PregaçõesOnde? Ali!
Introdução: Desafio (ilustração): Leva-se consigo um frasco de mostarda fechado recém comprado. Faz-se uma pergunta óbvia: o que é isso que tenho na mão? A intenção não é fazer uma pergunta difícil, mas testar a coragem dos ouvintes. Quem responder primeiro ganha o frasco para si.
Muito bem, todos nós conhecemos a mostarda. É comum ela está em restaurantes, lanchonetes, ou até mesmo naquela comida especial que a gente faz em casa. Mas, quem conhece o grão da mostarda? E a árvore? Vamos abrir juntos o texto de Mateus 13.31-32 (ARA).
Leitura Bíblica “Bem aventurados são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a guardam no seu coração”. Amém.
Jesus conhecia a mostarda. Não da maneira como nós conhecemos hoje nos lanches, ou, quem sabe até sim. Jesus começa com essa parábola uma série de analogias sobre o Reino dos Céus. Ao se deparar com esse texto, logo nos perguntamos: o que será que ele quis dizer? Parece incompreensível.
O tema da parábola é claríssimo: o reino dos céus é igual ao grão de mostarda. Mas, espera aí, eu achava que era um pouco maior do que isso. Para quem não conhece o grão, eis uma foto (ou grão mesmo). É muito pequeno, na verdade, minúsculo. Como o reino dos céus pode ser igual ao grão de mostarda? Como o reino dos céus pode ser comparado com algo tão insignificante?
O texto diz que o homem recebeu esta semente a plantou no seu campo. É uma semente comum e da mesma forma o agricultor é uma pessoa comum. Ele vai à sua roça semear a tal semente. Essa semente, mais tarde, torna-se grande árvore. Até aí já estaria pronta a frase, mas não se fica apenas nisso. Fala-se muito mais sobre o assunto.
Diz-se que a semente é a mais pequena das sementes. Isto é, não é apenas uma semente qualquer, mas é a mais pequena de todas elas, pelo menos figuramente. Essa é a sementinha do grão de mostarda: simples, frágil, banal, delicada, ordinária. Essa sementinha de nada leva cerca de três até dez dias para germinar. Depende do ar frio e da terra húmida. Quem sabe, São Bento do Sul seria um dos lugares ideais para o seu plantio. Jesus sabe dessas coisas, bem como da simplicidade de tal semente.
Entretanto, essa minúscula sementinha, sempre que é crescida se torna uma grande árvore. Aliás, a maior de todas as árvores. Irônico não? A menor de todas as sementes se torna a maior de todas as árvores! Jesus faz questão de fazer esta comparação. Quem diria que daquela “sementinha de nada” brotaria uma árvore sem igual. A árvore se torna tão grande e bonita que os passarinhos fazem nela os seus ninhos. A minúscula sementinha se torna uma grande árvore aconchegante.
Bom, o que isso tudo tem a ver com o reino dos céus? Será o reino, então, algo progressivo que cresce como a semente e que um dia se torna tão grande quanto a árvore citada no texto bíblico? Não.
O mundo em que vivemos, mundo criado por Deus, é um mundo de muitos males, sofrimento e dores. Os crentes não vivem fora deste mundo, mas justamente dentro dele. Em meio às dores e sofrimentos diários, podemos perguntar: onde está Deus? Ou: Onde está o reino de Deus /dos céus? Mesmo ali onde não esperamos, ali está o reino de Deus. Mesmo onde as dores nos atormentam, ali está o reino de Deus.
O reino de Deus não é conhecido na sua plenitude, mas ele já existe na sua plenitude. Onde está a árvore? Dentro daquela minúscula sementinha. Da mesma forma o reino de Deus: parece-nos uma minúscula sementinha que quase não podemos viver. As dores diárias quase ofuscam nossos olhos e quase não podemos ver o reino dos céus, mas ele está todo ali. Aquela sementinha de nada tem potencial para aquela grande árvore. Esse reino de Deus é já agora; ainda não. Ainda que não vejamos direito, o reino dos céus está ali.
Os cristãos já fazem parte desse reino que um dia será pleno, mas que agora é visto apenas como sementinha cuja árvore está dentro. Um reino inestimável, mas também humilde como a sementinha. Aquilo que se é o mais difícil de ver acaba se tornando o mais visível. Seja como for, o reino de Deus está ali onde você está e naquilo que você sofre. As dores do mundo parecem apagar e ofuscar nossa visão de reino, mas ele continua ali. Mesmo que não seja visto completamente, ele está diante dos nossos olhos. Como muito bem diz o professor Werner Wiese: isso não pode ser visto com os olhos da cabeça, mas somente com os olhos do coração.
Ao mesmo tempo, esse reino é confortável em meio à inconfortância deste mundo. Hoje eu não vejo, mas os pássaros continuam fazendo ninhos nessa árvore. O reino de Deus como semente e árvore continua a gerar vida no mundo, nas pessoas que o recebem. Essa semente não precisa do cuidado e da obra humana para crescer: ela cresce em si. Não adianta o ser humano querer colocar adubo, esterco e outras coisas: o seu crescimento é determinado por Deus.
Da mesma forma, o ser humano não consegue, com seus tijolos, construir esse reino: ele em nada pode ajudar. Esse reino é dado de graça ao ser humano que é convencido de seu mal, de sua insuficiência, de seu pecado. Quando o ser humano reconhece que ele não se basta, que ele precisa de alguém outro. A nossa força de nada adianta para a entrada no reino de Deus. Na nossa própria força, como disse Lutero, estamos perdidos. Por isso, o reino de Deus não se constrói; se recebe!
Esse reino é dado de graça, não há o que pagar, não há ingresso: é só receber. Basta aconchegar-se como os pássaros. O crescimento do reino é determinado pelo Senhor e não pelo ser humano. Ao ser humano, basta contemplar o reino e recebe-lo como pequeno grão que se torna árvore. Ele é bem grande, pode entrar muita gente.
Mas, falando em reino, está faltando alguma coisa, não é? O que é essencial em um reino que não foi mencionado até o momento? O REI.
O reino dos céus foi inaugurado por Jesus Cristo na cruz. Ali ele pagou o preço da nossa entrada. Nós não haveríamos como entrar, somos pecadores. Cristo assume nosso pecado e nos permite entrar no seu reino.
Esse rei não é como outros reis, mas é o rei humilde que vem a nós montado em um jumentinho, cria de jumenta, é o rei que sabe o que seus súditos sentem, pois se fez súdito para sentir as dores humanas. Esse rei é justo e puro. Nesse reino não existe corrupção, pois Deus é quem governa com justiça pura. Nesse reino não é necessário pagar impostos, pois o preço foi pago. É totalmente de graça! O trono do nosso rei foi a cruz. Ali está nosso rei. Por isso, justamente nas dores e sofrimentos onde não conseguimos ver o reino de Deus, ali está ele com seu rei. Não se trata de um reino de bem sucedidos, mas de pecadores. Já agora; ainda não. O reino de Deus não se constrói; se recebe. E não termina aqui, um dia estaremos na plenitude do reino onde já não haverá mais dores e sofrimentos. Deus, o ser humano querendo ou não, possui o domínio sobre todas as coisas. Podemos não ver, mas é assim. A mais pequena se torna a mais grande.
Eu desejo que nós possamos viver na dimensão do reino de Deus mesmo onde não o vemos, mesmo quando sentimos sua falta. Desejo que não tentemos construir o reino com nossa força, mas recebe-lo na nossa fraqueza. Desejo que saibamos que nosso rei governa, mas como rei humilde e salvador, montado em jumentinho, cria de jumenta.