PregaçõesPerguntas e Respostas
Amados irmãos, amadas irmãs,
vai começar o Show do Milhão. Você se lembra deste programa de televisão? Talvez sim, talvez não. Era um programa fantástico. Lembro-me que lá em casa ficávamos colados na frente da TV mesmo até tarde da noite para descobrir se alguém conseguiria responder a todas as perguntas e ganhar então Um Milhão de Reais. Havia quem ganhava o prêmio, havia quem chegava perto e havia também alguns que era até triste de assistir. Em uma época em que não havia internet, era uma maneira de se distrair um pouco: assistindo outras pessoas na possibilidade de ganhar um bom prêmio, mas também de contarem para todo o Brasil as suas histórias de vida. Descobri até que existe aplicativo do Show do Milhão que pode ser baixado no celular para ser jogado quando quiser. Só não faço isso pra não correr o risco de ficar viciado kkkkk.
Não sei você, mas particularmente eu gosto muito deste tipo de programa. Quando criança assistia muito o tal do Passa ou Repassa com as tais tortas na cara. Esse quadro existe até hoje, mas me parece que naquela época era bem melhor. Lembro-me que iam crianças de várias escolas participar do programa e era um momento de bastante aprendizado. Preciso confessar que gosto muito desse tipo de programa. Não sei o motivo. Não é sempre assim, mas se você me visitar após às 16h de Sábado, provavelmente você vai me pegar assistindo ao Caldeirão do Huck onde tem os quadros Quem Quer ser um Milionário?, Tem ou não Tem ou o jogo das bolas, o The Wall.
Nestes programas, podemos testar os conhecimentos e também aprender coisas novas. Inclusive, como gosto de assistir esse programa, já reparei que muitas vezes as pessoas estão indo muito bem no jogo, respondendo a todas as perguntas e acertando e, de repente, vem uma pergunta sobre religião. É incrível! Demoraria muito para pesquisar porque teria que achar vários programas gravados na internet, mas é muito interessante como pessoas que estão indo bem, de repente são eliminadas do jogo por não souberem responder alguma pergunta religiosa, muitas bem simples. Já vi em vários desses programas pessoas serem eliminadas por falta de conhecimento básico de Bíblia. Como teólogo e pastor, fico muito revoltado kkkk.
Há dois mil anos atrás também estava acontecendo um “jogo de perguntas e respostas” bem curioso. Não se tratava de um jogo que queria promover o conhecimento, aprofundar o aprendizado ou enriquecer a sabedoria. Não! Era um jogo perigoso onde se a resposta não fosse aquela que agradasse aos ouvidos, a pessoa seria condenada a morrer na cruz. Perceba: não era a resposta certa que os perguntadores queriam, mas a resposta que lhes fizesse bem, que se encaixasse nos seus esquemas, nas suas opiniões, nas suas verdades religiosas.
Primeiramente, esse “jogo perigoso” acontece entre Jesus e os Saduceus. Havia vários partidos religiosos na época de Jesus. Cada partido desses tinha a sua ideia de como seria a vinda do Messias prometido pelos profetas. Os saduceus esperavam uma coisa, os fariseus outras, assim por diante. Esses partidos religiosos inclusive discutiam e brigavam muito entre si para ver quem de fato estaria certo. Fato é que apenas a própria vinda do Messias é que poderia revelar quem estava certo e quem estava errado. Os saduceus eram aliados do governo romano e eram muitos sacerdotes; já os fariseus obrigavam a todos a seguir a lei na risca. Lei aqui se refere aos cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Eles acreditavam que era assim que se daria a vinda do Messias prometido. Havia também outros partidos religiosos, cada um com sua opinião e visão. Entre eles havia muitas discussões, debates e brigas. No final do Antigo Testamento e antes do Novo Testamento temos esses diversos grupos religiosos lutando e debatendo para ver quem de fato estava correto na sua interpretação das Escrituras. A grande verdade é que muito da doutrina deles era apenas humana e não uma doutrina nascida das Escrituras.
Então, nasceu Jesus. Ele cresceu, formou-se e foi batizado no Rio Jordão por João Batista. A partir do seu Batismo, Jesus iniciou o seu Ministério que durará três anos. A proclamação é que ele é o Messias prometido pelos profetas do Antigo Testamento. Ele seria o descendente de Davi, aquele que iria salvar definitivamente o povo de Deus. Havia muita expectativa em relação a esse tal de Jesus. Expetativas bem exageradas!
A grande questão é que Jesus provocou uma crise em todos os partidos religiosos dos judeus. Ele não era nada do que nenhum daqueles partidos esperava. Quem olhava para ele não percebia nada diferente de qualquer ser humano comum. Não tinha nem um tipo de pompa, riqueza, nobreza. É alguém que nasceu em um coxo de animais em um paiol cheio de fezes e urina. Esse é o Messias? Os partidos religiosos entraram em crise. Jesus não poderia ser o Messias. Não havia nada nele que comprovasse o fato.
Fato é que Jesus não apenas é o Messias prometido pelos profetas no Antigo Testamento, mas ele é o próprio Deus que se materializou e se fez gente como a gente. Jesus não era apenas um homem, mas o próprio Deus encarnado. Jesus é a encarnação de Deus. Não era apenas o Filho de Deus, mas o próprio Deus, a 2ª Pessoa da Trindade. Tanto os saduceus como os fariseus entraram em colapso. Aquele homem poderia até ser muitas coisas, menos Deus na visão deles. Fato é que seus conhecimentos ao invés de abrirem os seus olhos, na verdade os cegaram por completo. O próprio Deus estava diante deles, mas eles preferiram continuar acreditando nas suas próprias verdades que lhes dava satisfação. Deus é Deus e pode surpreender a nós de um modo que nem imaginámos.
O Messias veio diferente do que eles imaginavam e esperavam, mas não deixou de cumprir a Lei. O próprio Senhor Jesus Cristo diz em Mateus 5.17: “Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir.” Jesus é o pleno cumprimento da Lei que os saduceus e fariseus não conseguiam enxergar embora estivesse bem claro e diante de seus próprios olhos. O apóstolo Paulo (que em sua formação era um fariseu) nos diz em Romanos 10.4: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.” Jesus não veio para revogar o Antigo Testamento, mas para o cumprir na sua vida e pessoa. Por que temos o Antigo Testamento na Bíblia? Porque todo o Antigo Testamento aponta a desgraça que é o ser humano tentar se salvar por si mesmo e não conseguir; o Antigo Testamento aponta que embora houvesse as leis, o povo não conseguia cumprir. Por isso o mundo precisava de um Salvador que cumpriria toda a Lei e morreria no lugar do pecador. O Antigo Testamento está na Bíblia para nos mostrar que precisamos do Salvador porque não podemos fazer NADA por nós mesmos! Ele é o próprio Cordeiro sacrificado no altar da cruz para que tenhamos Salvação. Sem o Antigo Testamento, não entendemos a vinda de Jesus e o motivo de existir um Novo Testamento.
Isso é muito importante, mas os próprios contemporâneos de Jesus não conseguiam compreender isso. Aliás, interessante que o povo em grande medida estava com Jesus. As pessoas simples como os pescadores; aqueles que ninguém queria por perto como os cobradores de impostos; enfim, toda gente desprezada andava com Jesus. Mas estranhamente aqueles que achavam que eram alguma coisa e que diziam conhecer muito bem a Lei e os Profetas não conseguem enxergar o próprio Deus que estava em pessoa na frente do nariz deles. Permaneceram olhando apenas para o próprio nariz!
E então aconteciam esses jogos de perguntas e respostas. Os saduceus e fariseus não queriam aprender de Jesus, mas queriam pôr Jesus constantemente à prova. Esse era o seu interesse principal. A ideia era fazer alguma pergunta tão difícil que Jesus não pudesse responder para então desmascarar Jesus e acabar com essa farsa de Reino de Deus. Essa era a missão dos fariseus e escribas. Era só isso que eles sabiam fazer. Eles se alimentavam mais e mais das suas convicções e não conseguiam olhar para a revelação de Deus que estava à sua frente. Jesus, porém, sempre ia bem nesses jogos de perguntas e respostas.
Antes do texto que ouvimos a confirmanda Luana ler, houve esse jogo entre Jesus e os saduceus. A discussão era em torno da ressurreição dos mortos. Obviamente, os saduceus perderam feio na discussão para Jesus. Jesus era profundamente conhecedor da Lei e tinha as respostas certas na ponta da língua. De fato, os saduceus não conseguiram muita coisa, tanto que o nosso texto inicia, dizendo no v. 34: “os fariseus, sabendo que Jesus havia silenciado os saduceus, reuniram-se em conselho.” É isso que Mateus registra: os argumentos de Jesus silenciaram os saduceus em sua sabedoria humana. Após o diálogo, os saduceus ficaram como? Quietinhos pra não passarem ainda mais vergonha.
Então os fariseus entraram no jogo. Quem sabe eles poderiam ganhar a discussão e ficarem com o mérito de desmascararem esse tal de Messias. A intenção dos fariseus era muito clara, como nos diz o v. 35: “E um deles, intérprete da Lei, querendo pôr Jesus à prova.” A intenção era maliciosa. A intenção da pergunta não era aprender, mas humilhar. Isso inevitavelmente me lembra da serpente no jardim do Éden, quando ela pergunta: “ – É verdade que Deus disse: “Não comam do frut. de nenhuma árvore do jardim”?” (Gn 3.1). A serpente que não queria aprender alguma coisa. Ela não queria checar se a informação era fato ou fake. Ela queria humilhar e prejudicar, causar confusão. O mesmo acontece agora com os fariseus que não fazem uma pergunta para aprenderem algo, mas são ardilosos e sagazes para pôr Jesus à prova a fim de que Jesus caia.
A pergunta que aquele fariseu fez era um grande tema de discussão da época. Os fariseus passavam horas e horas debatendo qual é a Lei mais importante do Antigo Testamento. Muitos fariseus tinham opiniões bem diferentes. Estavam polarizados neste sentido. Era um assunto polêmico. Quem sabe, polemizando a conversa, eles então pegariam Jesus sem resposta.
A primeira resposta de Jesus não os deve ter pego de surpresa. Jesus cita Deuteronômio 6.5 que diz: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua ama e de todo o seu entendimento.” Jesus não inventou esta lei. Ela está no Antigo Testamento, em Deuteronômio. Aliás, esta lei fazia parte da liturgia diária dos judeus: Deuteronômio 6.4-6 era pronunciado de cor a cada manhã e a cada noite. Aquelas palavras eram muito conhecidas porque eram ditas em voz alta nas famílias duas vezes por dia. Até ali nenhuma novidade. E vem, então, a continuação da resposta: “Ame o seu próximo como você ama a si mesmo.” Este versículo também não é uma invenção de Jesus, mas está em Levítico 19.18. Você pode consultar na sua Bíblia. Também não é algo novo, mas algo que estava no Antigo Testamento e que foi relembrado por Jesus.
Mas qual é então a novidade? A união dos dois mandamentos. Nunca o mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo haviam sido unidos desta forma. Quem ama, cumpre a lei. O cumprimento da Lei não se dá na obrigatoriedade chata de se fazer uma série de exigências criadas pelos partidos religiosos, mas na atitude do amor, pois quem ama a Deus não dirá o nome de Deus em vão; quem ama ao próximo, não roubará, não adulterará, não matará, não cobiçará; quem ama a si mesmo tira tempo para o descanso. Percebeu? No amor podemos cumprir os 10 Mandamentos. Por isso, Martinho Lutero vai dizer o significado de cada um desses mandamentos com as palavras “devemos temer e amar a Deus...”. A Lei mais importante é o amor a Deus que leva o amor ao próximo.
Agostinho, um Pai da Igreja, disse: “Ame a Deus e faça o que quiser.” Esta frase é bem intrigante. Então, sou livre para fazer tudo o que eu quero? O que significa de fato esta frase? Se você ama a Deus, você saberá o que fazer! Ame a Deus! Começa por aí! Deus primeiro! E então o restante estará bem iluminado. Jesus diz que dos dois mandamentos do amor dependem toda a Lei e os Profetas. De fato, o Antigo Testamento não faz sentido se não for interpretado através e com os óculos de Jesus, o amor encarnado de Deus. Lutero dizia: “A Bíblia é uma manjedoura na qual está contido Jesus; se não o encontrarmos, só temos palha.”
A Lei não deve ser vista como uma autoridade opressora, chata, irrelevante, controladora. Ela deve ser vista na perspectiva do amor, pois quer preservar a vida. As leis existem para que a vida em sociedade seja possível. Por isso existem regras. Por causa do amor! Quem não ama, não se importa. Quem ama, ajuda. Os pais que amam seus filhos deixam eles fazerem tudo o que querem? Isso não é amor. O amor corrige!
E Jesus passa agora de respondedor a perguntador. Já que queriam colocar ele à prova, vamos ver se os fariseus e saduceus também conseguem responder a uma pergunta de Jesus. Já que os fariseus e saduceus não tiveram êxito em desmascarar Jesus, vamos ver se eles conhecem a Lei tanto quanto aparentam.
De interrogado, Jesus se torna o interrogador. A pergunta é simples: “O que vocês pensam do Cristo? De quem é filho?” (v. 42). Ou seja: já que não me consideram o Messias prometido, quem ele é então? Como ele deve ser? De quem ele deve descender? Os fariseus respondem: “De Davi”. Obviamente! O Messias seria um descendente de Davi. Com isso, os fariseus tinham em mente um messias que iria fazer guerra contra os inimigos tal qual fez o Rei Davi.
A pergunta que Jesus faz aos fariseus é também a pergunta mais importante da nossa vida de fé. Podemos não conhecer tantas coisas de Bíblia e de teologia, mas tem uma coisa que precisamos ter muito claro em nossa fé: quem é Jesus Cristo? Da resposta a esta pergunta depende se passaremos a eternidade no céu ou no inferno. Se estivermos errados sobre quem é Jesus, a nossa salvação está em risco. Quem é Jesus Cristo?
Agora Deus é quem faz a pergunta a nós. Agora nós – você e eu – somos os interrogados. Quem é Jesus Cristo?
Ele é maior que Davi. Ele é Senhor de Davi. O Messias prometido. Aquele que veio para a cruz! Para ser o sacrifício pelo perdão dos pecados. Jesus Cristo é o Salvador Ungido! É o Filho de Deus! O próprio Deus que se fez carne e habitou entre nós! O Deus-homem Jesus Cristo! Aquele que morreu e ressuscitou! Este é Jesus Cristo! Não um mero homem, um sábio ou um revolucionário, mas o próprio Deus que morreu pendurado em uma cruz. Ele é aquele que cumpriu toda a Lei em um ato de amor. Ele é o amor que Deus doou a nós. Por meio do Filho o Pai doou seu amor e misericórdia ao mundo. Jesus não apenas conhecia qual era o Maior Mandamento, mas ele de fato foi o único a cumprir esse Maior Mandamento na sua plenitude. Pendurado na cruz, ele amou ao Pai e ao próximo como a si mesmo. Jesus não apenas discursava do amor, mas vivia o amor na prática. Discurso e ação caminhavam juntos.
No ato de amor de Jesus foi revelado o pleno amor de Deus. E Deus continua nos convidando a participarmos desse ato de amor, não usando a lei para oprimir ao nosso próximo, mas para demonstrar o amor que Jesus tem por todas as pessoas, inclusive aqueles que são descartados e desprezados pela sociedade. Deus não espera de nós apenas palavras decoradas, mas um silêncio de arrependimento. Nossos argumentos não funcionam com Deus. Nossas desculpas não servem na vida de fé. Ou decidimos viver aceitando verdadeiramente o amor de Jesus na nossa vida, ou estamos, de fato, perdidos já nesta vida e por toda a eternidade.
Deus ouve as nossas dúvidas. Ele sabe que queremos saber das coisas. Fale com Deus. Faça suas perguntas, mas não querendo colocar Deus à prova como os fariseus e saduceus, mas buscando aprender mais da sua Palavra. Pergunte a Deus não procurando tentar a Deus, mas querendo ter mais conhecimento de Deus. Estude Deus com Deus!
Sempre nos lembramos de Tomé como o discípulo de Jesus que tinha pouca fé. Na verdade, ainda bem que Tomé era bastante cético. E se os discípulos de fato estivessem tendo apenas uma ilusão da ressurreição de Jesus por causa da dor do luto? Tomé queria ter certeza e por isso pode tocar nas marcas de Jesus para comprovar que de fato o Senhor estava vivo. Ainda bem que tinha o Tomé que não se deixou levar pela maioria, mas que a partir da dúvida no lugar certo teve a comprovação de que a ressurreição de Jesus não era uma ilusão, mas a pura verdade.
Perguntas e respostas. E a nós? Quais perguntas Deus têm feito às nossas vidas? O que Deus pergunta a nós além de quem é Jesus? O que Deus pergunta sobre a nossa vida? Família? Trabalho? Amizades? Deus também não pergunta querendo prejudicar; ao contrário, Deus pergunta por causa do seu amor e porque quer apenas o melhor para nós. O que Deus está perguntando para você nesta noite? Pense um pouco... O que você responderá? Fique tranquilo. O Espírito Santo está contigo para te dar a resposta certa.
Que Deus abençoe as nossas vidas em nosso relacionamento com Deus e também no nosso relacionamento com o nosso próximo. Que possamos aprender mais e mais de Deus a partir do testemunho da sua Palavra. Ele se revelou. Deus falou de si. Está na Bíblia. Vamos conhecer para também ter as respostas certas na ponta da língua.
Amém.