Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Pessoa em uma cela encontra esperança na Palavra.Pregações

Ressurreição e Transformação: Sofrimento

Amados irmãos, amadas irmãs,

você acredita que possa existir algum contrabandista de Deus? Sim, alguém que, contrabandeando, possa estar servindo a Deus? Se não conhecemos, hoje vamos conhecer.

O Irmão André, um holandês de 91 anos de Idade, é conhecido hoje no mundo todo como o contrabandista de Deus. Mas o que ele contrabandeava? Bíblias! Irmão André levava Bíblias de maneira oculta a cristãos em países em situação de perseguição, onde ler a Palavra de Deus pode ser um crime leve ou até com pena de morte.

O Irmão André sempre fez isso com muita dedicação e acabou fundando a ONG “Open Doors”, Portas Abertas em Português para auxiliar cristãos perseguidos em todo o mundo. Infelizmente, até hoje há muitos países onde não há Liberdade Religiosa. No topo da lista está a Coreia do Norte, que, por causa da ideologia vigente, só permite adorar o próprio Líder Supremo Kim Jo Un.

A Portas Abertas auxilia cristãos em diferentes lugares do mundo a não abandonarem a sua fé, apesar das perseguições. Em muitos países árabes, um membro da família se tornar cristão pode significar uma expulsão de casa. Quando isso acontece, os “cristãos secretos” se apoiam mutuamente, conseguindo lugar para essas pessoas ficarem e também um emprego para que possam se manter.

Estamos no século XXI, mas ainda não há liberdade religiosa em todo o mundo. Destacamos que, com poucas exceções, os países cristãos são os que mais possuem uma liberdade religiosa. Em países dominados majoritariamente por outras religiões, infelizmente, a liberdade é que é exceção.

Irmão André correu risco de vida muitas vezes, apenas por contrabandear Bíblias. Ele mesmo disse em seus 91 anos de idade: “a Palavra de Deus transforma as pessoas e pessoas transformadas mudam as situações ao seu redor.” André acredita que as pessoas que foram encontradas pelo amor de Deus podem também impactar amorosamente aqueles/as que estão ao seu redor. Todo seu ministério está relatado no livro “O Contrabandista de Deus” que já vendeu mais de 10 milhões de cópias e já foi traduzido para mais de 40 idiomas (fica a dica).

Também nós sofremos perseguições. Muitos de nós, como cristãos, também podemos sofrer ou ser debochados por decidir servir a Cristo. Talvez sejamos excluídos do grupo por assumirmos um compromisso com Cristo.

Eu me aproximei do Evangelho quando tinha 12 anos de idade. O impacto de Cristo na minha vida veio por volta dos 13 ou 14 em uma evangelização na minha comunidade de origem. Lembro claramente quando o Missionário Rudolf Rabitsch pregou por três dias seguidos o Evangelho com muita ênfase, entusiasmo e amor. Descobri que sou um miserável e vi dentro de mim um vazio impreenchível. Na primeira noite, ao final da pregação, muitos irmãos foram à frente para receberem o amor de Jesus, mas eu resisti, afinal de contas, já participava na igreja a um tempo; o que iriam pensar de mim? Na segunda noite, mais um grupo de pessoas foi á frente, novamente resisti. Posteriormente, em casa, havia decidido que iria para frente. Assim que algumas pessoas fossem para serem encontradas pelo amor de Jesus, iria atrás delas. A Evangelização começou. O missionário pregou. No momento do chamamento, ninguém ia. Eu estava lutando comigo mesmo. Queria ir, mas gostaria que outros fizessem à frente. Após alguns minutos chamando, o Missionário disse as seguintes palavras: “Se você está esperando alguém vir à frente para vir atrás, faça você à frente.” Eu estava mais ao fundo da igreja. Quando percebi, já estava na frente e o irmão naquela noite orou por mim. A partir daquele momento, recebi uma alegria que até hoje queima no meu coração. A velha vida foi abandonada. Agora tudo o que eu queria era viver pela graça e com Cristo. Conhecer mais e mais da Palavra. Orar e falar com Deus. Ter comunhão com os irmãos/ãs. Uma vida nova, apesar de eu continuar sendo o mais pecador.

Mas essa decisão teve consequências: perdi os poucos amigos que tinha na escola. Eles não entendiam (e nem mesmo queriam entender) o que tinha acontecido. A amizade foi trocada pelo deboche e por aquilo que hoje chamamos de bullying, mas que, naquela época, não tinha nome. Muitas vezes era, inclusive, difícil de amá-los, pois me faziam o mal. Ao mesmo tempo, cheios de inveja porque a qualidade dos estudos melhoraram significativamente. Mesmo solitário, perdendo amizades e sofrendo perseguição, eu tinha e ainda tenho tudo o que precisava: Cristo! Muitas vezes ia para a juventude ou para o culto com a Bíblia embaixo do braço e ouvia gritos de deboches que diziam “Aleluia”, olha o “crente”, e etc. Eu não me importava, pois a graça de Cristo era o que me bastava. Preferia a Bíblia embaixo do braço do que ela em casa cheia de poeira. Foi assim que tudo começou.

Decidir uma vida por Cristo implica em renúncias que os que ainda não foram impactados por esse amor, não compreendem. A velha vida não pode combinar com a nova vida que Deus concede ao cristão. Se tudo não mudar, então não aconteceu nada! A velha criatura pecaminosa e “igual” é morta para que renasça a nova criatura. Uma das principais características do cristão é que ele rema contra a maré, pois peixe que segue a corrente do rio é peixe morto. E remar contra a maré gera perseguição, esta que, obviamente, não queremos sofrer.

Jesus Cristo diz: “Bem-aventurados são vocês quando as pessoas os odiarem, expulsarem de sua companhia, insultarem ou rejeitarem o nome de vocês como indigno, por causa do Filho do Homem. Alegrem-se naquele dia e exultem, porque grande é a recompensa de vocês no céu.” (Lucas 6.22-23). Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa do nome de Jesus.

Era isso que estava acontecendo com as primeiras comunidades. O cristianismo não era permitido e Pedro escreve sua primeira carta para consolar os cristãos. Ser cristão não impede o sofrimento, mas há conforto em Cristo Jesus. E nós veremos alguns pontos, hoje um pouco mais rápidos:

1 A PREVENÇÃO DO SOFRIMENTO (v. 13).

“Ora, quem há de maltratá-los, se vocês forem zelosos na prática do bem?” Uma das prevenções é sempre praticar o bem, mesmo em meio àqueles que falam e praticam o mal. Retribuir o mal com o bem. E ser zeloso aqui, na língua grega, tem a intenção de um amor tão forte à prática do bem quanto se ama um time de futebol, por exemplo. Quando praticamos o bem, é mais difícil sofrermos o mal, mas não é uma garantia, por isso:

2 A ALEGRIA NO SOFRIMENTO (v. 14).

“Mas, mesmo que venham a sofrer por causa da justiça, vocês são bem-aventurados. Não tenham medo das ameaças, nem fiquem angustiados.” Trata-se do que vimos anteriormente: sofrer por causa do nome de Jesus é uma honra. Ser perseguido por causa de Cristo é motivo de exultação, pois significa que estamos no caminho certo, praticando o que é bom, mesmo que os outros vejam como mal.

3 A OPORTUNIDADE DO SOFRIMENTO (v. 15).

“pelo contrário, santifiquem a Cristo, como Senhor, no coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês tem.” As injustiças sofridas não devem nos levar à revolta, mas ao testemunho, por mais difícil que isso seja. Para aqueles que nos perseguem e tramam o mal, testemunhamos Cristo e o bem. É oportunidade para falar da esperança que temos em Jesus para que mais pessoas possam crer em Jesus e também serem transformadas pelo seu amor incondicional.

4 A POSTURA DIANTE SOFRIMENTO (v. 16-17).

“Mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam a boa conduta que vocês tem em Cristo. Porque, se for da vontade de Deus, é melhor que vocês sofram por praticarem o bem do que praticando o mal.” É a nossa própria conduta que precisa envergonhar aqueles que nos difamam. Precisamos tomar cuidado para não confirmar aquilo que falsamente dizem de nós.

5 O SOFRIMENTO DE CRISTO (V. 18)

“Pois Cristo também padeceu uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos para conduzir vocês a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito.” Cristo sofreu! Ele morreu! Ele foi perseguido! Morreu em nosso lugar! O sofrimento de Cristo não tem paralelo. Foi único! É irrepetível! Ele sofreu o que não poderíamos aguentar: o castigo divino. Sofreu a cruz para nos deixar livres dela. Podemos sofrer nas mãos de humanos, mas não mais na mão de Deus.

Amados irmãos, amadas irmãs,

aceite o convite do Salvador. Decida o que quer da sua vida. Não fique em cima do muro. O estamos em Cristo ou não estamos. Viver diariamente com Jesus pode implicar em perseguição e sofrimento, mas deixa eu te dizer uma coisa: vale a pena!

Somos livres para viver o Evangelho em nosso país. Vamos vive-lo com convicção e abandonar aquilo que não se encaixa em uma vida cristã. Vamos testemunhar sem ter vergonha alguma que amamos o Senhor. Hoje é possível fazer isso de muitas formas, como o celular.

Oremos pelos países onde nossos/as irmãos/ãs sofrem por causa do nome de Jesus. Que Deus lhes fortaleça a continuarem testemunhando com amor e convicção.

Amém.