PregaçõesPor que tanta choradeira?
Nós como ser humanos lamentamos muitas coisas. Por exemplo, Lamentamos que o Brasil tenha perdido da Alemanha na Copa do Mundo de 7-1, lamentamos que ele não tenha se classificado à Copa América, lamentamos que nosso governo parece distante e despreocupado com o povo, mas muito preocupado com o seu próprio bolso, lamentamos quando um parente querido da família falece, um jovem lamenta não passar no vestibular, um agricultor lamenta ter vendido seu produto antes do tempo. O lamento é algo que está no nosso dia a dia. Para o autor de lamentações não é diferente.
Lamento em cima de lamento, lágrima em cima de lágrima. É assim que o desconhecido autor do livro de Lamentações descreve o seu sofrimento que, na verdade, não é só seu. O povo de Deus outrora chamado e vocacionado por Deus para ser bênção aos outros povos, o povo que recebeu de Deus as leis e a tão sonhada terra prometida está exilado. Os babilônios, um povo vizinho, invadiu o reino de Judá, destruiu o reino e arrastou seus habitantes a força para uma terra distante. O povo foi obrigado a sair da terra que Deus lhes concedeu lá no livro de Josué. E o pior: parece que Deus não fez nada para impedir. Pelo contrário, o povo foi violentamente arrastado para uma terra distante e Deus permanece em silêncio.
Outra vez o povo está distante da terra prometida. Os povos vizinhos de Israel tinham seus deuses. Ser levado tão facilmente para outra terra significava para o povo de Deus que o Deus de Israel foi vencido pelos deuses dos povos vizinhos. Esta era a notícia do Jornal Nacional da época. Contudo, nós sabemos que só há um Deus, o Deus de Israel. No entanto, o Deus de seu povo se calou diante do acontecido. Diante destas cenas, o autor de Lamentações derrama seu pranto em cinco capítulos. Ele chora e chora a noite e não há quem o consiga consolar (1.2). Jerusalém, a cidade anteriormente linda e populosa foi levada ao exílio (1.1). Não há dor como a que o autor de Lamentações está sentindo (1.12). A tristeza aumenta ainda mais quando o autor de Lamentações percebe que nem os jovens e as virgens foram poupadas (1.18). É como se o Senhor Deus os tivesse devorado sem piedade (2.2). O seu coração se derramou em angústia por causa da calamidade, pois crianças e meninos morrem nas ruas da cidade (2.11). É como se a ira de Deus tivesse caído toda sobre o seu povo. O autor sente que seus ossos estão despedaçados (3.4), ele clama e grita, mas Deus não ouve a sua oração (3.8). A ira de Deus o persegue (3.43). Os seus olhos derramam torrentes de água ao contemplar a tamanha destruição do povo a qual ama (3.48-50). É como se o autor de Lamentações já estivesse na cova mesmo estando vivo (3.55). Ele chega a dizer que mais felizes são os que foram mortos a espada, pois pelo menos estes não passam fome (4.9). Acabou a alegria do coração e tudo se tornou em lamentação (5.15). É com estas frases que o autor de Lamentações descreve seu pranto nos cinco capítulos do livro.
Mas qual seria o motivo de tamanha desgraça? Deus realmente selecionou um povo e depois os abandonou? Como se resolve esta enorme crise em Israel? O autor de Lamentações descreve o motivo de todo o sofrimento. A culpa não é de Deus, mas do próprio povo que se afastou de Deus. O povo de Deus pecou gravemente. Qual pecado? O Primeiro Mandamento.
Quando o povo de Deus se consolidou como nação, pensou ser autossuficiente. Ou seja, o povo de Deus achou que não precisava mais de Deus. Fizeram aquilo que hoje chamamos de comércio exterior, ou, política exterior. O povo de Deus estava fazendo alianças e acordos econômicos com povos vizinhos. Até aí não há problema. O problema começou quando estrangeiros se mudaram para Jerusalém e levaram consigo seus ídolos e seus falsos deuses que o próprio povo de Deus começou a seguir. O povo de Deus não seguiu mais o Deus verdadeiro de seus pais Abraão, Isaque e Jacó, que os guiou pelo deserto e os fez chegar na terra prometida. O povo de Deus passou a adorar outros deuses, pecando contra o primeiro e principal mandamento: Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, não terás outros deuses diante de mim. A culpa do exílio não é de Deus, mas do próprio povo. Lamentações 5.7 vai dizer: “nossos pais pecaram e já morreram; porém nós é que levamos o castigo dos seus pecados.”
Deus até levantou profetas que anunciaram a Palavra de Deus, que anunciaram o pecado do povo, mas o povo não lhes deu ouvido. Pelo contrário, preferiram ouvir os falsos profetas (2.14). Essa é a tristeza do autor de Lamentações: o povo sofre aquilo que o próprio povo procurou. O pecado pesa. O pecado faz lembrar dos bons tempos da comunhão com Deus. O pecado e a tragédia são descritos em Lamentações com muita melancolia.
Contudo, no meio de tanta Lamentação surge um grito de esperança por parte do sofredor. No cap. 3, v. 21 está escrito: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” Após isto vem o texto que lemos no início. Os olhos da cabeça enxergam muita desgraça, mas os olhos do coração veem a graça. Embora tanta tristeza e dor, aquele que lamenta também sabe que as misericórdias do Senhor são a causa de não serem destruídos de uma vez por todas. O povo pecou e merecia ser destruído para sempre, mas Deus, em sua misericórdia, ainda os preserva com vida. As misericórdias do Deus de Israel não tem fim, pelo contrário, renovam-se fielmente a cada manhã. Se não fosse a misericórdia de Deus, nenhum pecador poderia mais existir. O Senhor Deus é tudo o que podemos ter e o único na qual podemos nos firmar. O autor de Lamentações se lembra de Deus. Lembrar é muito importante. Sempre que o povo de Deus se esquecia dos feitos de Deus na sua história, alguma coisa dava errado. Contudo o autor de Lamentações traz à memória aquilo que pode lhe dar esperança.
Os v.24 a 27 iniciam com a palavra hebraica טוֹב (tov) que significa bom. Bom é o Senhor para os que esperam nele e o buscam, bom é aguardar a salvação do Senhor, bom é para o homem aprender a sofrer com paciência. Deus é misericordioso e não rejeitará o seu povo para sempre. No final do livro, no cap. 5, o autor escreve: “Por que te esquecerias de nós para sempre? Por que nos desamparias por tanto tempo? Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes.” (5.20-21). Ainda há esperança. A palavra hebraica para converter é שב (shuv) que significa mudar de direção. Só há uma solução para o povo de Deus: a conversão, ou seja, que o povo abandone suas antigas práticas e passe a caminhar novamente com Deus. Isto é algo que o próprio Deus quer efetuar no seu povo. Mudar de direção é simplesmente mudar o rumo, virar a volta, seguir outro caminho. O caminho pelo qual o povo andava não era de Deus, mas Deus os convida da fazer a volta e a caminhar novamente com ele.
Amados, a misericórdia de Deus continua a se renovar a cada manhã. É por isso que Deus enviou seu Filho Jesus Cristo ao mundo. Ele remove o pecado e concede graça ao pecador. A cruz de Jesus Cristo nos faz lembrar que as misericórdias de Deus se renovam a cada manhã. Se você quer conhecer a graça de Deus, olhe para a cruz. Foi nela que Deus morreu por você, para remover os seus pecados e para lhe dar, de graça, a salvação. Deus é misericordioso para conosco. (Fazei isso em memória de mim).
Arnold Stahlfeld, um já falecido colaborador da missão na Alemanha, tinha um pequeno filho. Havia um pote de bolacha em cima de um alto armário. O menino olhava para as bolachas e logo o pai percebeu o que o filho queria. Então o pai pegou o pote de bolachas, tirou três ou quatro e deu ao seu pequeno filho, devolvendo o pote ao seu lugar. Em seguida, o pai perguntou ao filho: filho, o que é a graça de Deus? O pai estava curioso para saber a resposta do seu pequeno filho. O filho, comendo suas bolachas, disse ao pai: papai, graça é quando a gente está jogando ludo e você está em vantagem e poderia me jogar para fora do jogo, mas você ainda assim me deixa continuar jogando.
Nós complicamos tanto. O pequeno filho do Arnold Stahlfeld compreendeu muito bem o que é a graça. Graça é quando Deus poderia nos jogar para fora, mas ele prefere deixar que nós continuemos existindo. É isto que está dito no v. 22: “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim.” Nós pecamos e Deus poderia simplesmente nos jogar para fora, mas ele, na sua imensa misericórdia, prefere nos deixar vivos, perdoando nossos pecados e pagando a nossa dívida, assumindo o nosso lugar na cruz.
É isto que Deus faz na cruz. Há um hino novo que diz: “É tão profundo, tão imenso e cobre-nos, é furioso, poderoso e abraça-nos, só Ele pode devolver a vida aos corações.” Ou seja, é poderoso, poderia nos destruir por causa do pecado, mas ele prefere nos abraçar.
O povo de Israel pecou gravemente. Colocou deuses no lugar de Deus. Contudo, Deus é misericordioso e sempre está disposto a perdoar. Da mesma forma ele faz conosco. Todos os dias pecamos e cometemos erros. E o que o ser humano faz quando peca? Se esconde de Deus (Gn 3.8), como se pudesse fazer isso. Mas Deus espera o pecador, espera seu arrependimento e sua conversão. É preciso se deixar converter a este Jesus Cristo, deixar-se viver para ele. Você vive com Cristo? Cristo faz parte da sua vida? Já deixaste Deus te converter, te fazer mudar de direção? Qual caminho estas seguindo? Este caminho pertence a Deus? Eu desejo que o próprio Deus conduza teu coração à resposta. Se teu caminho não leva a Deus, ainda há tempo de mudar de direção. Jesus Cristo trouxe ao ser humano um reino que não pode ser exilado. Temos tristezas na vida de cristão, mas em Jesus Cristo há a memória esperança, pois as suas misericórdias se renovam a cada manhã. Nós não conseguimos subir até Deus, por isso Deus desceu até nós (Jo 1.14). Em meio a lamentos e tristeza, há viva esperança em Deus. Ele disse “tende bom ânimo, eu venci o mundo.” E assim, que a paz de Deus, que excede todo entendimento guarde o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus, amém.