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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Portas abertas para uma mesa de comunhão.Pregações

Os Donos do Restaurante

Amados irmãos, amadas irmãs,

iniciamos hoje uma série de pregações onde Deus vai nos ensinar muitas coisas sobre a Igreja Cristã. Temos o tema “O Restaurante” como uma comparação para compreendermos melhor como o próprio Deus sonhou como deveria ser a sua Igreja.

Hoje queremos falar sobre os donos da Igreja. Eles são fantásticos. São pessoas amáveis. Os donos não são apenas unidos apenas pelo restaurante, mas, de um modo incomum, pelos laços do amor. Os donos são iguais e existem desde sempre. Entre os donos, não há maior ou menor, mas todos os três compõem uma sociedade perfeita. Esta sociedade é fundamentada pelo vínculo do amor.

Os donos são diferentes, mas o vínculo do amor os torna pertencentes a uma mesma essência. Os três são tão unidos que chegam a se tornar um só. Os três donos possuem diferenças entre si, mas são unidos ao ponto de serem visto como um só. O amor dá a fundamentação da relação mútua entre os donos. Os três donos possuem uma comunhão perfeita, total, de vida e amor, mesmo sendo diferentes. Os três donos (que já vamos conhecer ou você já desconfia de quem são) não são unidos meramente por terem a mesma ideia, mas são unidos através de um relacionamento único na qual nenhum dos três está subordinado. Os donos pertencem um ao outro mutuamente.

Ao mesmo tempo, o restaurante e a propriedade do restaurante não podem ser limitados apenas a um dos donos, mas ao mencionar um, inevitavelmente estaremos falando dos três. Os donos do restaurante pertencem a uma equipe única.

Hoje é o Domingo da Trindade. E, obviamente, os donos do restaurante são o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Eles são os donos da Igreja/restaurante. Sem a Trindade e sua relação de amor, não haveria o restaurante / a igreja. É através do vínculo que existe entre as pessoas da trindade que pode haver também amor entre aqueles que frequentam o restaurante. E não há diferenças entre as Pessoas da Trindade. O Pai não é maior que o Filho; o Pai e o Filho não são maiores que o Espírito Santo. As três pessoas são iguais e conduzem o restaurante igualmente em seu amor. Vamos conhecer melhor os donos:

1 O RESPONSÁVEL PELO INÍCIO

Há muitas palavras para falar do Criador do restaurante. Alguns o chamam de Todo-Poderoso, outros de Eterno, outros de Senhor, outros de Rocha Eterna. Mas Jesus tinha outra palavra em mente: Pai! E Jesus diz: Pai Nosso!

O Pai é o criador do restaurante. Sem o Pai amoroso, o restaurante ou os clientes não existiriam. Martinho Lutero irá afirmar que a Igreja nasceu no dia da criação. Para Lutero, a igreja já está presente em Gênesis como comunhão de pessoas. A Igreja não é apenas uma invenção do Novo Testamento, mas sempre esteve nos planos de Deus. O restaurante (a Igreja) existe porque o Pai a criou. Quando Deus se relaciona com o ser humano, ali está a Igreja, no meio das tentações que provocam o ser humano a abandonar seu relacionamento com Deus.

O primeiro dono do restaurante é o criador do ser humano. Ele usou de sua vida e palavra para criar a vida. Mas apenas o ser humano foi criado à imagem e semelhança do Criador. O mesmo criador também percebeu a solidão do ser humano e deu a ele uma companheira que lhe era semelhante. Como os donos são uma relação mantida pelo vínculo do amor, também o ser humano poderia desfrutar do vínculo do amor onde a outra pessoa não é apenas um estranho, mas um semelhante, alguém igual a eu mesmo.

Entretanto, o ser humano não quis ouvir a voz do primeiro dono. Ao contrário, entregou-se a ouvir aquilo que a serpente diz em suas mentiras e artimanhas. Por isso, o ser humano se afastou do Criador e perdeu a comunhão com Ele. O ser humano passou a ser alguém com um olhar apenas para o seu próprio umbigo. Sua natureza se tornou pecaminosa e por isso começou a praticar o pecado, trazendo mal e desgraça à criação do Pai. O amor foi substituído pelo egoísmo, pela indiferença e pelo ódio.

Deus criou o ambiente e o restaurante para serem um lugar de comunhão com a criação na qual o próprio Deus vem ao ser humano para se relacionar com ele. Porém, o ser humano quebrou essa comunhão ao tentar destronar e assumir o lugar do Pai, mesmo não podendo criar nada do nada.

Mas este é apenas o primeiro dono do restaurante. Sua ação não se limitou a criar. Ao contrário, ele também é o mantenedor da criação para que ela não sucumba nas mãos do ser humano pecador. Por isso nos diz o Salmo 24.1: “A terra e a sua plenitude são do Senhor.”

2 O RESPONSÁVEL PELO SERVIÇO

O Segundo Dono do Restaurante é conhecido como Senhor, Salvador, Redentor. Ele é igual ao Pai, nem maior e nem menor. O Filho criou o mundo com o Pai. O Filho não aparece apenas no Novo Testamento, mas já estava com o Pai desde a Eternidade. O Filho é eterno com o Pai.

É por meio do Filho que o Pai criou o mundo. Assim nos diz João 1.1-4: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.” Ele sempre esteve com o Pai. É o Verbo. É a Palavra criadora do Pai. O Pai disse haja luz, e houve luz. O Pai criou tudo pela Palavra. João nos revela que esta Palavra usada por Deus é Jesus. O Pai criou tudo com o Filho. Tudo o que nós vemos (e não vemos) é criação do Pai em comunhão com o Filho. O Filho é co-criador com o Pai.

Porém, por causa da desobediência do ser humano, o Filho decidiu assumir um papel diferente. Sem deixar de ser dono, ele também se torna um garçom. O Filho não deixa de ser Filho; o Filho não deixa de ser Deus; mas o Filho se tona, ao mesmo tempo, ser humano. O Filho assume a tarefa do serviço. O Dono do Restaurante se torna um garçom.

João prossegue no v. 14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” O Filho por meio de quem o Pai criou tudo o que existe se tornou um ser humano de carne e osso como eu e você. Pode ser visto, tocado, crucificado. Não veio para impor seu poder ou sua autoridade como dono do restaurante, mas se fez um garçom (diácono) para servir. Diz Marcos 10.45: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Jesus é o dono que se faz garçom. Paulo complementa em Filipenses 2.7: “Ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana.” Jesus é Deus que se faz gente.

É o garçom que morre amorosamente na cruz para que o problema de Adão e Eva fosse solucionado. Entrega-se como sacrifício vivo para que o ser humano possa novamente ter um relacionamento com Deus. O Filho é o centro da Trindade. Dos donos do restaurante, ele é a figura central. Igual ao Pai e igual ao Espírito Santo.

3 O RESPONSÁVEL PELO MARKETING

O terceiro dono do restaurante é igualmente poderoso e amoroso como os donos anteriores. Também Ele existe desde sempre e sempre existirá com o Pai e o Filho. Há alguns nomes para ele: Santificador, Consolador. É o Espírito Santo de Deus. É a Terceira Pessoa da Trindade.

O Espírito Santo, o Terceiro Dono, é ar, é movimento. Não vemos o Espírito Santo, mas sabemos das suas ações. O Espírito Santo, age nas pessoas para que tenham um novo coração. Ez 36.26-27 diz: “Eu lhes darei um coração novo e porei dentro de vocês um espírito novo. Tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei dentro de vocês o meu Espírito e farei com que andem nos meus estatutos, guardem e observem os meus juízos.” É através do Espírito Santo que pode haver mudança na vida do ser humano. O Espírito Santo aponta para Jesus e nos faz confessar que Jesus é o Deus que se fez carne, conforme 1 João 4.2.

O Terceiro Dono é extremamente atualizado. Ele conhece tudo o que aconteceu com o Filho e transmite a nós como se não houvesse um intervalo de dois mil anos no meio. O Espírito Santo atualiza o que aconteceu com Jesus para o hoje como se Jesus tivesse sido morto e ressuscitado hoje por nós. O Espírito Santo nos convence do nosso pecado ao nos levar diante do Filho que se fez garçom e foi crucificado.

Por isso, o Espírito Santo é o responsável pelo marketing. É ele quem nos convence que precisamos do restaurante (ou seja, da Igreja). É o Espírito Santo quem nos convence que precisamos do Filho (Jesus Cristo). É o Espírito Santo quem nos convence que não há salvação em nenhum outro lugar a não ser na Santa Igreja Cristã, o restaurante. O Espírito Santo é quem nos convence a confessarmos o Filho como Senhor e Salvador das nossas vidas. Sem o Espírito Santo, sequer saberíamos da existência do Restaurante (ou seja, da Igreja). Só ele é capaz de convencer e mudar o coração do ser humano. Por isso, o marketing não é apenas na aparência, mas na essência. O Espírito Santo é capaz de mudar a vida do ser humano de dentro fora.

Ele foi derramado sobre os discípulos e está na Igreja até hoje. É ele quem gera a comunhão entre os clientes do restaurante (ou seja, entre os membros da Igreja). É ele quem transmite o vínculo de amor que existe entre Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é procedente do Pai e do Filho. Ele sopra onde quer! Não pode ser controlado!

CONCLUSÃO

Estes são os donos do restaurante. O restaurante é a Igreja. Nós não somos os donos da Igreja. O único dono da Igreja é o próprio Deus. E na sociedade das três pessoas através do vínculo do amor, Deus tem conduzido sua Igreja ao longo dos anos.

O Pai cria e mantém; o Filho salva e redime; o Espírito santifica e consola. É assim que podemos nos sentir bem no “restaurante”, pois é o próprio Deus quem nos acolhe e recebe calorosamente. Quando vamos ao restaurante de Deus, sabemos que ali temos lugar.

Acima de tudo, não apenas vamos à igreja, mas somos Igreja. Todos aqueles que creem e confessam a Jesus Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador pessoal pertence à Igreja de Cristo em qualquer lugar do mundo. Fora da Igreja Cristã não há salvação!

Conhecendo os donos do restaurante, que possamos amar cada vez mais o restaurante. Conhecendo os donos da Igreja, que possamos amar cada vez mais a Igreja. O Deus Triúno, Pai, Filho e Espírito Santo, é que nos acolhe calorosamente. Não viemos ao culto apenas para servir a Deus, mas para sermos servidos por ele na Palavra e nos Sacramentos. Cremos no Deus que serve!

O mesmo Trino Deus abençoe a nós e nossas famílias.

Amém.