PregaçõesVela, trovão e enxada
Amados irmãos, amadas irmãs,
João Batista é a vela acesa antes do sol nascer, o trovão que ecoa antes da chuva, a enxada que prepara um caminho pelo qual ele mesmo não caminhará. João Batista não considerou a si mesmo alguém importante; importante era aquele a quem ele preparava o caminho: Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). João Batista não “enfeitava” a sua pregação para agradar aos seus ouvintes. Ao contrário, ele dizia com todas as letras: “E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mateus 3.1-2). Sem “papas na língua”, João Batista, o trovão que vem antes da chuva: “Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai, porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão. E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo” (Lucas 3.7-9).
João Batista não falava pelas costas: o que precisava ser dito, ele dizia frente a frente da sua multidão – até, enfim, ter sua cabeça cortada por um capricho do rei Herodes. A história de João Batista não é a história de um pregador de sucesso, mas a de um dos melhores fracassos da história bíblica. O fim da vida de João Batista não foi cheia de sucesso, prosperidade e beleza (como muitos pregadores “cristãos” anunciam hoje); o fim da vida de João Batista foi ter a sua cabeça servida em uma bandeja – e essa foi a sua vitória: a vitória de não alterar o seu discurso quando os ventos se tornam contrários; a vitória de continuar sendo essa vela que ilumina as consciência a esperarem o sol chamado Jesus; a vitória de ser esse trovão que anunciava fielmente a Palavra de Deus; a vitória de ser essa enxada que preparava o caminho do Senhor.
Porém, nas festas de “São João” ele é um dos mais esquecidos. Tem-se de tudo, menos o real motivo da comemoração. E cabe a nós cristãos lembrarmos desse importante personagem, sua história e seu legado para a Igreja hoje. Portanto, quais são as lições de João Batista para a Igreja de Jesus hoje?
1 A NOSSA MISSÃO NO REINO DE DEUS NÃO É SOBRE NÓS – É SOBRE JESUS
A nossa missão não é ser o sol, a chuva e o caminho. A nossa missão é ser vela, trovão e enxada. O centro da fé não está em nós, mas em Jesus. A glória do Reino de Deus não está em nós, mas em Jesus. O propósito do Reino de Deus não está em nós, mas em Jesus. Mas hoje há muito cristão mais interessado em aparecer, fazer grande o seu nome e mostrar a si mesmo que revelar ao mundo quem é Jesus e o amor de Jesus.
João Batista nos ensinou que ele não era o centro, mas que o centro está em Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). Não ser o centro significa descanso. Não ser o mais importante significa menos peso nas costas. Não ser o essencial significa maior liberdade em Deus. Não somos nós que fazemos a obra de Deus; ao contrário, somos usados por ele para que sua obra no mundo continue. Nossos nomes servem ao Nome sobre todo nome: Jesus Cristo, o Senhor.
Portanto, descanse no Senhor e creia que o crescimento no Reino de Deus não depende só de você, das suas forças e do seu tempo. Vivemos em Comunidade onde as forças se juntam para cumprirmos a Missão de Deus – que é a nossa paixão. Não ser o centro não é algo ruim, é a boa notícia do Evangelho a nós hoje.
2 A NOSSA MISSÃO É INVESTIR A NOSSA VIDA EM PROL DO CORDEIRO – ATÉ O FIM
João Batista foi fiel até à morte. Ele não voltou atrás; ele não renunciou ao seu chamado quando “a coisa apertou”; ele não abandonou a sua missão quando a iminência da morte se aproximava. Ele sabia que era vela, não o sol; trovão, não a chuva; enxada, não o caminho. Ele sabia que a vinda do Reino de Deus não dependia dele, mas sim do sol, da chuva e do caminho: Jesus.
Diante da “proliferação” de pregadores de sucesso que existem hoje, como o mundo avaliaria o fim do ministério de João Batista? Certamente, sua morte seria vista como infortúnio, fracasso e derrota. Enquanto todos buscam o sucesso, João Batista sabia que seu futuro seria o fracasso – um fracasso apenas menos importante que o fracasso da cruz! E no fracasso de Jesus na cruz está a vitória de todos que já tentaram de tudo e fracassaram. O Deus da cruz é o Deus de João Batista. O Deus da cruz é o Deus dos fracassados: “mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1 Coríntios 1.23-29).
É fácil seguir a Jesus quando há promessas de sucesso, vitória e prosperidade material neste mundo. Você seria fiel mesmo que soubesse que fracassaria diante do mundo, mas que seria vitorioso diante de Deus? Você seria fiel a Deus mesmo que isso significasse perseguição, sofrimentos e dor? Você seria fiel a Deus mesmo que isso pudesse lhe custar a sua vida? João Batista escolheu o fracasso – e foi um dos fracassos mais bem escolhidos da história: melhor morrer fracassado com Cristo do que vitorioso no mundo sem Cristo.
3 A NOSSA MISSÃO É SER VELA, TROVÃO E ENXADA – PARA QUE JESUS SEJA SOL, CHUVA E CAMINHO
Temos uma mensagem a anunciar. Essa mensagem não é nossa, mas do próprio Deus. Somos chamados a ser a vela acesa antes do sol, o trovão que ecoa antes da chuva e a enxada que prepara o caminho. Não anunciamos a nós mesmos, mas anunciamos aquele que já veio e que é mais importante que nós. Nosso chamado, nossa missão e nossa decisão precisa ser: anunciar Cristo para que mais pessoas creiam nele como único e suficiente Senhor e Salvador.
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Esse foi o testemunho de João Batista ao contemplar o Salvador no início do seu ministério. Que esse seja também o nosso testemunho às consciências atormentadas; que esse seja o nosso testemunho às almas aflitas; que esse seja o nosso testemunho a quem se sente vazio de sentido e propósito na vida. Com coragem e humildade, anunciemos ao mundo que Jesus é o sol, que Jesus é a chuva que rega a terra do nosso coração, que Jesus é o caminho, a verdade e a vida.
Recebamos, com humildade, esse mesmo anúncio também às nossas vidas. E que a Palavra de Deus ecoe dentro de nós, trazendo cura, transformação e renovação. O Evangelho não é sobre nós – é sobre Jesus! E isso basta!
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e às nossas mentes, em Cristo Jesus. Amém.