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Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Crucifixo com a figura de Jesus atrás de uma Bíblia aberta no altar de uma igreja luterana.Teologia Luterana

Por que luteranos colocam Jesus crucificado no altar?

A imagem de Cristo na cruz do altar de algumas Igrejas Luteranas chama a atenção – especialmente após a Páscoa que nos leva a confessar a Ressurreição de Jesus. Pessoas se perguntam se a imagem não deveria ter sido retirada no Domingo da Páscoa ou se será retirada no dia da Ascensão do Senhor.

Bem, o motivo pode ser explicado a partir de três argumentos:

1) O Argumento bíblico

Conforme Lucas 24.36-40 João 20.19-29, Jesus ressuscitou com as marcas da cruz, também chamadas de chagas. Através desse sinal, Jesus demonstrou aos discípulos que o evento da Ressurreição não deve ocultar ou fazer esquecer da cruz: ao ressuscitar com as chagas, Jesus sinaliza que devemos lembrar dele sempre como aquele que foi crucificado e ressuscitou.

Da mesma forma, testemunha o apóstolo Paulo: “Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, ela é poder de Deus” (1 Coríntios 1.18). A cruz é a essência da pregação cristã: “nós pregamos o Cristo crucificado” (1 Coríntios 1.23). O apóstolo de Cristo confessava que o tema central da pregação deveria ser o Cristo crucificado, pois não haveria a glória da ressurreição sem os sofrimentos do Deus que morreu na cruz. Portanto, é bíblico que o a crucificação de Jesus é o tema central da fé cristã – embora hoje as Sextas-feiras Santas geralmente são os dias em que as igrejas estão mais vazias.

2) O Argumento Confessional

O reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546) escreveu: “Não basta nem adianta a ninguém conhecer a Deus em glória e majestade se não o conhece também na humildade e no desprezo da cruz” (OSel 1, p. 50). E arremata, dizendo: “No Cristo crucificado é que estão a verdadeira teologia e o verdadeiro conhecimento de Deus” (OSel 1, p. 50). Com isso, o reformador está dizendo que não há como conhecer a Deus sem passar pelo rosto do Cristo crucificado.

O P. Prof. Dr. Martin Norberto Dreher destaca que “não temos outra maneira de saber e de reconhecer quem e como Deus é, senão através de Jesus Cristo: Deus tem o rosto do crucificado, pois até mesmo o Ressurreto tem as marcas, as chagas, do Crucificado” (Caderno de Estudos da IECLB 2023-204, p. 33-34). Assim, no rosto do Jesus crucificado contemplamos o rosto amoroso e misericordioso de Deus que nos acolhe, perdoa e abraça.

Durante o movimento reformatório, alguns reformadores radicais sugeriram retirar as imagens das igrejas protestantes. Esse movimento ficou conhecido como iconoclasta. Lutero, porém, não concordava com esse movimento, pois embora não dirijamos nossas orações à imagens, elas nos ensinam sobre a misericórdia de Deus – especialmente a imagem do Cristo Crucificado.

Se observarmos as pinturas da Reforma Luterana feitas por Lucas Cranach, o Velho, e seu filho Lucas Cranach, o Jovem, veremos que há grande ênfase em retratar o Cristo crucificado como fonte de consolo, salvação e justificação do ser humano pecador. Boa parte do mundo evangélico rejeita a imagem de Cristo na cruz; essa não é, todavia, a ênfase dos luteranos.

3) O Argumento Lógico

Pense comigo: Jesus foi descido vivo ou morto da cruz? Como sabemos pelo testemunho bíblico, Jesus foi descido da cruz morto. Logo, a cruz vazia não pode simbolizar a Ressurreição, pois não havia vida em Jesus quando foi esvaziada. Se quiséssemos simbolizar a Ressurreição de Jesus, precisaríamos substituir a cruz do altar por um túmulo vazio. Além disso, a cruz vazia no altar não lembra Jesus em si, mas um instrumento de pena de morte do Império Romano. É o Cristo crucificado que dá sentido à cruz.

Já sabemos pelos argumentos bíblicos e confessionais que a Ressurreição não deve jamais apagar a memória da Crucificação. Por isso, a cruz com o Cristo crucificado atrás da Bíblia no altar é um testemunho visível de que “a Palavra se fez carne e habitou entre nós, cheia de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14). Diante do altar, nos aproximamos do “trono da graça” (cf. Hebreus 4.16) e isso é motivo de louvor: “Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor” (Apocalipse 5.12).

Conclusão

Esse é o significado bíblico, confessional e lógico da imagem do Cristo crucificado. Ele é o fundamento da nossa fé. Tê-lo no altar é um constante lembrete do amor de Deus que entregou tudo o que tinha para a nossa salvação: o seu próprio Filho Unigênito.