PregaçõesSomos Um
Amados irmãos, amadas irmãs,
despedidas são sempre difíceis. Quando recebemos visitas e temos um final de semana para lá de agradável, sentimos a saudade já no momento de dar “tchau”. O mesmo pode ocorrer quando nós é que visitamos as outras pessoas.
O mesmo quando a despedida faz parte de uma mudança para outro lugar. Sei que sempre que a gente se despede de algum lugar no ministério, a dor bate forte no coração. A gente leva a saudade no coração.
Sentimos saudades de pessoas que amamos, também daquelas que já partiram para o sono da morte e aguardam a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor. Também destas sentimos falta e, geralmente, não há tempo sequer para se despedir.
O texto do Evangelho que ouvimos também se encontra neste contexto. Jesus sabe que a sua hora está chegando; por isso, começa a se despedir de seus discípulos e inclusive ora por eles.
Jesus era um jovem de 33 anos. Talvez tenha sido difícil para os discípulos acreditarem que seu mestre estava para partir do meio deles. Porém, tudo deveria acontecer como estava nos planos de Deus.
Jesus veio ao mundo para cumprir uma missão. Uma missão possui início, meio e fim. Contudo, embora a missão do próprio Jesus histórico tenha chegado a um ponto final, a missão do próprio Jesus da fé permanece sendo anunciada até hoje. Ainda não terminou. Vivemos no tempo da graça onde livremente podemos anunciar a Jesus como salvação de todas as pessoas. Aquela semente que ele plantou no centro da história continua crescendo e dando frutos até os dias de hoje.
A boa nova do Reino de Deus e da vida eterna foi tão impactante que os discípulos não se pouparam para levar esta palavra adiante. Jesus já não estava presente no meio deles, mas eles compreenderam o seu dever de evangelizar o mundo inteiro, ou seja, levar as palavras de Jesus até os confins da terra.
Amados irmãos e amadas irmãs,
neste contexto de despedida, Jesus faz uma oração. Nesta oração ele pede tanto por si mesmo quanto pelos discípulos. Jesus sabia que iria passar por sofrimento, pela cruz e, por isso, roga pela misericórdia de seu Pai.
É interessante que o único que escreveu estas palavras de Jesus foi o evangelista João. João era uma pessoas simples e que se apegava as questões espiritualmente mais profundas. A oração de Jesus impactou tanto a sua vida que mesmo que tenha escrito o Evangelho 66 anos após a morte de Jesus, lembrou-se de colocar as palavras desta oração.
O texto inicia dizendo que chegou a hora do Pai glorificar o Filho e o Filho glorificar ao Pai. O texto está falando da unidade que existe entre Jesus e o seu Pai. Eles não são dois, mas apenas um. Jesus está no Pai e o Pai está em Jesus. Nós vamos ver melhor isso daqui alguns Domingos, quando temos o Domingo da Trindade.
A glória de Jesus não é maior que a glória do Pai e a glória do Pai não é maior que a de Jesus. Eles, de fato, são apenas um. Por isso, a glória que lhes pertence é a mesma.
Porém, há de se perguntar: que glória há em ser pendurado em uma cruz? Que glória há em derramar sangue em um madeiro? Aos olhos humanos, não há glória nenhuma nisso, mas vergonha e loucura. Mas foi exatamente assim que Deus agiu: não através da glória dos homens, mas através da sua própria glória. Não através de grandes e pomposos tronos humanos, mas na vergonha do trono da cruz.
Por isso, o apóstolo Paulo dirá em 1 Co 1 que a Palavra da Cruz é loucura para os que se perdem, é escândalo. A mente humana não consegue compreender como Jesus é glorificado indo para a cruz. A nossa mente não dá conta de Deus. Que glória há em ir para a cruz? Deus exalta os humildes!
Assim, Jesus, mesmo sabendo que seguiria o caminho da cruz, de antemão espera a glorificação com o seu Pai. Mesmo passando por dor e sofrimento, a unidade existente entre o Filho e o Pai não podia ser rompida. Mesmo que Jesus tenha se sentido abandonado na cruz, também ali o Pai, na verdade, sofria juntamente com ele.
Deus usa de caminhos misteriosos como a cruz para mostrar e provar ao mundo o seu amor. Jesus não se revoltou com o seu Pai por causa da cruz, mas se mostrou fiel até o último suspiro, em meio à lágrimas, dores e sofrimento.
Em seguida, Jesus ora pelos discípulos e por todas as pessoas. No v. 20 diz que Jesus até mesmo ora por aqueles que crerão nele. Perceba: através da Palavra e do agir do Espírito Santo, as pessoas conhecem a Jesus. Até mesmo por estas Jesus já orava. Acredite! Nesta lista estamos incluídos eu e você!
Jesus, enquanto Deus-Filho, já orava por mim e por você, por esta comunidade, por esta cidade. Ele já sabia de tudo. Ele certamente se lembrou de você.
Mas Jesus também faz uma oração específica pedindo que os irmãos e as irmãs sejam um! Assim como ele e o Pai estão unidos, que a igreja esteja unida da mesma forma. Que haja unidade e amor entre os cristãos.
Ainda não tive a oportunidade de assistir um jogo do Inter ou do grêmio em Porto Alegre. Quem sabe, um dia que o Flamengo venha jogar por aqui possa assistir pessoalmente. Entretanto, ia quase que uma vez por mês assistir jogos na Arena Joinville. É o único estádio em que entrei até hoje. Sempre me chamou atenção como a torcida é unida. Há unidade ali. Em alguns momentos, inclusive, dá a impressão de que a torcida empurra os jogadores para fazer gol. É uma coisa incrível. A emoção sentida é uma só.
Quando o time ganha, todos saem felizes, cantarolando, rindo, brincando... Quando o time perde, todos saem de cabeça baixa, alguns, inclusive, dizendo algumas palavras feias.
Nós também estamos dentro de um time que se chama IGREA. Todos nós somos um! Pertencemos ao mesmo corpo. Temos o mesmo amor a Jesus e aos irmãos. Queremos o crescimento. Queremos que o nosso time vença. E Jesus, dois mil anos atrás, já orava por nós neste sentido.
A grande pergunta é: neste time, onde nós estamos? Apenas na torcida xingando e falando mal? Ou estamos no campo tentando realmente fazer as coisas acontecerem? Onde você está? Jesus nos chama a sermos apenas UM!
Porém, ser um não significa uma uniformização, pois somos pessoas diferentes e que possuem pensamentos e ideias diferentes. Uniforme significa: todo mundo igual. Já a unidade significa: encontrar algo em comum mesmo diante das diferenças. Todos temos pensamentos diferentes. Porém, no Cristo que orou por nós, somos convidados a ser apenas um time, aceitando as diferenças que estão entre nós e trabalhando com elas.
Por isso, Deus derramou dons sobre a igreja. Ninguém sabe fazer tudo. Um professor da faculdade sempre dizia: “Quem acha que tem todos os dons, ele se acha.” Contudo, com aquilo que cada um sabe fazer bem, podemos ser um como o Pai e o Filho são. A união da Igreja é sinal da presença de Cristo no meio dela ou não.
No mundo, há muitas pessoas que precisam conhecer o amor de Jesus. O que nós, como Comunidade Vida Nova, podemos fazer para alcançar estas pessoas? Temos que pensar direitinho nisto; mas, podem ter certeza, que uma das coisas mais importantes é que haja amor aqui dentro.
Jesus subiu aos céus, como lembramos na última quinta-feira, dia da Ascenção. Entretanto, ele não nos abandonou. Ele orou por nós e está conosco através do Espírito Santo que ele enviou. Vamos entregar nossa missão a Deus e deixar que ele nos mostre o que quer conosco aqui neste lugar. E que acima de tudo, não deixemos pequenas divisões atrapalharem o plano do Reino de Deus.
Que possamos ser um time unido no amor por proclamar o Evangelho de Jesus a todas as pessoas em que Deus nos enviar. Ele vai nos capacitar para isso.
Amém.