres também gritaram o nome de Barrabás... Diante do Cristo que é humano e divino, ninguém é justo. Pobres e ricos serão condenados caso não se convertam ao Jesus crucificado e ressurreto para perdoar pecados. Agora não é conversão a discurso ideológico que usa Jesus como um verniz para mascarar a idolatria que salvará. Isso é autoengano e só piora a condição de cegueira espiritual do pecador.
Não houve Evangelho na Sapucaí. Houve sincretismo (mistura indevida de religiões), houve sensualidade, houve blasfêmia e caricatura do Messias. Quem acha que Jesus estava no desfile da Mangueira e se diz cristão está precisando rever se está vivenciando seu cristianismo com as lentes da canonicidade ou das ideologias deste século.
Jesus não pertence a nenhuma ideologia. Ele não está em sambódromos, assim como não está em slogans de governo. Os cristãos no Brasil precisam dar um basta na ideologização da fé. As ideologias passarão. O Senhor e a sua Palavra jamais passarão.
Jesus pregou e andou sim com os pobres. Mas quando anunciou que o Reino de Deus não é deste mundo, foi abandonado e crucificado por todos, tanto ricos como pobres.
Precisamos saber quem é Jesus. Muitos pastores usam a desculpa da “interpretação”, dizendo que sua interpretação de Jesus é assim ou assado. Fato é que essa desculpa não salvará ninguém no dia em que todos os pastores terão que prestar contas a Deus.
Precisamos conhecer a Jesus! E só há um caminho para isso: Bíblia! Bíblia! Bíblia! O que o diabo quer é que você e eu nos afastemos do verdadeiro Jesus para que, assim percamos a salvação. Esse é um grande perigo!
Para o povo de Deus na Bíblia, conhecimento é relacionamento. Não há como conhecer a Jesus sem ter um relacionamento com ele. Sim! Pessoal! Íntimo! Sincero! Isso se faz através da leitura das Escrituras e da oração. Confiança!
Você confia em Jesus? Você sabe quem é Jesus? Você quer conhecer mais a Jesus?
Bíblia na cabeça e Jesus no coração.
Amém!