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Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Ruínas de pedra sob a luz do amanhecer, evocando paz em meio às dificuldades.Pregações

Quem propõe a melhor paz?

Cultos

Estrada do Oeste – 17/11/2018 | Rio Bonito – 18/11/2018.

Amados e amadas do Senhor, a construção deste templo possui uma longa história. Houve mãos e recursos para a sua construção. Estamos dentro de um local de espiritualidade para todos/as nós.

Certamente ficaríamos profundamente magoados caso este templo fosse destruído. Muitos de vocês foram batizados, confirmados aqui. Também aqui receberam a bênção matrimonial, batizaram filhos e netos, sepultaram seus entes queridos. Caso este templo não existisse mais, haveria dor, lamento tristeza e lembranças que provavelmente seriam passadas de geração em geração. Embora saibamos que a Igreja de Deus somos nós (as pessoas), torcemos para que este espaço de memória e espiritualidade nunca deixe de existir.

Diante disso, temos um texto onde o evangelista Marcos nos apresenta Jesus como Juiz e Profeta. Não são palavras brandas. Do contrário, Jesus profere palavras duras aos seus discípulos. Em suas palavras, Jesus é pessimista quanto ao futuro. Ele não apresenta aos discípulos uma ilusão de que “tudo vai ficar bem”. Ao contrário, os preparar para tempos difíceis.

O capítulo inicia falando do templo. Um dos seus discípulos lhe fala com admiração do Templo de Jerusalém: “Que pedras, que construções” (v. 1). O Templo de Jerusalém era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Com certeza era uma construção bonita e admirável. Era um atrativo turístico para vários povos, inclusive não judeus. Entretanto, o Templo representava o centro da religiosidade judaica. Era lá que estavam guardadas as tábuas da lei; era lá que o Sumo Sacerdote executava sacrifícios anuais para o perdão dos pecados do povo; em outras palavras, para os judeus, Deus habitava dentro do templo. Toda a espiritualidade judaica estava centrada no Templo de Jerusalém. Judeus de todo o império viajavam até Jerusalém na páscoa para oferecem seus sacrifícios. Inclusive, animais eram vendidos no templo para os que habitavam longe da cidade, pois viajar com animais não era uma possibilidade cogitada. Jesus, como Juiz, faz uma purificação do Templo, não proibindo as vendas, mas denunciando a corrupção que ali acontecia (cf. Jo 2.13-22).

Todavia, embora a construção fosse bela, Jesus anuncia que ali não ficaria pedra sobre pedra. Aquilo que é admirável aos olhos humanos por ser uma grande obra humana pode se tornar pó em poucos instantes pelas mãos de Deus. Os seres humanos se vangloriam de seus feitos; o Templo de Jerusalém estava representando uma nova Torre de Babel, i. é, o ser humano orgulhoso de seus feitos e querendo, novamente, assumir o lugar de Deus. A espiritualidade já não era mais a principal intenção da construção.

Os tempos difíceis vieram. Embora a palavra Jerusalém signifique “lugar de paz”, a cidade presenciou uma guerra fatal. Até os dias de hoje, a região de Jerusalém é considerada a “panela de pressão” do planeta. Uma pequena fagulha é capaz de incendiar uma enorme guerra.

Não é difícil entender como a guerra profetizada por Jesus iniciou. Em At 5.37, um fariseu chamado Gamaliel nos conta de Judas, o galileu0. De um lado, os judeus queriam a paz de Deus; de outro, os romanos queriam impor a sua paz de César que queria ser adorado como deus. Por incrível que pareça, duas propostas de paz não foram capazes de trazer a paz, mas trouxeram a guerra. Isso levou algumas pessoas a tomarem decisões enfurecidas. Judas, o galileu pregava que o povo deveria se revoltar contra Roma para alcançar a paz e a liberdade. A guerra foi tão terrível que pareceu ser o apocalipse, i. é, o fim do mundo, tal como anunciou Jesus.

Crescia dentre os judeus um sentimento de revolta contra Roma. Os judeus estavam cansados dos caríssimos impostos e do tratamento romano. Começou, assim, um movimento de resistência à Roma. Iniciaram-se os tempos de guerra que Jesus havia anunciado: “Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino.” (Mc 13.7-8a).

Criou-se um grupo chamado Zelotes (os zelosos). Os Zelotes não declararam guerra apenas contra Roma, mas contra todos que de alguma forma apoiassem a capital do Império. O filho (ou neto) de Judas, chamado Menaém, tornou-se famoso por conseguir algumas poucas vitórias. Menaém começa a ser admirado pelo povo que passa a o chamar de Messias. A fama fez com que Menaém se achasse muito mais do que realmente era. Quando a fama subiu para a sua cabeça, ele foi assassinado por um outro grupo de resistência. É bem provável que o próprio Menaém tinha se apresentado como um Messias. Este falso profeta se destruiu e também destruiu o povo. Logo, passamos a entender com clareza as palavras de Jesus, quando ele disse: “Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane. Muitos virão em meu nome, dizendo: sou eu; e enganarão a muitos”. (Mc 13.5-6). Os judeus que não acreditavam em Jesus colocaram sua esperança messiânica no lugar errado: em um rebelde que falhou e frustrou todo o povo.

O povo passou a experimentar um tempo terrível. A revolução falhou e Roma não teve piedade nenhuma ao revidar. Isto quer nos lembrar que o Reino de Deus não é deste mundo e não é construído por nossas forças e com as nossas armas, mas que o Reino de Deus já está fundado na pessoa e obra de Jesus Cristo, nosso Senhor. O Reino de Deus não pode ser trazido pela atividade humana. Todavia, ele é trazido pelo próprio Deus que tem piedade do seu povo.

Mesmo vencendo a revolução dos zelotes, Roma não parou por aí. Quando Vespasiano assumiu o Império, ele e seu filho Tito1 promoveram o pânico. “Em Jerusalém reinava o terror”2. Enquanto isso, os cristãos fugiram para outros lugares em busca de refúgio. Tito castiga profundamente os revoltosos os mutilando e crucificando. No mês de Agosto do ano 70 d. C., o golpe final: “O templo foi consumido pelas chamas. Os conquistadores promoveram um banho de sangue entre os últimos defensores”3.

Os judeus perderam sua capital, seu templo, sua religião; perderam tudo! De fato, não sobrou pedra sobre pedra, tal qual Jesus anunciou ao seu discípulo. Afinal de contas, a culpa foi de Jesus? Ao conhecermos a história por completo, percebemos que o orgulho humano é capaz de tragédias horríveis. Não basta colocar na conta de Jesus aquilo que é uma dívida nossa.

Assim, que lições o texto bíblico do evangelho nos dá para os dias de hoje, em 2018?

1 SOFRIMENTO E CONSOLO

Nosso mundo continua vivenciando guerras. Cada país continua tentando implantar o seu sistema de paz no mundo todo e não tem deixado que Deus conceda o seu Shalom. A verdadeira paz vem do próprio Deus. A diferença entre a paz humana e a paz divina reside na seguinte distinção: a paz humana é a não-guerra; a paz divina é paz no meio da guerra. Jesus avisou seus discípulos e avisa a nós hoje que tempos difíceis podem novamente vir. Mesmo assim, Deus continuará sendo Deus. Mesmo que as construções caiam, que haja devastação e terror, Deus não deixará de ser Deus e a promessa da vida eterna não poderá ser apagada jamais.

2 FALSOS PROFETAS

Eles estão aí. Não apenas dentro das igrejas, mas também no meio político. Mesmo que não se anunciem como salvadores, os falsos profetas distorcem aquilo que Deus quer dizer na sua palavra. Os falsos profetas enganam o povo com ladainhas que nem eles mesmos são capazes de cumprir. Esteja alerta! Para distinguir a verdadeira pregação da Palavra de Deus, é preciso ler a Palavra de Deus. Leia e estude a Bíblia. Falso profeta não gosta de gente inteligente, gente que faz pergunta, gente que discorda; ao contrário, eles escravizam as pessoas para que nunca façam sombra sobre ele. O verdadeiro pregador deseja o crescimento da sua comunidade. Cuidado com propostas mirabolantes e desconfie sempre.

3 CULTO

Graças a Deus, temos um Templo. Aqui vivenciamos momentos importantes da vida do nascimento à morte. Este é nosso espaço de espiritualidade. Vamos valorizar este espaço. É aqui que vivemos igreja. É aqui que celebramos o amor de Deus. É aqui que descobrimos que Jesus Cristo é o Messias enviado por Deus. Se lá fora o mundo grita, aqui dentro queremos ter paz. Não seja como Judas, o galileu. Não provoque divisões. Esteja unido com os/as irmãos/ãs pelo amor. O Reino de Deus não se constrói; se recebe.

CONCLUSÃO

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus, amém.

Notas e referências

  1. Não é Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus por trinta moedas de prata.

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  2. Não se trata do Tito a qual o apóstolo Paulo escreve uma carta do Novo Testamento.

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  3. GUNNEWEG, Antonius. História de Israel. São Paulo: Edições Loyola, 2005. p. 299.

    ↩
  4. GUNNEWEG, 2005. p. 299.

    ↩