PregaçõesOs Clientes do Restaurante
Amados irmãos, amadas irmãs,
chegamos hoje a mais um capítulo da nossa série de pregações “O Restaurante” onde temos aprendido tantas coisas sobre o que é a Igreja.
Há dois Domingos, conversamos sobre os “Donos do Restaurante” que são o Pai, o Filho e o Espírito Santo; no Domingo passado, falamos sobre a estrutura do restaurante onde destacamos a recepção, a cozinha (Palavra) e o pagamento (contribuição). Através desta série, Deus tem ensinado muitas coisas nós sobre os seus planos para a Igreja.
Hoje estamos em nosso terceiro capítulo onde queremos falar dos clientes do restaurante. Em um restaurante, há a circulação de diversas pessoas de diversos lugares. Há um trânsito de pessoas no restaurante. Aqui já temos uma grande diferença da Igreja que precisa ser destacada: no restaurante, poucas pessoas se conhecem. Cada um procura um lugar para sentar-se, olha-se o cardápio, faz-se o pedido, come-se, paga-se e vai-se embora. Já na Igreja de Jesus Cristo, a proximidade é um pouco maior, afinal de contas, não somos desconhecidos, mas irmãos e irmãs através da fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Na Igreja de Jesus, até aqueles que não conhecemos são nossos irmãos e irmãs.
Há uma maneira bem clara, deixada por Jesus, para se tornar um “cliente” do restaurante, ou seja, um membro da Igreja de Jesus. Isto inclusive tem ligação com o tema da IECLB para este ano: Batismo! O batismo é a maneira pela qual passamos a pertencer à Igreja de Jesus, não apenas no âmbito local, mas no mundo inteiro. Hoje vamos nos aprofundar neste tema tão importante e essencial.
Através desta pregação, pedimos que Deus nos oriente a descobrirmos como podemos ser verdadeiros membros da Igreja de Jesus e também compreendermos o que pode estar equivocado na nossa visão de participação na Igreja. Assim, temos uma oportunidade singular de aprendemos mais da sua palavra e de nos reconhecermos como participantes ativos da família da fé.
1 O QUE NÃO É SER CLIENTE DO RESTAURANTE
Ser cliente do restaurante não é uma religião. Ser cliente do restaurante não é cumprir uma série de ritos e tradições e está tudo certo. Os ritos e tradições complementam a fé, mas não podem assumir o seu lugar. Não é a religiosidade que leva a Jesus, pois o ser humano é incapaz de fazer qualquer coisa boa diante de Deus, por mais que tente. A participação no restaurante por pura tradição é uma mentira para a salvação.
Diz um ditado que “Deus não tem netos, só filhos”. Talvez, participamos do restaurante porque nossos pais, avós e bisavós também participavam. Sempre vieram nesse restaurante; nunca foram a outro. Isso em si não é problema. Frequentar a igreja por herdar esse costume não é um problema. O problema é quando isso mata a fé. Quando tudo é feito por mera repetição, mas sem compreender o real significado.
Há poucos dias o P. Sergio Selke conversou conosco sobre isso no Janelas da Esperança. Ele citou o exemplo do filho que perguntou ao pai: - porque quando chegamos na igreja, antes de sentarmos, ficamos de pé em silêncio? O Pai respondeu: - Filho, eu conto até dez e sento. Ou o exemplo do peixe: Uma mulher foi fritar um peixe e cortou o rabo fora; a filha perguntou por que ela fazia isso. A mãe disse à filha disse que foi assim que aprendeu da sua mãe. Então a filha foi conversar com a avó. A avó também disse que aprendeu a fazer assim com a sua mãe. Aquela menina ainda tinha a bisavó, então foi perguntar a ela porque o rabo do peixe era cortado fora. A bisavó explicou que antigamente não possuía uma frigideira muito grande e o peixe não cabia, por isso cortava o rabo. Porém, sua filha e neta já tinham frigideiras maiores, mas continuavam cortando o rabo do peixe por simples costume e repetição.
Por isso, precisamos perguntar pela importância da Igreja na nossa vida. Afinal de contas, o que a igreja significa para nós? Frequentamos por mera tradição, costume, repetição? Ou porque lá temos um encontro especial com Deus?
Parte disso é o problema que o apóstolo Paulo precisou resolver com os Gálatas. A comunidade havia se perdido em tradições que, na visão de Paulo, não haviam significado algum à comunidade. A verdade é que a comunidade era formada por não judeus. Porém, alguns judeus tentavam introduzir suas tradições à força na comunidade. Entre estas tradições, a circuncisão onde uma pele do órgão genital masculino era cortada no 8º dia após o nascimento.
Isso não significa que a tradição não era importante para os judeus; mas os gálatas não eram judeus. Não adiantava importar e impor uma tradição que não era natural a eles. Paulo, então, precisa escrever uma carta com seis capítulos para tentar corrigir esse problema. Paulo diz aos gálatas: “Estou muito surpreso em ver que vocês estão passando tão depressa daquele que os chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual, na verdade, não é outro. Porém, há alguns que estão perturbando vocês e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu pregue a vocês um evangelho diferente daquele que temos pregado, seja maldito. Como já dissemos, e agora repito, se alguém está pregando a vocês um evangelho diferente daquele que já receberam, que esse seja anátema. (Gl 1.6-9).
Deus não tem netos; só filhos. Não importa se seus pais, avós, bisavós, tataravós ou seja quem for eram membros da igreja. O que importa é o seu compromisso pessoal com Cristo. Ninguém pega carona na salvação através do que os antepassados fizeram. A salvação está somente em Cristo e é ele quem nos leva ao céu. Este compromisso é seu, é pessoal, com ele. Seus pais e avós podem ter sido ótimos cristãos, para a glória de Deus; porém, o determinante da tua salvação não é o que eles eram, mas o que você tem sido: filho de Deus ou não!
Acabamos de descobrir o problema. Acabamos de dizer qual é a doença dos clientes do restaurante. Agora, queremos conhecer o remédio:
2 O QUE É SER CLIENTE DO RESTAURANTE
Afinal de contas, o que é ser cliente do restaurante? O que é pertencer à Igreja de Jesus? Se não é apenas uma tradição ou uma herança, como pertencer ao Reino de Deus?
A resposta inicial é: NADA! Você não faz nada! Deus faz tudo! Deus entregou seu único Filho para morrer na cruz em nosso lugar. Ele nos substituiu na cruz! Ele fez tudo! Do alto da cruz, Jesus gritou suas últimas duas palavras: “Está consumado!” Não há jeito de participarmos do restaurante por conta própria; por isso Jesus derramou seu sangue na cruz por nós.
Mas antes disso tudo, Jesus aprendeu com João Batista uma prática para que seus seguidores pertencessem ao restaurante. Essa prática é o Batismo! Já não era mais necessário cortar o órgão genital masculino no 8º dia após o nascimento. Agora, a Aliança de Deus conosco é lembrada através do batismo. Quem batiza não é o pastor, padre ou a igreja; quem batiza é o próprio Deus.
O batismo é sinal de arrependimento e perdão (Atos 2.38) e união com Cristo (Gálatas 3.26-27), tanto em sua morte como em sua ressurreição (Romanos 6.3-5). O batismo não é uma mera tradição. O batismo é uma ordem deixada por Jesus (Mateus 28.16-20). Através do batismo, “as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5.17).
Todo batismo é no Espírito Santo. Sem o Espírito Santo, não há batismo (Jo 3.5; At 2.38; 9.17-18; 10.47; 1 Co 12.13; 2 Co 1.22; Ef 1.13; Tt 3.5). Através do batismo, é afogada a velha pessoa e renasce uma nova pessoa revestida da justiça de Deus (Romanos 6.4). Se é Deus quem efetua o batismo, ele não tem idade. Não depende de compreendermos o que está acontecendo. Pode ser de criança ou de adulto, desde que seja um só batismo (Efésios 4.5).
O Reformador Lutero diz: “o velho ser humano, concebido e nascido em pecado, é afogado, e um novo ser humano, nascido na graça, surge e se levanta”1 E também: “é preciso que te comprometas a perseverar nisso, destruindo, enquanto viveres, teu pecado mais e mais, até à morte”2. Portanto, ser cliente do restaurante não implica apenas em receber o batismo, mas também em VIVER O BATISMO.
Jesus afirma em Marcos 16.16: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” O batismo é o presente da salvação; o crer é o abrir do presente da salvação. É viver o presente do batismo, a presença e o amor a Deus diariamente.
Isso é ser cliente do restaurante. Não apenas vivenciar comunidade uma vez por semana, mas possuir um relacionamento diário com os seus donos: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. No Livro de Batismo da IECLB, diz: “Pessoas pertencem a uma comunidade cristã porque foram batizadas. Portanto, a Igreja nasce do batismo”3. Ao contrário do que costumeiramente acontece, o “batismo não é o ponto final, mas o ponto inicial de uma existência de fé”4. Para a IECLB, “o batismo e a dádiva do Espírito Santo estão direta e estreitamente vinculados”5, pois “a Igreja é o lugar onde atua o Espírito Santo. Não se pode ingressar na Igreja sem ter parte na dádiva do Espírito Santo”6.
E caminho para a conclusão citando João 1.11-12: Jesus “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome.” Todos são filhos de Deus? – Ah, eu também sou filho de Deus... Depende se crê em Jesus Cristo. Jesus não disse que as pessoas são filhos/as de Deus por tradições; mas pelo crer! Crer é decisivo!
Creia em Jesus. Hoje mesmo chega diante dele em verdadeiro arrependimento, confessando a ele todas as tuas falhas. Diz a ele: faz o que não consigo fazer. Dá-me tua salvação. Dá-me o dom de crer! Que Deus transforme a tua vida.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus, amém.