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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Maria Madalena encontra Jesus ressuscitado no jardim.Pregações

Porque ele vive

IECLB | Paróquia Ferrabraz | Sapiranga/RS

Domingo de Páscoa

12 de Abril de 2020

P. William Felipe Zacarias

Liturgia de Entrada

Saudação:

Porque ele vive, podemos crer no amanhã!

Introdução:

A esperança venceu! Jesus está vivo! A morte não foi capaz de segurá-lo. Quando Deus decide pela vida, nada a pode impedir.

É uma alegria estar com você mais uma vez através do meio virtual. Hoje não tivemos nosso tradicional culto com café pascal, mas nem por isso deixa de ser Páscoa. A Páscoa não depende do ser humano e suas ações; a Páscoa é dádiva que depende única e exclusivamente de Deus. Diante da morte, nada podemos fazer; mas Deus pode. Por isso, ressuscitou a seu Filho! Cristo venceu a morte!

Liturgia da Palavra:

Convido a ouvirmos a leitura do Evangelho conforme:

Evangelho: Mateus 21.1-11

Aclamamação!

Pregação:

Amados irmãos, amadas irmãs;

os discípulos estavam sem perspectiva de futuro. Estavam traumatizados pela tragédia da cruz. Estavam presos em suas casas com muito medo do que havia do lado de fora. O pânico era abundante em seus corações. Nenhum deles poderia acreditar que o amanhã seria melhor!

Teriam de decidir se abandonariam tudo o que haviam vivido naqueles três anos para que, ao voltarem a público, não fossem crucificados também. Em meio ao caos de seu coração, eles não sabem o que fazer a não ser esconder-se. Passavam por uma crise imensa em seus corações.

As primeiras a receberem a notícia da ressurreição foram às mulheres. Maria Madalena ainda está chocada e de luto. Perder alguém próximo já causa muito sofrimento; quanto mais, perder Jesus de maneira horrível em uma cruz.

Ao chegar ao túmulo, percebeu que a pedra foi removida. Se já não bastasse a morte de Jesus, agora o corpo tinha sido roubado. Era só o que faltava! O coração de Maria Madalena se torna atormentado. Em meio ao desespero, a esperança brilha forte como a luz. O próprio Senhor Jesus conversa com Maria Madalena, “vivinho da silva”. Maria Madalena estaria tendo uma ilusão causada pela dor? Não! Era, de fato, o próprio Senhor da glória. O impossível aconteceu!

A resposta de Maria Madalena não podia ser outra: “Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: — Raboni! (“Raboni” quer dizer “Mestre”.” (João 20.16). O coração vazio agora estava preenchido com a melhor notícia que o mundo poderia receber: Jesus está vivo! O próprio Senhor Jesus diz a ela: “— Não me detenha, porque ainda não subi para o meu Pai. Mas vá até os meus irmãos e diga a eles: “Subo para o meu Pai e o Pai de vocês, para o meu Deus e o Deus de vocês.” (João 20.17).

Maria Madalena deveria correr e anunciar aquilo que havia recebido. Ela os encontra e diz com toda a empolgação: “ — Eu vi o Senhor!” (João 20.18). Porém, quem estava anunciando aquilo era uma mulher... Por causa de aspectos culturais da época, o testemunho da mulher não foi ouvido. Entretanto, as mulheres foram as primeiras a crerem na ressurreição!

Não houve outro jeito senão o próprio Senhor Jesus aparecer aos discípulos. Em meio às portas trancadas da casa, aparece o único capaz de conceder verdadeira libertação! A mensagem que Jesus traz a eles não poderia ser mais impactante para um momento em que estavam trancados em casa: “ — Que a paz esteja com vocês!” (João 20.19). Paz! Paz era tudo o que lhes faltava naquela hora! Mas agora o próprio príncipe da paz estava vivo entre eles! De carne e osso: “E, dizendo isso, lhes mostrou as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram ao ver o Senhor.” (João 20.20). Jesus mostrou-lhes as feridas da cruz nas mãos e também no lado. Não era uma ilusão! Não era uma miragem! Não era um sonho! Era Jesus!

Após tamanha alegria, vem a missão (que é também a nossa missão): “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” (João 20.21). Por que eles ainda estavam trancados em casa? Assim como receberam a notícia, agora deveriam percorrer o mundo inteiro anunciando que Jesus Cristo ressuscitou! Aquilo que receberam, agora deveriam dar ao mundo inteiro!

E foi o que aconteceu. Se antes os discípulos estavam trancados em casa e com medo, agora estavam dispostos a arriscar as suas vidas na proclamação do evangelho. O medo foi substituído pela fé! Com exceção de João, todos foram mortos por causa do seu amor a Jesus! Foram mortos por testemunharem que a vida vence a morte, a fé vence o medo e a esperança vence o desespero.

Amados irmãos, amadas irmãs,

também nós estamos presos em nossos lares. Por causa da pandemia do novo coronavirus, não podemos sequer nos reunir em culto hoje. Talvez também estejamos tomados de medo em relação ao futuro. Sabemos que nenhum sistema de saúde no mundo é capaz de salvar todas as pessoas infectadas, caso hajam muitos casos.

Mesmo assim, Jesus aparece a nós como apareceu aos discípulos. Hoje ele aparece em nossos lares através da Palavra, a Bíblia, e nos diz: “ — Que a paz esteja com vocês!” (João 20.19). Não entre em pânico! Todos estamos apreensivos com relação ao futuro e até indignados que não podemos sair de nossos lares. Mas tenha paz! Não qualquer paz, mas aquela prometida por Jesus. Ele entra em nossa casa hoje pela Palavra e no poder do Espírito Santo e nos diz: “Paz gente!”

Não nos desesperemos. Nesta época, devemos ainda nos cuidar e cuidarmos uns dos outros. Este é um gesto de amor ao próximo. Mas, ao sairmos das nossas casas, vamos poder cumprir a ordem de Jesus: sair e anunciar o Evangelho e a vida a todas as pessoas, sem ter medo ou vergonha! Além disso, iremos poder nos reunir também em culto.

Amados irmãos, amadas irmãs,

como presbitério, decidimos que precisaremos comemorar o dia da saída das nossas casas. Hoje é Páscoa. Mas o primeiro culto que tivermos juntos na igreja será novamente de Páscoa, lembrando a saída dos hebreus de suas casas após a 10ª praga do Egito, que é a Páscoa no Antigo Testamento, e lembrando a saída de Jesus da morte e dos discípulos da casa para a vida que volta ao normal.

Lembro aqui das palavras do pastor norte-americano Martin Luther King em seu discurso histórico intitulado “Eu tenho um sonho” pronunciado em 18 de Agosto de 1963:

E quando isso acontecer, quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada lugar, de cada estado e cada cidade, seremos capazes de fazer chegar mais rápido o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção espiritual negra:

Finalmente livres! Finalmente livres!

Graças a Deus Todo Poderoso, somos livres, finalmente."

Páscoa é isso! Liberdade!

Quando nos reunirmos, é isso que devemos dizer!

Graças a Deus Todo Poderoso, somos livres, finalmente."

Não estamos mais sobre o jugo do pecado! Não somos mais escravos da opressão da morte! A vitória de Jesus Cristo nos torna livres para ter esperança e para testemunhar do amor. Não precisamos ter medo! Ainda que morramos, a glória eterna nos aguarda!

Hoje lembramos que Maria Madalena e os outros discípulos foram libertos do medo, da angústia e do desespero. Hoje, proclamamos a nossa liberdade em Cristo Jesus. Porque ele vive, podemos crer no amanhã! Deixo-nos, com essa linda música.

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus, amém!

Liturgia de Saída

Música: Porque Ele vive!